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Um mundo novo

Da guerra à glória: Bósnia e Herzegovina sonha com terceiro ouro no voleibol sentado em 2016

Por Rio 2016

Duas vezes campeões Paralímpicos, jogadores lesionados no conflito se tonam heróis nacionais e vão mostrar toda sua garra nos Jogos Rio 2016

Da guerra à glória: Bósnia e Herzegovina sonha com terceiro ouro no voleibol sentado em 2016

Atual campeã dos Jogos Paralímpicos, a seleção da Bósnia e Herzegovina já está classificada para os Jogos Rio 2016 (Getty Images/Dennis Grombkoski)

No verão de 1992, enquanto a elite do esporte Paralímpico mundial disputava os Jogos de Barcelona, a Bósnia e Herzegovina passava pelo pior momento de sua então breve história. Envolvido na mais prolongada guerra civil da Europa desde o fim da II Guerra Mundial, o país não imaginava que parte da alegria voltaria justamente pelas mãos daqueles que foram mais afetados pelo conflito.

Bicampeã Paralímpica, a seleção masculina de voleibol sentado da Bósnia e Herzegovina conta com atletas que têm sua história marcada pela Guerra da Bósnia. O levantador Sabahudin Delalic lutou pelo exército bósnio e perdeu parte da perna direita depois que um muro caiu sobre ela. O atacante Safet Alibasic perdeu um dos pés ao pisar em uma mina terrestre. A maneira como eles superaram esses desafios os tornaram heróis nacionais em sua terra natal - e agora eles vão mostrar toda essa garra nos Jogos Rio 2016, quando vão lutar pelo terceiro ouro Paralímpico.

A história da seleção começou em 1994, com a guerra ainda em andamento. Em função do grande número de mutilados no conflito, o país passou a investir mais nos esportes Paralímpicos.

“O começo no esporte foi difícil. Não conhecia o voleibol sentado antes da guerra. Só comecei a praticar depois do acidente e por saber que não teria muitas possibilidades em outros esportes. Agradeço muito às pessoas que me apresentaram ao voleibol sentado”, conta Alibasic.

A equipe mostrou o perfil guerreiro logo na primeira competição disputada: o Campeonato Europeu de 1994. Os jogadores encararam a viagem até a Croácia, sede da competição, em um ônibus danificado pela guerra e com marcas de tiros, enfrentando temperatura externa de 17 graus negativos. No final, a 11ª colocação foi irrevelante diante de todo o apoio que os bósnios receberam na competição.

“Era extremamente difícil treinar diariamente, deixar litros de suor na quadra e fazer diversos sacrifícios enquanto nosso país estava vivendo os momentos mais difíceis de sua existência. É evidente que todo o sofrimento do nosso povo fortaleceu os nossos espíritos e o nosso caráter. Encaramos como um desafio pela Bósnia e isso certamente é a chave do sucesso deste time”, acredita o capitão Delalic.

Levantador Sabahudin Delalic perdeu parte da perna direita durante a Guerra da Bósnia (Foto: Getty Images/Guang Niu)

 

Em 1997, a seleção conquistou sua primeira medalha no campeonato europeu, o bronze, e dois anos depois ganhou o ouro. A equipe fez sua estreia nos Jogos Paralímpicos em Sydney 2000, com a medalha de prata. Em 2002, o time chegou ao topo do pódio no campeonato mundial e, dois anos adiante, conquistou o ouro Paralímpico nos Jogos Atenas 2004. Depois de ganhar a prata em Pequim 2008, a equipe voltou ao topo do pódio Paralímpico em Londres 2012. 

As quatro medalhas conquistadas pelo voleibol sentado são as únicas da Bósnia e Herzegovina nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, tornando a equipe o grande orgulho esportivo do país.

“É um sentimento maravilhoso. Somos uma das poucas seleções do país que é admirada pelo povo, que sofreu tanto. Acho que representamos, de certa forma, uma luz no fim do túnel para eles”, acredita Delalic.

Em 2014, a Bósnia e Herzegovina conquistou seu segundo título mundial, resultado que classificou a equipe para os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Já com a próxima edição Paralímpica em foco, Alibasic revela que o sonho da equipe é conquistar o terceiro ouro e brindar o povo bósnio com alegria e satisfação mais uma vez.

“Nossas expectativas são repetir o que conseguimos em Londres. Queremos ter o maior sucesso que pudermos. Vimos a alegria que o país teve quando nossa seleção de futebol se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez, em 2014. Quando nossas equipes nacionais têm sucesso, é o momento em que os cidadãos conseguem se esquecer um pouco de todos os nossos problemas e passar alguns dias comemorando”, destaca o atacante.

Bósnia e Herzegovina e Irã disputaram a medalha de ouro nas últimas quatro edições dos Jogos Paralímpicos (Foto: Getty Images/Guang Niu)

 

Os Jogos Rio 2016 poderão ser palco de mais um duelo memorável entre Bósnia e Herzegovina e Irã no voleibol sentado. Desde que os bósnios interromperam a série de quatro ouros Paralímpicos dos asiáticos em Atenas 2004, as duas seleções mediram forças em todas as decisões dos Jogos Paralímpicos e do campeonato mundial, com exceção da deste ano, quando os europeus enfrentaram o Brasil na final.

“Há muitos anos temos enfrentado o Irã nas finais das competições mais importantes, mas o campeonato mundial de 2014 mostrou que existem outras equipes de qualidade, que podem surpreender, como o Brasil fez. Tenho certeza que a Bósnia e Herzegovina estará na final e espero que o Brasil siga competitivo e consiga ir bem como no campeonato mundial”, projeta Alibasic.

Além da Bósnia e Herzegovina e do Irã, classificados no mundial, da China, que garantiu vaga nos Jogos Para-Asiáticos, e do Brasil, país-sede, outras quatro seleções masculinas disputarão os Jogos Rio 2016. Três vagas sairão dos classificatórios continentais da Europa, da América e da África, que serão realizados em 2015, e a última estará em jogo no Pré-Olímpico mundial, em 2016.

Rio2016.com não é uma autoridade absoluta sobre as classificações para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que são um processo em andamento. Vagas finais só serão confirmadas em julho de 2016 (para os Jogos Olímpicos) e agosto de 2016 (para os Jogos Paralímpicos). Os sistemas de classificação são definidos para cada esporte pela respectiva Federação Internacional e o Comitê Olímpico Internacional ou Comitê Paralímpico Internacional e estão sujeitos a mudanças. Quando um atleta ou equipe obtém uma vaga para seu país, a decisão final se ela será usada e quais atletas irão aos Jogos será tomada pelo respectivo Comitê Olímpico Nacional ou Comitê Paralímpico Nacional (CON ou CPN). Mesmo quando atletas alcançarem uma vaga nominal para eles mesmos, CONs/CPNs podem ter de decidir quem irão enviar aos Jogos caso o número de atletas classificados de um país exceda a cota máxima.