Atletas da Nova Zelândia trocam figurinhas com jovens da Vila Olímpica da Mangueira
Parceria do país da Oceania com escola carioca prevê treinos com especialistas e doação de material esportivo durante os Jogos Rio 2016
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Acostumada com a bola no pé, garotada da Mangueira experimenta o rugby, jogado com bola oval nas mãos
Texto: Sam Green Fotos: Alex Ferro
A embaixadora da Nova Zelândia deu o tom da festa quando saudou os presentes dizendo “Kia ora” – “olá” em maori, a língua indígena de seu país. Depois da solenidade inicial, a diversão: bolas de rugby foram arremessadas, rodas de capoeira se formaram e novos laços de amizade ganharam o lançamento da parceira do time Olímpico dos “kiwis” - como são conhecidos os neozelandeses - com a Vila Olímpica da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A principal ideia por trás da iniciativa é promover uma troca: enquanto os neozelandeses usam o esporte para inspirar os jovens da comunidade carioca, esses mesmos jovens compartilham sua cultura com os visitantes, enriquecendo a experiência dos atletas que vêm competir nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Usain Bolt também visitou a Mangueira

"É uma excelente oportunidade para nos envolvermos com a cultura brasileira e conhecermos os moradores do Rio de Janeiro”, disse o chefe de missão do Comitê Olímpico da Nova Zelândia, Rod Waddell, campeão Olímpico de remo nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000. “A Mangueira tem muitos jovens que cresceram em circunstâncias difíceis e esta é uma oportunidade para nossos atletas compartilharem sua habilidade e experiência, passando inspiração por meio do esporte e, ao mesmo tempo, ganhar com essa troca, aprendendo com a paixão desses jovens brasileiros.”
Rob Waddell, chefe de missão do Comitê Olímpico da Nova Zelândia

Com a parceria, lançada oficialmente na Vila Olímpica da Mangueira na quinta-feira (17), atletas da Nova Zelândia de vários esportes irão visitar a comunidade durante os Jogos Rio 2016 para ministrar clínicas esportivas e falar sobre os benefícios do esporte.
Waddell disse que tinha recebido um “retorno positivo” dos atletas da Nova Zelândia – incluindo os lendários All Blacks, da seleção de rugby –, que estão interessados em “dar algo em troca” aos brasileiros. Ele ainda disse que a parceria terá continuidade depois dos Jogos Olímpicos.
A Mangueira, campeã do Carnaval carioca este ano, retribuiu a visita com um show que começou com apresentações de ginástica rítmica embalada por samba, antes dos mestres de capoeira entrar com a ginga de seus instrumentos.

Waddell se apresentou contra Felipe Maximiano, atleta de salto em distância, em um desafio nos equipamentos de remo seco, que foram doados à comunidade. “É muito difícil competir com um campeão Olímpico”, admitiu Felipe, de 24 anos, antes de acrescentar: “Atletas sempre deixam uma boa impressão nos jovens. É muito bom para a nossa comunidade.”
Dos adolescentes que participaram da festa, a velocista Dayelle Francisco dos Santos, de 16 anos, fã da norte-americana Allyson Felix e da brasileira Rosângela Santos, contou: “Meu sonho é competir nos Jogos Olímpicos e estou muito orgulhosa de ter estes Jogos na minha cidade”. O técnico de Dayelle é Jarbas Mascarenhas Júnior, que competiu em Atenas 2004 e também é da Mangueira.
Jarbas Mascarenhas Júnior, atleta Olímpico e técnico de atletismo

Caroline Bilkey, embaixadora da Nova Zelândia no Brasil, conheceu a Mangueira ano passado, quando acompanhou a visita de um grupo de maoris que se apresentou na quadra da escola de samba. “É realmente importante que uma equipe, quando vem a um país como o Brasil, conheça um pouco da cultura local”, disse. “Os atletas ganham muito com isso. E espero que os jovens da Mangueira aprendam algumas novidades e se beneficiem das muitas outras coisas maravilhosas que o esporte proporciona. É uma experiência benéfica para os dois lados.”
