Brasil busca supremacia no futebol de 5 e Ucrânia tenta voltar ao topo no futebol de 7
Bill, Jefinho e Ricardinho lembram domínio brasileiro nas três edições dos Jogos e falam sobre a evolução dos rivais rumo ao tetra
Bill, Jefinho e Ricardinho lembram domínio brasileiro nas três edições dos Jogos e falam sobre a evolução dos rivais rumo ao tetra
Camisa 10 da seleção francesa, Frederic Villeroux marcou duas vezes contra a Espanha na semifinal (IPC/Evgeniya Bocharnikova)
A história do futebol nos Jogos Paralímpicos é recente e divide-se atualmente em dois. O futebol de 7, para paralisados cerebrais, estreou em 1984, e o futebol de 5, para atletas cegos, entrou no programa em Atenas 2004. Desde então, o Brasil domina a disciplina com cinco atletas em campo, enquanto Ucrânia e Rússia dividiram os títulos do futebol de 7 nas últimas quatro edições dos Jogos Paralímpicos.
Na competição para atletas cegos, os brasileiros conquistaram o terceiro título consecutivo após vitória por 2 a 0 sobre a França, no ano passado, na capital inglesa. Autor do primeiro gol da partida decisiva, Severino Gabriel da Silva, o Bill, afirmou em entrevista exclusiva ao rio2016.com que apesar da hegemonia e de jogar em casa, o tetracampeonato será o título mais difícil de alcançar na sua carreira.
“A competição em Londres foi muito dura. Todo mundo está evoluindo e treinando para acabar com a nossa supremacia no esporte. A China está jogando um futebol envolvente, com uma defesa muito forte, a Argentina e a França cresceram muito nos últimos anos. Em 2016 a gente vai contar com o apoio da torcida, o que é uma grande vantagem, mas a cobrança será bem maior. A gente já está trabalhando sério, mas acredito que conquistar o tetra será uma tarefa muito complicada”, disse o paraibano de 30 anos.
Bill estreou na seleção de futebol de 5 em 2003, quando o time conseguiu a classificação para os Jogos Paralímpicos de Atenas ao derrotar a Colômbia por 2 a 1, de virada. Ele participou das três conquistas brasileiras na maior competição esportiva para deficientes no mundo e foi autor de alguns lances memoráveis, como o gol do título nos Jogos Parapan-americanos Rio 2007.
“Foi um golaço. Passou no Fantástico (programa de domingo da TV Globo) em dois finais de semana seguidos de tão bonito”, lembrou Bill, que ainda marcou o gol único da partida válida pelas semifinais de Londres 2012 contra a Argentina. “Foi na cobrança de pênaltis. Todo mundo perdeu o seu, mas eu coloquei a bola lá dentro”.
O gaúcho Ricardinho e o baiano Jefinho também foram decisivos na conquista em Londres. Ricardinho sofreu o pênalti convertido por Bill e Jefinho marcou o segundo gol na final. Salvo algum imprevisto, os dois estarão em campo nos Jogos Rio 2016™ e esperam vencer mais esse desafio.
“Estreei na seleção com 15 anos. Participei das conquistas em 2008 e 2012 e espero me manter em alto nível até 2016. Mas ganhar um campeonato mundial é difícil e repetir o feito é ainda mais difícil. Imagina ganhar quatro vezes seguidas?”, disse Ricardinho. “Todos os jogos em Londres foram muito difíceis. O nosso grupo é muito forte e sempre damos algo a mais em partidas decisivas. Porém, nós temos que continuar evoluindo uma vez que todo o mundo quer desbancar o Brasil”, afirmou Jefinho.
A equipe brasileira de futebol de 5 treina desde o início do ano para se manter no topo em 2016. O ex-goleiro Fábio, que agora é o técnico, reúne os atletas todo mês na Associação Niteroiense de Deficientes Físicos (Andef) para uma semana de treinos. O próximo encontro será entre os dias 16 e 23 de junho. “A gente treina em dois turnos todos os dias. Esse ano vencemos um torneio no Japão e um no México, ou seja, estamos no caminho certo”, considerou Ricardinho.

Camisa 11 da seleção espanhola, Marcelo aperta a marcação sobre o adversário argentino na disputa da medalha de bronze em Londres 2012 (Foto: IPC/Evgeniya Bocharnikova)
Bronze em Atenas 2004, a Espanha voltou a subir ao pódio nos Jogos Paralímpicos de Londres após vencer a Argentina nos pênaltis. Um dos destaques da equipe na competição foi o atacante Marcelo Rosado Carrasco, cinco vezes campeão europeu e duas vice-campeão mundial.
“Subir no pódio nos Jogos Paralímpicos é um momento único. Muita felicidade e um momento de relaxamento depois de tanta tensão acumulada”, disse Marcelo, que guarda as duas medalhas de bronze conquistadas em Jogos Paralímpicos em uma pequena vitrine, na sala de sua casa. “A sensação de disputar os jogos paraolímpicos é incrível. O desfile na cerimônia de abertura, ouvir o hino nacional antes de cada partida, sentir o apoio de muitos compatriotas, a grande repercussão midiática... É um momento único, inigualável”.
Futebol de 7
A Ucrânia também teve a chance de conquistar o tricampeonato Paralímpico em Londres 2012, mas no futebol de 7, para paralisados cerebrais. No entanto, a Rússia derrotou a seleção ucraniana por 1 a 0. A partida encerrou as disputas por medalhas dos Jogos Paralímpicos de Londres, no dia 9 de setembro.
A disciplina entrou para o programa dos Jogos em 1984, quando a Bélgica venceu a Irlanda por 1 a 0 na decisão. A Holanda venceu as três edições seguintes, em Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996. Rússia venceu em Sydney 2000 e Londres 2012, e Ucrânia ficou com os títulos de 2004 e 2008.
O Brasil ganhou duas medalhas desde Barcelona 1992, quando estreou na competição. Foi bronze em Sydney 2000 com uma vitória por 2 a 1 sobre Portugal e prata em Atenas 2004. No ano passado, em Londres, a equipe brasileira perdeu a medalha de bronze para o Irã em partida que terminou com o placar de 5 a 0.