Clodoaldo Silva se prepara para os Jogos Rio 2016, onde pretende encerrar a carreira
Nadador, conhecido como Tubarão, visita a sede do Comitê, fala sobre aposentadoria e destaca a evolução do esporte Paralímpico no Brasil
Nadador, conhecido como Tubarão, visita a sede do Comitê, fala sobre aposentadoria e destaca a evolução do esporte Paralímpico no Brasil
Clodoaldo Silva posa com as marquinhas dos Jogos Rio 2016 durante visita à sede do Comitê (Rio 2016/Alex Ferro)
Um dos maiores ídolos do esporte brasileiro, o nadador paralímpico Clodoaldo Silva, afirmou em visita à sede do Comitê Organizador Rio 2016, que pretende encerrar a carreira de atleta nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Justamente na mesma cidade em que o potiguar competiu pela primeira vez, em 1998.
“Impossível esquecer a minha primeira competição. Eu tinha 19 anos e disputei o Campeonato Brasileiro de natação paralímpica no Colégio Pedro II, em São Cristóvão. Em 1999, na primeira edição dos Jogos Parapan-americanos, Cidade do México, conquistei minhas primeiras medalhas de ouro e no ano 2000, em Sydney, as primeiras medalhas em Jogos Paralímpicos”, disse Clodoaldo.
O Tubarão, como também é chamado, acompanhou de perto a evolução do esporte paralímpico no Brasil. São 17 medalhas de ouro (quatro em 1999 e em 2003, sete no Rio 2007, quando o Pan e o Parapan foram disputados pela primeira vez na mesma cidade, e duas em Guadalajara 2011) e cinco de prata em Parapans, além seis ouros, cinco pratas e dois bronzes em quatro participações nos Jogos Paralímpicos.
Clodoaldo completou em 2013 uma década e meia como atleta de ponta. As lembranças desses 15 anos de muito treino, dedicação, glórias e algumas frustrações são tantas que o falante atleta sequer consegue respirar entre uma história e outra. Sempre com um sorriso no rosto, ele comemora no próximo dia 25 o primeiro ano de vida da sua primeira filha, a pequena Anita, motivo principal da sua insistência em continuar no esporte de alto rendimento.
“Meu objetivo inicial era me aposentar nos Jogos de Londres, onde eu não conquistei medalha, mas foi uma competição muito importante para mim. Se no Pan de 2007 eu carreguei a bandeira do Brasil na Cerimônia de Abertura, em Londres eu tive o prazer de participar do revezamento da Tocha Paralímpica com a Ádria (Santos, uma das maiores velocistas cegas do mundo). Foi um momento inesquecível”, disse.
Outros dois momentos inesquecíveis na vida do atleta aconteceram nos anos de 2004 e de 2005. Em 2004, quando Clodoaldo subiu no alto do pódio seis vezes em Atenas, e no ano seguinte, quando conquistou o prêmio Paralympic Awards, que em 2013 será realizado no próximo sábado, dia 23 (Terezinha Guilhermina, entre as mulheres, Daniel Dias, entre os homens, e o time brasileiro de futebol de 5, concorrem na premiação desse ano).
“Atenas foi um divisor de águas para o desenvolvimento, respeito e reconhecimento do esporte paralímpico brasileiro. Costumo dizer que existe o antes e o depois dos Jogos de Atenas. Não só pelos meus resultados ou o da Ádria, ou de diversos outros atletas, mas o esporte em si era pouco conhecido, pouco divulgado pela mídia. Naquele ano a televisão brasileira cobriu o evento com grande destaque. E no ano seguinte, recebi o prêmio Paralympic Awards, na primeira edição dessa importante premiação. Qualquer prêmio é importante na vida de um atleta, mas essa foi realmente especial”, disse o atleta de 34 anos.
Além de ser um devorador de títulos, o Tubarão é um exemplo de vida. O atleta teve paralisia cerebral por falta de oxigênio durante o parto, o que afetou os movimentos das pernas e lhe trouxe uma pequena falta de coordenação motora. Fã de Ayrton Senna e da mãe, Dona Maria das Neves, Clodoaldo sofre com uma grave lesão na coluna e segue um rígido tratamento de fisioterapia para realizar mais um sonho na sua vida: subir no pódio nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e dedicar a medalha para sua mãe e sua filha.
“Meu pai abandonou a família quando eu tinha dois anos e minha mãe criou sozinha cinco filhos, sempre de uma forma natural e sem preconceitos. Ela me falava uma frase que guardo até hoje: ‘Não importa onde você nasceu, não importa onde você esta, importa onde você quer chegar’. Então se hoje eu sou essa pessoa, exemplo para muitas outras, é tudo culpa de Dona Maria das Neves. Agora é continuar o tratamento de fisioterapia, porque o ano que vem e, principalmente, 2015 e 2016 prometem. Aliás, é aqui no Rio de Janeiro que eu quero ‘pendurar a minha sunga’, brincou.