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Um mundo novo

Cuba, o país do... boxe

Por Rio 2016

Escola cubana formou campeões e ícones da história do esporte

Cuba, o país do... boxe

Roniel Iglesias: ouro Olímpico dos 54kg em Londres 2012, depois do bronze em Pequim 2008 (Getty Images/Paul Guilham)

Texto: Denise Mirás

Olheiros dos Estados Unidos se deslocavam para Cuba, no início do século 20, atrás de talentos para o boxe entre cortadores de cana. O esporte se estabeleceu na ilha, ganhou força como profissional entre as décadas de 1930 e 1950 e, já sob o regime comunista, o país se tornou uma potência no boxe amador. A origem genética somada ao trabalho duro, multidisciplinar e bem planejado, e figuras icônicas que inspiraram gerações trouxeram resultado: nenhum país tem tantas medalhas de ouro no boxe em Jogos Olímpicos e em campeonatos mundiais quanto Cuba.

E a Enciclopédia Cooperativa Cubana (Ecured) cita raízes ainda mais antigas para explicar a força do boxe no país.

Quer saber mais sobre o boxe? Clique aqui no nosso infográfico

A Enciclopédia Cooperativa Cubana (Ecured) cita raízes ainda mais antigas para explicar a força do boxe no país. E o livro Cultos Afrocubanos, de Miguel Barnet, informa que os escravos que chegaram à ilha eram de ascendência bantu (grupo étnico da África subsaariana) e tinham a tradição de promover bailes, onde se tocava yuca (tambor). Nesses eventos também havia lutas como o mani (usando cotovelos e antebraços). Havia inclusive disputas entre mulheres e apostas em dinheiro.

Precursor foi chileno

Desde a independência do país em 1902, Cuba se manteve como o segundo centro de boxe do mundo (o primeiro eram os Estados Unidos) até a década de 1930. Um primeiro grande nome surge em 1910: o chileno John Budinich, que teria aprendido a lutar com marinheiros britânicos em Valparaíso, chegando à ilha depois de passar pelos Estados Unidos, para exibições e aulas.

O boxe se expandiu para as cidades de Santiago de Cuba, Holguín, Manzanillo, Baracoa, Guantánamo, Jiguaní e Palma Soriano, no Leste; e para Matanzas, no Oeste. As arenas de lutas eram adaptadas: o Parque Almendares recebeu 30 mil pessoas para ver a luta entre o negro Jack Johnson e o branco Jess Williard. E donos de teatro e de jornais procuravam locais para promover combates.
 


De Kid Chocolate ao professor Sagarra

Cria dos anos 1920, uma das figuras mais emblemáticas do boxe cubano ganhou reconhecimento internacional: Eligio Sardiñas, o “Kid Chocolate”.

A partir daí, o boxe profissional se torna forte em Cuba e assim segue até o fim dos anos 1950. Com a Revolução Cubana (o ditador Fulgência Batista caiu em 1º de janeiro de 1959), o boxe volta ao amadorismo e se torna uma marca do país.

Alcides Sagarra Carón é considerado a espinha dorsal do boxe amador na ilha de Fidel Castro. Assumiu a equipe nacional em 1964 e formou a Escuela Cubana de Boxeo, que deu ao país 34 ouros Olímpicos até Londres 2012 (mesmo com a ausência, por boicote, em Los Angeles 1984 e Seul 1988), 32 deles com o professor à frente da equipe.
 

Félix Savón, tricampeão Olímpico de boxe: hoje, o cubano se dedica à pintura (Foto: Getty Images/Ezra Shaw)


Sagarra formou Félix Savón, tricampeão Olímpico (na categoria até 91 kg) e seis vezes mundial (além de um vice), e Teófilo Stevenson, três vezes campeão mundial e três vezes Olímpico (acima de 81 kg). Ángel Herrera, bicampeão Olímpico (uma vez na categoria até 57kg e a outra na até 60 kg) e três vezes mundial, é o terceiro da lista de melhores da história da  Federação Internacional de Boxe Amador (Aiba, na sigla em inglês), que ainda elegeu Sagarra como “Técnico do Século”.

Já sem o professor à frente da equipe nacional, o país foi campeão mundial por equipes em 2015 em Doha, no Catar. Entre 1974 (quando sediou o primeiro Mundial) e este ano, Cuba acumulou 128 medalhas em Mundiais (71 de ouro, 32 de prata e 25 de bronze). A Rússia alcança 62 (22 de ouro, 20 de prata e 20 de bronze) e a União Soviética, 45 (16 de ouro, 12 de prata e 17 de bronze). A seguir vêm os Estados Unidos, com 41 (16 de ouro, 9 de prata e 16 de bronze).

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Genética e trabalho

A chave do sucesso do boxe em Cuba passa pelo trabalho multidisciplinar de técnicos, médicos, fisiologistas e psicólogos. Especialistas também citam campeões que se tornam treinadores, após sete anos de faculdade, e passam sua técnica e experiência para crianças em todo o país como outra razão para o bom desempenho dos nativos da ilha caribenha.
 

"A boa genética e o temperamento latino, somado a técnicos de primeira e disciplina de ferro formam uma combinação explosiva”

Barry McGuigan, boxeador irlandês campeão mundial dos penas em 1985 pela Associação Mundial de Boxe (WBA, na sigla em inglês)

Para ele, não é coincidência que Cuba tenha tantos campeões mundiais e Olímpicos em todas as categorias do boxe. “Eles sempre parecem maiores, em cada categoria, que os adversários. Treinam no mais alto nível e têm o físico perfeito para um lutador: altos e magros, com ombros largos”.

Normalmente os boxeadores cubanos também são mais velhos e mais experientes do que adversários de outros países, porque não têm a profissionalização como opção. Outro ponto: enquanto rivais engordam com o passar da carreira, subindo de categoria, cubanos trabalham para baixar de peso – assim, com a experiência acumulada, levam vantagem nos confrontos com novatos.

Questão de caráter

Para Sagarra, “o boxe combina bem com o caráter do cubano: somos bravos, decididos e generosos. Temos convicções bem definidas e fortes. Somos combativos e gostamos de lutar”.

O mundo esperou por Mohammed Ali e Teófilo Stevenson no ringue, o que nunca aconteceu: já com Mal de Parkinson, Ali se encontrou com o cubano, que nunca aceitou se profissionalizar (foto: Getty Images/Jorge Rey

“Os boxeadores cubanos sentem o cheiro do medo em seus adversários”, comentou Michael Bentt, campeão mundial dos pesados em 1993 pela Organização Mundial de Boxe (WBO, na sigla em inglês). “Se puderem te intimidar, vão te pegar. Psicologicamente, passam por cima do oponente como aquelas máquinas de pavimentação de rua”.

"Cuba é um dos últimos lugares do mundo onde se luta por muito pouco além do amor pelo esporte"

S.L. Price, jornalista e escritor norte-americano

Especializado em esportes, Price disse: “Instintivamente sinto que fazem o esporte como se deveria, como era antigamente. Sem luxo, sem estacionamentos exclusivos, sem agentes, sem ingressos que custam o mesmo que um carro.”

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