Aplicativos Rio 2016

Amplie sua experiência nos Jogos.

Download
Para quem vai a sua torcida?

Para quem vai a sua torcida?

Escolha seus atletas, times, esportes e países favoritos clicando nos botões ao lado dos nomes

Nota: As configurações de favoritos são gravadas em seu computador através de Cookies Se você deseja mantê-las, não limpe seu histórico de navegação

Por favor, ajuste suas preferências

Verifique se as suas preferências estão ajustadas. Você poderá modificá-las a qualquer momento

Expandir Conteúdo

Os calendários serão apresentados neste fuso horário

Expandir Conteúdo
Contraste
Cores originais Cores originais Alto contraste Alto contraste
Ver todos os recursos de Acessibilidade
Um mundo novo

China, o país do... tênis de mesa

Por Rio 2016

No pingue-pongue da política internacional, potência domina o esporte há mais de meio século

China, o país do... tênis de mesa

Esporte teve de mudar regras para dar chances a outros países nos Jogos Olímpicos (Getty Images/Robertus Pudyanto)

Texto: Denise Mirás

 

A história do “pingue-pongue” na China, relatada em livro de Nicholas Griffin, dá conta de um certo banqueiro-comunista (!) que teria formatado regras nos anos 1920 para a criação da Federação Internacional de Tênis de Mesa, convencido de que a expansão do esporte no país ajudaria a espalhar o comunismo pelo mundo. Esse figura, Ivor Montagu, se dizia íntimo de Trotski e Stálin, além de espião dos soviéticos na Inglaterra.

Montagu se convenceu: o esporte iria pegar entre os chineses porque as bolinhas, muito leves, voavam melhor em salas sem janela – e, portanto, “as massas podiam jogar em intervalos da jornada de trabalho, sem nem precisar sair das fábricas”. O pingue-pongue pode não ter atingido essa meta de semear comunismo pelo mundo, mas que os chineses tomaram conta do tênis de mesa mundial, isso é inegável...

Com os comunistas no poder a partir de 1949, e apoio dos próprios líderes Mao Zedong e Zhou Enlai, a popularização do tênis de mesa na China foi imposta.
 

Chen Meng
Chen Meng, 21 anos, representante da nova geração de garotas chinesas do tênis de mesa (Foto: Getty Images/Roberto Pudyanto)


Mao decretou, em 1950, que o tênis de mesa era o esporte nacional chinês – porque tinha baixo custo e ajudava a “levantar a autoestima do povo”. Assim, providenciou o envio de técnicos por todo o país, buscando crianças com reflexos agudos e excelente coordenação olho-mão. E não é que o líder se tornou pioneiro nesse sistema de recrutamento, depois adotado por outros países e para vários esportes?!

Enquanto isso, Montagu seguia seu trabalho na Inglaterra, acreditando que o pingue-pongue podia “reconectar a China com o mundo”. Em 1951, convidou o governo comunista a se integrar à Federação Internacional de Tênis de Mesa para participar dos Mundiais. Com cinco anos, lá estavam eles chegando às medalhas de bronze.

Em menos de uma década, no Mundial de Dortmund 1959, na Alemanha, Rong Guotuan conquistou o ouro individual para a China e Mao chamou o pingue-pongue chinês de “arma nuclear espiritual”. Na sequência, Zhuang Zedong já emendou mais três títulos mundiais.

Em meio século, o topo

Com base no tênis e usando equipamentos improvisados, teriam sido os ingleses os inventores do tênis de mesa. Um pedido de patente para “tênis de mesa” data ainda no século 19 – é de 9 de outubro de 1885 e foi feito pelo inglês James Devonshire. De acordo com texto compilado de várias fontes por Jeffrey Hays, o esporte foi levado da Inglaterra ao Japão em 1902, por um estudante universitário. De lá, seguiu para a China.

Em pouco mais de meio século, o pingue-pongue chinês mostrou o quanto tinha ganho de força. Dos mais famosos chineses do tênis de mesa, Deng Yaping é considerada a maior jogadora da história, em seu país... com 1,35m de altura! Ganhou quatro medalhas Olímpicas, individuais e em duplas, em Barcelona 1992 e Atlanta 1996, mais 18 títulos mundiais – o primeiro, com 16 anos, em 1989. Foi primeira no ranking mundial praticamente durante todos seus 18 anos de carreira. Foi eleita a atleta chinesa do século 20.
 

time pingue pong


Prá lá e prá cá...

Tricampeão mundial em 1961, 1963 e 1965, Zhuang Zedong é reconhecido como o melhor jogador de todos os tempos, depois de começar, ainda criança, em uma "mesa" de pedra.

Zhuang esteve com a delegação da China no tour pelos Estados Unidos, na retomada de relações políticas entre os dois países. A chamada “Diplomacia do Pingue-Pongue”, protagonizada pelo presidente Richard Nixon e seu conselheiro Henry Kissinger, com o presidente Mao, foi responsável pela reaproximação, no começo dos anos 70.

