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Um mundo novo

César Cielo, o nadador mais rápido de todos os tempos

Por Rio 2016

Primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro olímpica na natação fala sobre a expectativa para os Jogos no seu País

César Cielo, o nadador mais rápido de todos os tempos

César Cielo comemora o ouro em Pequim (Foto: Getty Images/Ezra Shaw)

Sexta-feira, 15 de agosto de 2008, 23h39 (horário de Brasília). César Cielo é o quarto na fila de oito atletas que atende ao chamado no sistema de som e entra na área de competição do Cubo D’Água, palco da Natação nos Jogos Olímpicos de Pequim. Touca cinza, óculos transparente, maiô preto colado ao corpo, Cielo é apresentado ao público e faz o sinal da cruz. Aponta para o céu, repete o gesto e aquece os braços enquanto o favorito francês Alain Bernard, na raia ao lado, recebe o clamor das arquibancadas ao ter seu nome anunciado. O apito coloca todos no alto do bloco de largada, e não demora para o “take your marks” ser ouvido no alto-falante. Silêncio absoluto na arena. Oito homens encostam as mãos no chão pela última vez. Um deles viraria mito dali a cinquenta metros.

Sexta-feira, 2 de outubro de 2009, 13h50 (horário de Brasília). Após apresentações emocionadas e duas cidades eliminadas, é chegada a hora do anúncio da sede dos Jogos Olímpicos de 2016. No auditório do Bella Center, em Copenhague, Dinamarca, centenas de autoridades, celebridades do mundo do esporte e jornalistas aguardam a decisão final. Pelo protocolo, o Presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, sobe ao palco e ouve o Hino Olímpico. Recebe, então, das mãos de uma jovem atleta, o envelope ilustrado com os aros tradicionais que guarda o resultado. “Esta noite, eu tenho a honra de anunciar que os Jogos da XXXI Olimpíada são concedidos para a cidade de...”. Silêncio absoluto na platéia. Em um piscar de olhos, a vida de milhões ganharia novas perspectivas.

Nem o ouro olímpico de Cielo – o primeiro da natação brasileira –, nem a vitória do Rio de Janeiro – a primeira da América do Sul - aconteceram em questão de segundos. Levou décadas. Vidas. Durante 21s30, 34 braçadas e nem um quê de respiração, o brasileiro levou consigo o esforço de Tetsuo Okamoto (primeira medalha do país, em 1952), Manuel dos Santos, Djan Madruga, Ricardo Prado, Gustavo Borges e Fernando Scherer para o lugar mais alto do pódio. E chorou como uma criança.

Aos 24 anos, atual recordista mundial dos 50m e 100m livres, campeão de ambas as provas no último Mundial, em Roma 2009, Cielo diz não ter alcançado todos os seus objetivos. Disputar os Jogos Olímpicos em casa, daqui a cinco anos, é motivo para sonhar. Mais e mais. Como os que sonham em um dia ser Cielo.

Confira a entrevista com o nadador mais rápido de todos os tempos, concedida sob o sol aconchegante de uma manhã de sábado, à beira da piscina, no Rio de Janeiro:

Depois de quase três anos, o que representou seu inédito ouro olímpico para a natação brasileira?

Foi um marco. Foi a primeira medalha de ouro, espero realmente que tenha sido a primeira de muitas, que tenha aberto o caminho. Até conquistar a primeira, é tudo mais difícil. Depois, é meio que um aviso: “Olhem como é possível”. Confiança é fundamental. A natação do Brasil tem ótimos valores e os resultados já estão aí.

Você percebe uma democratização no esporte? Qual o impacto para os países mais tradicionais?

Com a globalização e a troca de informação que existe hoje, a facilidade de acesso, o intercâmbio, todos tem a oportunidade e estão em busca do alto nível. A China organizou uma edição dos Jogos com muito sucesso. Tivemos a Copa do Mundo na África agora. Estão todos em busca do seu espaço. O Brasil, inclusive. Organizar as duas competições na sequência agora é mais um passo que o país dá para se consolidar como potência.

Como você percebe a repercussão da vitória do Rio fora do Brasil?

Tem bastante gente empolgada, com uma curiosidade grande. É uma grande novidade para todos. Acho que a maioria ficou feliz de o Rio ter vencido [Nota: a cidade venceu Madri na última etapa de votação].

De que forma a atmosfera da cidade contribui para o Movimento Olímpico?

Acho que são as características do Brasil em si, a percepção positiva que as pessoas têm do país, de ser um lugar de gente receptiva, festeira. A energia para fazer o bem, o calor humano. Isso influencia tudo que envolve os Jogos, principalmente os atletas.

O Movimento Olímpico não se limita à competição. Envolve educação e cultura como marcos fundamentais. Qual a importância da educação na sua formação como atleta e pessoa?

A construção de uma sociedade passa pela educação. Tive a sorte de ter uma família que sempre deu apoio, esteve sempre ligada e presente na minha vida, dentro e fora do esporte, me deu estrutura. Cuidou da minha formação. A educação e a escola são partes importantíssimas. O que dá suporte a um país, a uma sociedade, é isso. É fundamental. 

Paixão e transformação são o lema do Rio 2016. O que significa esta transformação?

Jogos Olímpicos não são só um acontecimento esportivo, um monte de atletas juntos por alguns dias. O mais importante de tudo é o legado. É o que aquilo deixa para a cidade e para o país. Não só em termos esportivos, de estádios, ginásios, ou de infra-estrutura física, mas também de incentivo, de esperança. Um evento desse porte pode trazer diversos benefícios.