Cultura Rio 2016: esportes Olímpicos também inspiram os poetas
No Dia da Poesia, três nomes da literatura "cantam" os atletas
No Dia da Poesia, três nomes da literatura "cantam" os atletas
Cecília Meireles escreveu sobre os nadadores: hoje Michael Phelps seria muso (Harry How/Getty Images)
O que a poesia e o esporte têm em comum? São expressões que fazem parte do repertório da humanidade desde a Era Antiga. Como dia 14 de março é o Dia da Poesia, Rio2016.com destaca três poetas que prestaram homenagens aos esportes Olímpicos.
Inspire-se:
Um dos poemas mais famosos de Cecília Meireles, “Nadador” descreve a performance de atletas como Michael Phelps e André Brasil em ação. Autora de "A Rosa" e "Espectros, Cecília Meireles foi uma das vozes líricas mais importantes da poesia em língua portuguesa.
Cecília Meireles
O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, pássaro da água!
É a tua fina, ágil cintura,
e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!
É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,
fiel à queda, rápida e branda.
E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento...

Indicado ao Nobel de Literatura em 2011 e vencedor do Prêmio Luís de Camões de 2010, Ferreira Gullar é um dos mais importantes poetas da literatura brasileira. Em “Gol”, o poeta narra a trajetória de uma bola até o gol em um jogo de futebol.
Ferreira Gullar
A esfera desce
do espaço
veloz
ele a apara
no peito
e a para
no ar
depois
como o joelho
a dispõe à meia altura
onde
iluminada
a esfera
espera
o chute que
num relâmpago
a dispara
na direção
do nosso
coração.

Poeta que teria nascido em Tebas, cidade-estado grega, Píndaro é considerado um dos maiores da Antiguidade. Escreveu poemas em homenagem aos campeões dos primeiros Jogos. Entre eles, a Olímpica I, dedicada a Hierão de Siracusa por sua vitória na corrida de cavalos em 476 d.C. Confira a seguir a primeira parte do poema:
Píndaro
a Hierão de Siracusa, vencedor na corrida de cavalos (476 a.C.)
O melhor é a água, enquanto o ouro, como o fogo brilhando
na noite, distingue-se mais que a riqueza exaltadora de homens
Se jogos celebrar
desejas, caro coração,
não mais cálido que o sol
luzindo de dia outro astro
mires no ermo éter,
nem cantaremos uma competição superior à de Olímpia.
De lá, o mui afamado hino envolve
o intelecto dos sábios que, para exaltar
o filho de Cronos, chegam
ao rico e ditoso lar de Hierão,
o qual detém o cetro da justiça na fecunda
Sicília, colhendo os píncaros de todos os êxitos,
e gloria-se também
na fina flor da música,
com que nós, varões, folgamos
amiúde em sua mesa amiga.
Mas então retira a dória lira
da cavilha, se acaso o encanto de Pisa e Ferênico
submeteu a tua mente a dulcíssimos cuidados,
quando às margens do Alfeu lançou-se, seu corpo
sem aguilhão ao páreo oferecendo,
e à vitória uniu seu soberano,
de Siracusa o cavaleiro
rei. Lampeja-lhe a glória
na colônia farta em heróis do lídio Pélops;
pelo qual se enamorou o poderoso sustentáculo da terra,
Poseidon, quando do imaculado caldeirão
Cloto o retirou,
com a brilhante espádua de marfim ornada.
Muitos prodígios há, mas talvez também dos homens
a fala exceda a vera palavra;
Adornados de mentiras matizadas,
os mitos enganam.