Em abril de 1971, durante Mundial de Tênis de Mesa no Japão, a seleção dos Estados Unidos recebeu convite dos chineses para excursionar por aquele país – assim, os atletas americanos foram os primeiros a entrar na China desde a Revolução de 1949. Kissinger chegou na sequência, preparando a visita de Nixon a Mao em fevereiro de 1972.

Meses depois, Zhuang Zedong comandaria sua seleção na excursão em retribuição aos Estados Unidos. Lá, o astro chinês discursou: “Apesar de o pingue-pongue ser um esporte altamente competitivo, não existe realmente uma vitória ou uma derrota. Sempre temos as duas. Assim, como não há vida sem morte, não há morte sem vida. E o mundo também é assim: diverso e unido”.
 

Os chineses registraram em vídeo a excursão aos Estados Unidos em 1972
 


O jogador também passou por problemas políticos, depois da morte de Mao. Foi denunciado por estar usando um relógio de pulso suíço e forçado a virar gari, antes de ser condenado à prisão.

 

Nas ondas da política

A hegemonia chinesa foi abalada pelos suecos no fim dos anos 1980 – no Mundial de 1989, a Suécia venceu a China por 5 a 0, por equipes. O problema é que o manual do esporte, aprovado por Mao e tido como “verdade absoluta”, estava ultrapassado. Os suecos então mandaram no tênis de mesa por seis anos – o “inimigo” Jan-Ove Waldner até virou celebridade na China.

Na metade dos anos 1990, como sempre, acompanhando a política do país, o tênis de mesa chinês se beneficiou de novos ventos no governo e se abriu também. O grande nome dessa fase passa a ser Liu Guoliang, que mudou totalmente a forma de segurar a raquete e conquistou títulos mundiais e Olímpicos. Uma grande safra de jogadores se seguiu – com destaque para Kong Linghui, que aproveitou bem a técnica do sueco Waldner. Naturalizados, muitos jogadores chineses passaram a defender outros países – e a força deles se espalhou ainda mais.
 

Xu Xin

Xu Xin, o chinês que somou seis ouros, uma prata e um bronze em Mundiais entre 2009 e 2015

Nenhum esporte teve um domínio tão grande como o tênis de mesa pelos chineses nos Jogos Olímpicos - com sua introdução no programa em Seul 1988. Foram 16 medalhas de ouro desde então.

Naquela temporada dos Jogos de Pequim 2008, eram da China os quatro primeiros nomes do ranking mundial masculino (Wang Hao, Ma Lin, Ma Long e Wang Liqin)e os cinco do feminino (Zhang Yining, Guo Yue, Li Liaoxia, Guo Yan e Wang Nan). Com três jogadores no máximo por time, é mais difícil um chinês conseguir vaga na seleção de seu país do que ganhar medalhas Olímpicas... Considera-se que mesmo um time de reservas chinês pode assegurar essas medalhas.

Em casa, a China ganhou todas as oito competições do tênis de mesa de Pequim 2008: além dos dois ouros por equipes, seis individuais. Foi uma varrida inédita em Jogos Olímpicos.
 

Zhu Yuling
Zhu Yuoing, 20 anos e bicampeã mundial adulta, depois de seis ouros como júnior (Foto: Getty Images/Robertus Pudyanto 


Nos Jogos Olímpicos Londres 2012, pela nova regra, apenas dois jogadores por país puderam participar das competições individuais, para dar chance a outros atletas. Mas os chineses seguiram somando seus ouros – masculino e feminino no individual, masculino e feminino por equipes, com as respectivas pratas (por equipes, a prata masculina ficou com os sul-coreanos e a feminina, com as japonesas).

O sistema de descoberta de talentos entre crianças ainda vigora, e a disciplina de treinamento é militar, com pelo menos sete horas diárias. Há uma Liga Nacional com clubes baseados em cidades e sistema de ranqueamento individual. Hoje, os melhores chineses do tênis de mesa levam vida de celebridade e são muito bem pagos.

Em 16 de abril deste ano, na cerimônia do Laureus World Sports Awards em Xangai, Deng Yaping encarou o ator Benedict Cumberbatch, o “Sherlock”, com uma colher-de-pau, no desafio de tênis de mesa – uma brincadeira armada para o palco. Colher-de-pau sem nada de colher de chá.... Yaping ganhou fácil, fácil, e ainda brincou: “Minha mãe usava isto aqui para cozinhar...”

Aqui, a performance de Yaping com uma colher de pau, no Laureus 2015

 

Leia a série completa sobre países e esportes

República da Coreia, o país do... tiro com arco

Cuba, o país do... boxe

Polônia, o país do... voleibol

França, o país do... ciclismo

Escócia, o país do... golfe

Japão, o país do... judô