Com Isaquias Queiroz à frente, Brasil busca sua primeira medalha Olímpica na canoagem
Atletas brasileiros treinam forte em busca de resultado inédito nos Jogos Rio 2016
Atletas brasileiros treinam forte em busca de resultado inédito nos Jogos Rio 2016
Campeão mundial na prova de 500m, Isaquaias Queiroz se dedica agora em busca da medalha Olímpica nos 1.000m (Getty Images/Matt King)
Campeão mundial aos 19 anos, o baiano Isaquias Queiroz é um dos símbolos do bom momento da canoagem velocidade do Brasil. Embalado pelas remadas de seus principais atletas, o país anfitrião da próxima edição dos Jogos Olímpicos sonha em conquistar sua primeira medalha nas águas cariocas da Lagoa Rodrigo de Freitas.
“Nosso objetivo é ir forte atrás dessa primeira medalha para a canoagem, temos muitos atletas chegando bem. O Nivalter Santos tem o segundo melhor tempo da sua prova. Também estamos muito bem no C-2, com o Erlon Silva e o Ronilson Olivera", comenta Isaquias, que é também campeão mundial júnior, título conquistado em 2011.
Para isso, os principais atletas brasileiros voltam suas atenções para o Campeonato Mundial de 2015 e o Pré-Olímpico das Américas, competições que fazem parte da corrida pela classificação para os Jogos Rio 2016. Por ser o país sede, o Brasil tem duas vagas no masculino e uma no feminino asseguradas, mas a meta é aumentar o número de participantes e, assim, as chances de subir ao pódio.
"Queremos estar bem em 2015, quando começam os campeonatos classificatórios. O objetivo maior vai ser conquistar a vaga Olímpica. Todos nós vamos treinar focados nos Jogos Olímpicos, que serão em casa, para que o sonho dessa primeira medalha seja realizado”, afirma o atleta.

Para impulsionar os canoístas, a aposta é que o calor da torcida brasileira seja o diferencial. Em provas decididas por segundos, os gritos vindos das arquibancadas podem representar o combustível necessário para a remada final.
“A torcida é sempre uma motivação a mais. Me lembro de uma competição em que a torcida me ajudou muito nos metros finais, em uma arrancada quando faltavam 200m para acabar a prova. E sei que, no Rio, a torcida vai me empurrar bastante”, comenta o baiano, que acredita que o clima receptivo do povo brasileiro será a imagem mais marcante dos Jogos Rio 2016.
“Todo o mundo nos conhece pela nossa alegria, pelo carisma. A acolhida é o nosso ponto forte, sabemos dar as boas-vindas como ninguém. Sabemos receber muito bem os nossos visitantes, sempre de braços abertos”, complementa.
Treinamento é palavra de ordem
Especialista na prova não-Olímpica de 500m, onde conquistou seus principais resultados, Isaquias terá que se adaptar para os Jogos Rio 2016. A aposta do brasileiro é nos 1.000m, distância na qual faz, inclusive, um tipo de preparação específica para evoluir.
“Eu disputo regularmente as provas de 500m, 1.000m e 5.000m, mas minha prova Olímpica será a de 1.000m. Por isso, os treinos têm sido mais focados na resistência, mais até que as arrancadas, apesar de ser uma prova de pegada forte também. Nos treinamentos, dividimos o percurso em trechos de 100 metros e eu tenho uma meta a bater a cada parte. Se o rendimento cair em um desses trechos, o tempo final vai ficar acima do que deveria e irá comprometer o meu desempenho. Com esse método, também fica mais fácil detectar e corrigir os meus pontos fracos na prova”, explica o campeão mundial, que tem “treinamento” como palavra de ordem até os Jogos Rio 2016.
“Quanto mais treino, mais vamos ter certeza de que estaremos bem na hora da prova. A canoagem não tem mistério. Não é como o futebol ou o basquete, em que o desempenho do adversário influencia no seu. O tempo que o atleta faz no treino ele vai fazer na prova”, completa.
Oitavo lugar nos Jogos Atlanta 1996, melhor resultado alcançado
Presente no programa Olímpico desde 1924, em Paris, quando participou com o status de demonstração, a canoagem velocidade só contou com a primeira participação brasileira em 1992, quando Leonardo Selbach, Gustavo Selbach, Marlon Grings, Sebástian Cuattrin, Álvaro Koslowski e Jefferson Lacerda representaram o país nos Jogos de Barcelona. Quatro anos depois, em Atlanta 1996, Sebástian obteve o melhor resultado nacional até o momento, o oitavo lugar na prova K-1 1.000m.
Recentemente, o país acumulou bons resultados nas principais competições internacionais. No ano passado, Isaquias tornou-se o primeiro campeão mundial brasileiro, vencendo a prova não-Olímpica do C-1 500m. No mesmo torneio, conquistou o bronze no C-1 1.000m, prova em que pretende defender o Brasil nos Jogos Rio 2016.
Ainda em 2013, na Copa do Mundo, o Brasil conquistou dois ouros e dois bronzes, com Erlon Silva e Ronilson Oliveira, representantes brasileiros nos Jogos Londres 2012 no C-2 200m e 1.000m, subindo ao pódio junto com Isaquias. Medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2011, outro destaque brasileiro é Nivalter Santos, um dos melhores do mundo na prova do C-1 200m.