Bailarinas cegas dançarão com artistas do Royal Ballet na Passagem da Bandeira
Projeto pioneiro da coreógrafa Fernanda Bianchini terá quatro representantes na Cerimônia de Encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012
Projeto pioneiro da coreógrafa Fernanda Bianchini terá quatro representantes na Cerimônia de Encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012
Bailarinas ensaiam para a apresentação histórica de domingo (Rio 2016™)
O encontro entre jovens bailarinas sem visão e duas estrelas brasileiras do Royal Ballet de Londres promete ser um dos momentos mais emocionantes da Passagem da Bandeira Paralímpica, no próximo domingo, durante a Cerimônia de Encerramento de Londres 2012. O show verde-e-amarelo, que terá duração de oito minutos, simbolizará o início de um novo ciclo, que culmina com os Jogos Paralímpicos Rio 2016™.
Para participar do momento histórico, quatro meninas da Associação de Balé de Cegos Fernanda Bianchini, de São Paulo, foram selecionadas e representarão o primeiro grupo profissional de balé de cegos do mundo. A técnica para pessoas com deficiências visuais foi desenvolvida e patenteada pela coreógrafa que dá nome ao projeto.
“No início, fui ensinar o salto do balde, um dos primeiros saltos que o bailarino aprende, abrindo e fechando a perna, e uma das alunas me perguntou: ‘Tia, o que é balde?’. Percebi ali o quanto eu precisaria primeiro entrar no mundo deles para que depois, entendendo as limitações e as dificuldades, eu pudesse apresentar o meu mundo da música clássica”, conta Fernanda, trabalhando voluntariamente com a dança para pessoas com deficiência há 16 anos.
Convidada pela produção da parte brasileira da Cerimônia de Encerramento, a coreógrafa começou os ensaios com Geyza Pereira, Marina Guimarães, Gisele Dantas e Aldenice Moreira sem maiores detalhes sobre a apresentação, que ganharia convidados mais do que especiais na sequência: Roberta Marquez, primeira bailarina, e Thiago Soares, bailarino principal do Royal Ballet de Londres, uma das companhias de balé clássico mais tradicionais do mundo.
Os ensaios com as estrelas internacionais emocionaram o grupo, que está em Londres há uma semana praticando mais de seis horas por dia para o grande momento. Antes, porém, uma visita ao Royal Opera House, lendário para os amantes da dança.
“É uma experiência maravilhosa e inesquecível para nós, uma oportunidade que nunca imaginei. Eu nadava e alguns diziam que eu poderia participar dos Jogos algum dia. Nunca achei que ia chegar como artista. Se são poucos os atletas que conseguem, artistas menos ainda”, comenta Marina Guimarães, que dança há 15 anos. Hoje, concilia os ensaios com o trabalho no Tribunal de Justiça de São Paulo. Por complicações na incubadora após o nascimento prematuro, Marina nunca enxergou.
Além das bailarinas, a Passagem da Bandeira Paralímpica para o Rio de Janeiro contará com apresentações de Herbert Vianna e os Paralamas do Sucesso, Carlinhos Brown e Thalma de Freitas, e a participação de grandes atletas e ex-atletas paralímpicos do Brasil.