DEBRIEFING: Tecnologia participa da festa, mas a essência dos Jogos permanece
Diretores de tecnologia de Londres 2012 e Rio 2016™ analisam a inserção dos avanços tecnológicos no maior evento esportivo do planeta
Diretores de tecnologia de Londres 2012 e Rio 2016™ analisam a inserção dos avanços tecnológicos no maior evento esportivo do planeta
Tecnologia é parte essencial da organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos (Tom Shaw/©Getty Images)
As mudanças causadas pelas novas tecnologias acontecem em ritmo cada vez mais acelerado, mas, nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a essência permanece a mesma. Além de garantir segurança e eficácia no acesso aos resultados das provas, a tecnologia é determinante na forma como as pessoas se relacionam com o maior evento esportivo do planeta. As inovações tecnológicas, entretanto, só valem se forem ao encontro das necessidades dos públicos dos Jogos, que buscam uma experiência autêntica e memorável.
Para o diretor de tecnologia do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012 (Locog), Gerry Pennell, que participa do Debriefing de Tecnologia Londres 2012, esta semana, em um hotel no Rio de Janeiro, foi nesse sentido que os Jogos da capital britânica alcançaram avanços mais relevantes. O Debriefing faz parte do processo de tranferência de conhecimento entre os Comitês Organizadores e vai até a próxima sexta-feira, dia 16.
“No Parque Olímpico, tivemos um sistema de rede sem fio de alta densidade, para possibilitar o envio de informações e imagens a qualquer momento. Também fomos os primeiros a entregar resultados em tempo real para o público, por meio do nosso site oficial e por aplicativos para celulares. Tivemos 12,5 milhões de downloads de aplicativos de resultados, por exemplo. Às vezes, mais de metade da carga de nossos serviços de web era consumida por dispositivos móveis”, destacou Pennell.
Sobre as competições esportivas, os Jogos de Londres foram os primeiros a utilizar a pistola a laser nas provas de pentatlo moderno, bem como as meias com sensores no taekwondo. Outro ponto interessante foi a disponibilização de tecnologia para os atletas.
“Todos os apartamentos da Vila dos Atletas tinham televisão com os canais da OBS (Olympic Broadcast Service ou Serviço de Transmissão Olímpico) e rede de internet sem fio. Além disso, disponibilizamos internet para os atletas nas áreas comuns da Vila e nas salas de estar (lounges) das instalações esportivas. A maioria dos atletas usam dispositivos de internet nos dias de hoje, portanto foi muito útil”, disse o diretor de tecnologia do Locog.
Inovações para garantir uma cobertura jornalística impecável
Para que o maior espetáculo esportivo do planeta tenha uma cobertura à altura, é preciso oferecer aos profissionais de imprensa credenciados uma estrutura que atenda às suas necessidades. Em quase 30 dias de competições, com 28 esportes olímpicos e 22 paralímpicos, os jornalistas necessitam de serviços de telecomunicações de alto nível e agilidade e eficácia na apuração dos resultados.
Em Londres, o sistema INFO (plataforma com resultados, textos sobre as competições e declarações de medalhistas) pôde, pela primeira vez na história dos Jogos, ser acessado diretamente dos computadores dos jornalistas. O sistema ‘My INFO +’ foi elaborado pela área de tecnologia do Locog. No Rio 2016™, a novidade para os profissionais de mídia credenciados será o acesso à internet nos ônibus destinados a atender a imprensa.
“Isto faz parte do nosso planejamento desde o início e temos desenvolvido nossos projetos levando isto em conta. A entrada da rede LTE (4G) licitada pela Anatel vem a contribuir para que a capacidade de transmissão de dados seja bem maior que a tecnologia atual, vindo a contribuir para uma maior qualidade neste serviço. Os contratos discutidos com parceiros e fornecedores e as soluções projetadas levam esta demanda como requisito básico dos Jogos. Como qualquer solução técnica, temos ainda um longo processo de planejamento, implementação e testes a seguir, mas estamos dentro do cronograma esperado”, garantiu o diretor de Tecnologia do Rio 2016™, Elly Resende.
Tecnologia equilibrada com a essência dos Jogos
Elly frisou a importância de promover inovações para os Jogos sempre de acordo com as demandas de atletas, espectadores, jornalistas, públicos das diversas mídias e demais impactados pelos Jogos. “As principais evoluções que têm ocorrido nos Jogos dizem respeito aos aplicativos móveis, conectividade. Além delas, as atividades relacionadas ao sport presentation (entretenimento para o espectador nas instalações esportivas dos Jogos) e ao video adjucation (serviço de apoio aos árbitros para tomada de decisão em impasses por meio de imagens em vídeo)”, afirma.
“O objetivo principal é atender aos clientes dos Jogos com tecnologias maduras e eficazes. Precisamos ser capazes de entregar o que os clientes precisam para terem a melhor experiência possível com os Jogos Rio 2016. Trabalhamos com uma infraestrutura robusta para permitir as adequações necessárias no futuro”, conclui o diretor.
Para seu colega do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, a área de tecnologia do Rio 2016™ está no caminho certo.
“Acho que não se deve inovar apenas por inovar. O importante é entender o que os atletas vão precisar, o que os jornalistas vão precisar e o que o público vai precisar. Você necessita entender como estes públicos vão querer se envolver com os Jogos Olímpicos. Depois de responder a estas perguntas, é possível entender qual a coisa certa a se fazer”, finalizou Gerry Pennell.