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Um mundo novo

Das praças aos Jogos Paralímpicos, Bocha é diversão para todas as idades

Por Rio 2016

Portugueses e brasileiros destacam-se no esporte em Pequim 2008 e já sonham com 2016

Das praças aos Jogos Paralímpicos, Bocha é diversão para todas as idades

Dirceu Pinto leva a melhor sobre os portugueses em Pequim 2008 (Foto: © CPB)

Tradição das praças e parques de Brasil e Portugal, onde atletas de fim de semana de todas as idades se divertem com as pequenas bolas lançadas nas canchas, a Bocha é um dos esportes mais tensos e equilibrados dos Jogos Paralímpicos. Tática e concentração são as chaves do sucesso no jogo em que os dois países de língua portuguesa viraram sinônimos de glórias e medalhas em Pequim 2008. A ansiedade para Rio 2016, uma disputa "caseira", só faz crescer.

Habituados aos pódios paralímpicos no esporte, os portugueses sentiram na pele o crescimento vertiginoso dos irmãos de além-mar. Na classe BC4, por exemplo, perderam a final nas duplas e viram o Brasil conquistar ouro e bronze no individual.

“O Brasil chegou a Pequim 2008 sem expectativas. Vejo nossas vitórias como um milagre. Para Londres 2012, todos já esperam algo. Nossas chances são muito boas. Para o Rio 2016, é outro panorama. A pressão estará toda em cima de nós brasileiros para ganhar o ouro”, afirma Dirceu Pinto, ouro no individual e em duplas, ao lado de Eliseu dos Santos.

O esporte é disputado por paralisados cerebrais que utilizam cadeira de rodas. São competições individuais (classes BC1, BC2, BC3 e BC4), em dupla (BC3 e BC4) e em times de quatro (BC1 junto com BC2). As classes são definidas pelo grau de deficiência dos atletas e pela necessidade ou não de auxílio de ajudantes para pegar as bolas e se locomover. Mulheres e homens competem juntos (confira as regras).

Histórias para contar

Dos sete pódios em disputa, Portugal levou cinco medalhas, incluindo ouro e prata no Individual BC1. Para Dirceu Pinto, o Brasil se inspira na longa trajetória de glórias dos portugueses e mostra resultados em pouco tempo pelo espírito de luta e força de vontade de seus atletas. Praticante desde 2002, ele conta histórias curiosas de treinos e competições, como as que antecederam as medalhas em Pequim 2008.

“Para Pequim, treinávamos uma média de 12 horas por dia no Brasil. Chegamos lá duas semanas antes para a preparação, só que as condições eram diferentes. Tínhamos uma hora pela manhã e uma hora à tarde para treinar, era o que a organização oferecia. Então, conseguimos um espaço no estacionamento da Vila Paraolímpica, fizemos uma rápida limpeza e ali conseguimos treinar mais. Isso foi fundamental”, lembra Dirceu.

“Sem dúvida, a Bocha cresceu bastante no Brasil. Em 2008, tínhamos dois, três concorrentes que poderiam enfrentar a mim e ao Eliseu de igual para igual. Hoje, vamos aos campeonatos nacionais e tem 12, 16 com condições. A disputa interna já é muito forte. Precisaremos trabalhar duro para disputar os Jogos em casa”, conclui.

Além de Portugal e Brasil, equipes tradicionais como Grã-Bretanha, Hong Kong, Córeia do Sul e Espanha conquistaram resultados expressivos na última edição dos Jogos. Para Londres 2012, a expectativa é de mais batalhas árduas. E diversão para todas as idades.