Dá pra trocar! Provas longas do atletismo Paralímpico permitem mudança do guia
Bira, que corre com o fundista Odair dos Santos, diz que conviver no meio, conhecendo histórias de luta, "dá uma força a mais"
Bira, que corre com o fundista Odair dos Santos, diz que conviver no meio, conhecendo histórias de luta, "dá uma força a mais"
O guia Bira e Odair dos Santos vão atrás de marca boa nos 5.000m no Mundial, pensando no Rio 2016 (Comitê Paralímpico Brasileiro)
No atletismo Paralímpico, cumplicidade e confiança são fundamentais. Mas nas provas mais longas, é permitido que o atleta use mais que um guia. A troca é feita durante a própria corrida, sem que os envolvidos parem na pista, como explica Carlos Antônio dos Santos, o Bira – nascido na cidade paulista de Ubirajara –, guia de Odair Ferreira dos Santos em provas de 1.500m e 5.000m. Os dois estarão no Mundial de Doha, no Catar, cujas provas começam nesta quinta-feira (22), em busca de medalhas nas duas provas, mas principalmente pensando em um bom tempo na mais longa, para se garantir nos 5.000m dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.
“É uma opção. Nos 5.000m e nos 10.000m, o corredor com deficiência visual pode trocar de guia durante a prova. Só é preciso avisar os árbitros com antecedência”, explica Bira. “No local combinado, se faz a troca sem parar a corrida. É mudar a cordinha do atleta para o segundo guia, de forma muito rápida. Para isso, é preciso estar tudo bem treinadinho”.
Aos 35 anos, Bira conta que era atleta do futebol, mas por causa de uma cirurgia no joelho começou a correr “devagarzinho” na recuperação e tomou gosto pelo atletismo em 2004. Em 2008, foi convidado e se tornou guia de Aurélio Guedes nos Jogos Paralímpicos Pequim 2008. “Lá, o guia do Odair fez os 1.500m e os 5.000m e entrei de substituto na prova dos 10.000m”, explica. “Depois, acabei ficando como guia do Odair, que também corre com outro guia - o Eriton Nascimento”, prossegue Bira.
Bira conta que, profissionalmente, ser guia o ajudou a crescer como atleta convencional. “Melhorei minhas próprias marcas, porque a gente quer estar o melhor possível para dar conforto e confiança ao atleta”, diz o corredor, que se tornou o primeiro brasileiro a participar de Jogos Pan-Americanos e também de Parapan-Americanos em um mesmo ano – no caso, em Toronto 2015, no Canadá, disputados em julho/agosto – com ouro na classe T11 (deficientes visuais) ao lado de Odair nos 1.500m. “Fui para o Pan correr os 1.500m, voltei ao Brasil e quatro dias depois embarquei para o Parapan”.
Pessoalmente, diz Bira, estar no meio Paralímpico “dá uma força a mais” ao se conhecer histórias de dificuldades de atletas que não deixam de lutar e alcançar objetivos. “Além do trabalho, criamos uma amizade muito grande, até entre nossas famílias”.
Treinando na cidade de Limeira, em São Paulo, Bira e Odair aproveitam o tempo de folga para também fazer dupla no violão e nas vozes de músicas sertanejas e gospel. Estão até pensando em, mais para frente, começar a treinar para disputar maratonas.