Campeão Olímpico David Svoboda deixa lesões para trás e mira o bi no Rio 2016
Apaixonado pelo Rio, tcheco ficou em 16º na Copa do Mundo de Pentatlo Moderno, vencida por Jun Woongtae, da Coreia do Sul
Apaixonado pelo Rio, tcheco ficou em 16º na Copa do Mundo de Pentatlo Moderno, vencida por Jun Woongtae, da Coreia do Sul
David Svoboda disputa a final masculina da Copa do Mundo neste domingo (13) (Rio 2016)
Texto: Thiago Minete
Entre os 36 atletas que disputam a final da Copa do Mundo de Pentatlo Moderno neste domingo (13), em Deodoro, um nome se destaca. David Svoboda, único campeão Olímpico entre os finalistas no masculino, atrai olhares por onde passa - e não se trata apenas de sua beleza. O tcheco não participa de uma grande competição desde agosto de 2015, mas veio ao Rio decidido a conhecer o circuito Olímpico do esporte - o objetivo é se preparar para um grande retorno nos Jogos Rio 2016.
Apesar de ser campeão Olímpico em um dos esportes mais complexos, que reúne provas de cinco modalidades, a impressão que David passa durante as disputas em Deodoro é a de poupar suas forças nas arenas, como que pensando somente em concretizar o sonho. Talvez seja a estratégia de um pentatleta prestes a completar 31 anos (no dia 19 de março) e que sofreu com lesões recentemente: "Perdi praticamente duas temporadas", lamenta.
As escassas competições se refletiram no ranking mundial do esporte: David deixou o 1º lugar, conquistado em 2011, para hoje ocupar a 19ª posição. A fratura por estresse em um dos ossos na perna esquerda, em meados de 2013, e a lesão muscular nas costas - sinais claros de superexigência do organismo - o abateram: "Não foi nada confortável para o psicológico".
Não foram o suficiente, no entanto, para tirarem-no do circuito. Primeiro, esforçou-se para obter a classificação para os jogos Rio 2016. Com o objetivo alcançado, o trabalho agora é focado para chegar em agosto recuperado e no auge da performance:
David tem a esgrima como modalidade favorita no pentatlo moderno, e seu estilo é mesmo o de um cavaleiro à moda antiga nas competições. Sempre cordial e sereno, sorrindo e cumprimentando todos os adversários, prefere chamar a atenção pelos resultados.
É o hipismo, no entanto, que não sai da sua cabeça. "Um dos motivos (da vinda ao Rio) foi para conhecer o circuito do hipismo e testar os cavalos", conta. Foi nesta modalidade que Svoboda teve sua maior decepção na carreira. O tcheco chegou a Pequim 2008 com status de vice-campeão mundial e grande candidato ao pódio. Ao fim da natação e da esgrima estava entre os melhores colocados, mas caiu com o cavalo Chun-Chun nos saltos. A prova inacabada o tirou qualquer chance de brigar por uma medalha.

A redenção veio em Londres 2012. Na ponta dos cascos, Svoboda largou em primeiro lugar no evento combinado, chegou a ser ultrapassado pelo chinês Cao Zhongrong, mas retomou a dianteira após a última parada no estande de tiros para levar o ouro Olímpico.
David explica que a fama desapareceu logo depois de Londres 2012. O lado bom do sucesso temporário foram os contratos que situações como essa lhe renderam com algumas marcas de moda: "Aproveito para tentar tirar algum dinheiro".
Apesar do assédio, David nunca foi casado e não tem filhos: "Estou focado no esporte e na universidade", diz o estudante de Educação Física da Charles University, de Praga. E completa: "Adoro as garotas brasileiras", confessa, rindo.
Não são apenas as garotas que atraem Svoboda ao Brasil: "Sempre digo a todos que adoro a América Latina, tem o meu estilo". Gosta tanto do Rio que já está habituado ao Centro, onde costuma se hospedar para as competições, e às praias de Copacabana e Ipanema. Até já perdeu as contas de quantas vezes veio: Estava tentando me lembrar outro dia, esta é a quarta ou quinta vez". Nas outras viagens já havia competido nas instalações em Deodoro - e se surpreendeu com as novidades:
Ainda em processo de recuperação, Svoboda ficou em 16º lugar na final deste domingo (13). Seu problema não foi o hipismo desta vez, prova em que ficou com a 10ª melhor campanha, mas a natação, quando foi apenas o 28º.
O ouro ficou com o jovem sul-coreano Jun Woongtae, de apenas 20 anos, que já está classificado para os Jogos Rio 2016. Omar El Geziry, do Egito, ficou com a prata, enquanto o húngaro Adam Marosi, bronze em Londres 2012, repetiu o terceiro lugar no Rio.
