Chama da sustentabilidade cruza país com Tocha Olímpica Rio 2016
Defensores do meio ambiente participam do revezamento e mostram que os Jogos Olímpicos são mais que esporte
Defensores do meio ambiente participam do revezamento e mostram que os Jogos Olímpicos são mais que esporte
Foto: Rio 2016/Stefano Giorgi
A Tocha Olímpica Rio 2016 está cruzando o país e iluminando algumas nobres estrelas brasileiras: grandes nomes da sustentabilidade. Uma bióloga que protege de micos leões dourados no Rio, um líder indígena que usa tecnologia para preservar a Amazônia em Rondônia: todos conduziram ou vão conduzir a chama Olímpica, transmitindo a clara mensagem de que os Jogos Olímpicos são muito mais do que esporte.
Quem está prestes a viver esse momento é Andreia Martins, que levará a chama Olímpica em Rio Bonito (RJ) no dia 2 de agosto. A bióloga trabalha desde 1983 para a preservação do mico-leão dourado na Reserva Biológica de Poços das Antas, no interior do estado do Rio. Atualmente, ela coordena o programa de metapopulação, que monitora diariamente os animais e já garantiu que ao menos 800 micos vivam livres em 25 mil hectares de florestas protegidas.
"Essa chama vem para despertar o brasileiro. É o momento de cuidar das causas ambientais e tentar salvar as nossas áreas de florestas e matas”, diz Miriam Prochnow, pedagoga e especialista em ecologia que carregou a tocha em Araranguá (SC), na semana passada. Em 1987, ela criou com o marido, Wigold Schäffer, a ONG Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida, que iniciou suas atividades em Atalanta (SC) e agora abrange dez municípios de Santa Catarina e Paraná.

Pedagoga Miriam Prochnow carrega a tocha em Araranguá, Santa Catarina (Foto: Rio 2016/Lucas Freitas)
Ainda na região Sul do país, em Foz do Iguaçu (PR) o analista ambiental Rogério de Paula foi outro protetor do meio ambiente, mais precisamente da fauna brasileira, a participar do revezamento. Ele trabalha para o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) e é supervisor do Plano de Ação Nacional para a conservação da Onça Pintada. “A chama representa a força que a gente precisa para reparar os erros e conseguir melhorar a conservação das espécies”, afirma.

Analista ambiental Rogério de Paula leva a tocha em Foz do Iguaçu, no Paraná (Foto: Rio 2016/Stefano Giorgi)
Lideranças indígenas
Rumo ao Nordeste e ao Norte, duas lideranças indígenas mostraram ao mundo a importância de suas causas. Filha do povo Guajajara Tentehar, que vive nas matas da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, Sonia Guajajara, conduziu a chama Olímpica em Imperatriz (MA). Líder indígena e ambiental, ganhou destaque internacional depois do documentário gravado com a modelo Gisele Bündchen sobre a relação dos povos indígenas e a preservação do meio ambiente. “Nenhum povo pode existir sem florestas. Não só o povo indígena, mas o povo do mundo. Espero que, ao conduzir a tocha Olímpica hoje, as pessoas conheçam um pouco mais da minha luta", comenta.

Ativista Sonia Guajajara conduz a pira Olímpica em Imperatriz, Maranhão (Foto: Rio 2016/Stefano Giorgi)
Em Porto Velho (RO), foi a vez de o líder dos pater-suruí, Almir Suruí, carregar a tocha. Ele foi eleito Herói da Floresta pelas Nações Unidas e ficou em 53º lugar entre as 100 pessoas mais criativas do mundo, segundo a revista ‘Fast Company’. Seu trabalho é usar a tecnologia em prol da preservação da Floresta Amazônia. Em parceria com o Google, os índios da aldeia de Almir ajudam a monitorar o desmatamento e montar um banco de dados digital sobre a situação da floresta, além de venderem créditos de carbono. “Estamos no século 21, temos várias ferramentas importantes, principalmente tecnológicas e científicas. São vantagens para nos aproximar de cada segmento e lutar pelo bem comum de todos”, observa.

Líder do povo pater-suruí, Almir Suruí, leva a tocha em Porto Velho, Rondônia (Foto: Rio 2016/André Mourão)
O seringueiro e ambientalista Raimundo Mendes ajudou o primo, o líder seringueiro Chico Mendes, a criar uma das maiores reservas extrativistas do país, em Xapuri (AC). Condutor em Rio Branco (AC), Raimundo segue lutando por atividades alternativas de renda que consigam frear o aumento do desmatamento na Floresta Amazônica. “A nossa luta levou à criação das reservas extrativistas e garantiu não só o fim dos grandes desmatamentos como a permanência dos extrativistas nas florestas do Acre. Hoje, temos boas políticas para a população, como o melhoramento do preço da borracha, da castanha, a produção do açaí, das resinas, como o óleo da copaíba”, enumera.

Serigueiro Raimundo Mendes participa do revezamento em Rio Branco, Acre (Foto: Rio 2016/Fernandou Soutello)
Em Ilhéus (BA), João Santana levou seu trabalho de pesca sustentável para o revezamento. João começou a pescar aos 8 anos e, hoje, não só é presidente da Associação Mãe dos Extrativistas da Reserva de Canavieiras, mas também uma das principais lideranças na luta em defesa dos ecossistemas costeiros e marinhos. “Sou neto de escravos e cresci, construí família e vivo na comunidade Campinhos. Tenho orgulho por ter uma liberdade que meus ancestrais conquistaram. O que está acontecendo hoje não é história de pescador, eu conduzi a tocha Olímpica”, brinca ele.

O pescador João Santana, defensor da vida marinha, leva a chama em Ilhéus, Bahia (Foto: Rio 2016/Marcos de Paula)