Como vinho, Roger Federer e Serena Williams evoluem no esporte e descartam aposentadoria
Suíço vai completar 35 anos durante os Jogos Olímpicos e norte-americana terá 34. Mas os dois seguem fazendo história
Suíço vai completar 35 anos durante os Jogos Olímpicos e norte-americana terá 34. Mas os dois seguem fazendo história
Federer saca na vitória sobre Del Potro em jogo que entrou para a história do esporte (Getty Images/Clive Brunskill)
O tênis é um dos esportes mais ingratos quando o assunto é longevidade. Raramente se vê um atleta com mais de 30 anos alcançando a glória nas quadras de todo o mundo. Mas toda regra tem a sua exceção. Dois grandes exemplos disso são o norte-americano Andre Agassi, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, que encerrou a carreira aos 36 anos, e o indiano Leander Paes, bronze na mesma edição dos Jogos, e que se tornou em Londres 2012 o tenista recordista em participações Olímpicas.
Assim como o vinho, que melhora o sabor enquanto os anos passam, o suíço Roger Federer e a norte-americana Serena Williams, ambos com 31 anos, mantêm um físico invejável e seguem evoluindo no esporte. No ano passado, Federer conquistou o seu sétimo título em Wimbledon, e a medalha de prata nos Jogos de Londres. Já Serena voltou a ser a número 1 do mundo e deixou a capital inglesa com duas medalhas de ouro (simples e duplas).
Federer vai completar 35 anos durante o Rio 2016™. Recentemente ele alcançou a marca de 900 vitórias na carreira e o 77º título, sendo 17 de torneios Grand Slam, um recorde absoluto. O suíço estreou em Jogos Olímpicos em Sydney 2000, quando perdeu a disputa pela medalha de bronze, mas conheceu o amor da sua vida na Vila Olímpica: a ex-tenista Mirka Vavrinec, mãe das suas filhas gêmeas Charlene Riva e Myla Rose.
Em Pequim 2008, Federer conquistou a medalha de ouro nas duplas e em Londres 2012 protagonizou momentos inesquecíveis, principalmente na semifinal do torneio, quando derrotou o argentino Juan Martín Del Potro por 2 sets a 1, de virada, com parciais de 3/6, 7/6 (7/5) e 19/17, em 4h26min, na mais longa partida da história em melhor de três sets. No Rio 2016™, o craque poderá disputar a sua quinta edição dos Jogos.
“Os Jogos Olímpicos são especiais. Acontece de quatro em quatro anos. Há muita pressão e muito entusiasmo de todos para jogar bem. É um clima incrível e a sensação indescritível”, disse Federer, pouco antes de fazer a sua estreia em Londres.
Serena Williams, por sua vez, atropela qualquer adversária que aparece na sua frente. Na última terça-feira, dia 25, ela estreou em Wimbledon com vitória sobre Mandy Minella, de Luxemburgo. Foi a sua 32ª vitória consecutiva no circuito internacional, a mais longa sequência no esporte em 13 anos. No início do mês, Serena voltou a se consagrar em Roland Garros, 11 anos após a sua primeira conquista.
Campeã em 2002 no saibro francês, Serena derrotou a russa Maria Sharapova, número 2 do mundo, e alcançou o seu 16º título de simples em Grand Slams, apenas dois atrás das estrelas aposentadas Martina Navratilova e Chris Evert. Sharapova também foi sua adversária na final Olímpica de Londres. A norte-americana fez uma partida perfeita, venceu os nove primeiros games do jogo e conquistou a medalha de ouro com o placar de 6/0 e 6/1.
Após o triunfo na grama londrina, Serena concedeu uma entrevista coletiva e disse: “Planejo estar no Rio em 2016. Só não vou se acontecer alguma coisa excepcional. Eu amo o meu esporte e dourado é a minha cor favorita”, disparou a vencedora de quatro medalhas de ouro Olímpicas, três delas nas duplas, ao lado da irmã Venus.

Bia Haddad sorri após a conquista do segundo vice-campeonato juvenil nas duplas em Roland Garros (Foto: Arquivo pessoal)
Brasileiras não disputam um Grand Slam há 20 anos
O tênis no Brasil vive um momento de vacas magras. No masculino, apenas um brasileiro disputou os dois últimos Grand Slams: o paulista Rogério Dutra Silva, de 29 anos. Número 100 do mundo, Rogerinho foi eliminado em Roland Garros e Wimbledon na primeira rodada. No feminino, desde Maria Esther Bueno que o esporte não vê um atleta nacional brigando por títulos importantes. A última brasileira a disputar um torneio de Grand Slam foi Andrea Vieira, a Dadá, que jogou o US Open em 1993.
Maior revelação do tênis brasileiro na atualidade, a jovem Beatriz Haddad Maia, ou simplesmente Bibi, é a grande esperança para o país fazer bonito nos Jogos Olímpicos Rio 2016™. A menina que acabou de completar 17 anos vem de uma família de esportistas e começa a trilhar o caminho do sucesso. Treinada por Larri Passos, ex-técnico de Guga, Bibi começou a jogar aos cinco anos com a mãe e a tia, que têm uma escolinha e trabalham com tenistas iniciantes.
“Eu tenho um sonho, o sonho de estar entre as melhores do mundo e ganhar um Grand Slam”, disse a atleta, que destaca o saque e o forehand no seu jogo e espera fazer bonito na primeira edição dos Jogos na América do Sul. “Disputar os Jogos Olímpicos em casa será uma oportunidade única para todos os brasileiros darem o seu melhor junto à torcida. Com certeza é um incentivo a todos que poderão acompanhar mais de perto o que é o esporte competitivo”.