Artilheira em Jogos Olímpicos, Cristiane aponta Alemanha e Japão como favoritas no Rio 2016™
Após disputa acirrada com a alemã Prinz em Pequim 2008, brasileira se torna a maior goleadora logo na estreia dos Jogos de Londres
Após disputa acirrada com a alemã Prinz em Pequim 2008, brasileira se torna a maior goleadora logo na estreia dos Jogos de Londres
Eleita melhor jogadora do mundo por cinco anos consecutivos, Marta carrega a bola diante de uma britânica (Getty Images/Julian Finney)
O futebol feminino completa duas décadas no calendário Olímpico nos Jogos Rio 2016™ com muita história para contar e um time a ser batido: os Estados Unidos. Com quatro medalhas de ouro e uma de prata no currículo, as norte-americanas conquistaram o título nas últimas três edições dos Jogos Olímpicos, duas vezes sobre o Brasil – em Atenas 2004 e Pequim 2008, ambas na prorrogação – e em Londres 2012 com uma vitória por 2 a 0 sobre o Japão.
Na partida decisiva de Pequim, depois de 90 minutos sem gols, a meia Carli Lloyd marcou o gol da vitória no tempo extra e em Londres, a camisa 10 dos Estados Unidos balançou as redes em duas oportunidades na final disputada em Wembley. "O que mais gosto de fazer é limpar e arrematar de longe. Um gol em Pequim, dois hoje. Na minha terceira participação terei de fazer três", afirmou a atleta de 30 anos, logo após a partida.
Se Lloyd alcançou a glória após as duas últimas finais Olímpicas, duas jogadoras brasileiras imortalizaram seus nomes logo na primeira partida da seleção nacional nos Jogos de Londres. A volante Formiga tornou-se a única jogadora do mundo a ter participado de todas as cinco edições, desde Atlanta 1996, e a atacante Cristiane marcou um gol na vitória sobre Camarões por 5 a 0, desempatando o duelo particular com a alemã Prinz.
“Fui artilheira dos Jogos de Atenas com cinco gols e em Pequim marquei outros cinco gols, dois sobre a Alemanha de Prinz na semifinal. Encerramos a competição empatadas com dez gols, mas agora estou isolada na liderança”, lembrou Cristiane, que ainda marcou um gol contra a Nova Zelândia, em Londres, e totaliza agora 12 gols marcados em Jogos Olímpicos.
Cristiane completou 28 anos no último dia 15 e mora há quatro meses na Coreia do Sul, onde joga no Daekyo Kangaroos ao lado da também brasileira Pretinha. A artilheira estreou em Jogos Olímpicos aos 18 anos em Atenas 2004 e desde então se tornou um ícone da seleção brasileira ao lado de Marta.
“Comecei no banco de reservas, mas logo na primeira partida entrei no segundo tempo e não saí mais do time. Realizamos um trabalho fantástico com o Renê (Simões, técnico). Um trabalho que marcou muito a minha vida. Aquele grupo foi o melhor que trabalhei até hoje”, lembra Cristiane, que já jogou na Alemanha, Suécia, Estados Unidos e Rússia, e agora tenta se habituar à vida na Ásia.

Hope Solo e a atacante Wambach (número 14) se destacaram em mais uma conquista dos EUA (Foto: Getty Images/Michael Regan)
Sobre os Jogos Rio 2016™, Cristiane mantém a esperança de subir mais um degrau no pódio, após as duas medalhas de prata conquistadas pelo Brasil na competição Olímpica. No entanto, diz ela, mesmo jogando em casa o time verde e amarelo está longe de ser favorito.
“O futebol feminino evoluiu muito, principalmente lá fora. O Japão, por exemplo, passou anos só apanhando, mas aprendeu a jogar e hoje é o Barcelona de saias. Elas não se abalam com nada, tem muita paciência e tocam a bola com maestria. Acredito que o Japão é favorito ao título no Rio de Janeiro ao lado da Alemanha, que não conseguiu bons resultados na última Copa do Mundo nem em Londres e vão querer o título de qualquer forma”, opinou, incluindo ainda Estados Unidos, França e Canadá na lista de favoritos.
Em 2015, no Canadá, acontecerá a 7ª edição da Copa do Mundo feminina de futebol, próximo grande evento mundial. Para Cristiane será uma ótima oportunidade para o Brasil evoluir no cenário do esporte.
“As melhores jogadoras do mundo, as melhores seleções disputam os Jogos Olímpicos. O Brasil tem que ter humildade para pesquisar o que as outras seleções estão fazendo de diferente para, quem sabe, usar outra metodologia e voltar a conquistar títulos”, afirmou, em entrevista ao site rio2016.com por telefone.