Amalia Perez sonha conquistar sua quinta medalha no halterofilismo nos Jogos Rio 2016
Atleta mexicana, que coleciona dois ouros e duas pratas nos Jogos Paralímpicos, pode se despedir das competições no Rio
Atleta mexicana, que coleciona dois ouros e duas pratas nos Jogos Paralímpicos, pode se despedir das competições no Rio
Amalia conquista a medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos Guadalajara 2011, mesmo com lesão no ombro (Getty Images)
Amalia Perez parece mais forte a cada dia que passa. Aos 40 anos, a halterofilista mexicana é um dos principais nomes do esporte e coleciona nada menos que quatro medalhas Paralímpicas - duas de ouro e duas de prata - conquistadas nas últimas quatro edições dos Jogos. E é essa rotina de medalhas que a atleta pretende manter nos Jogos Rio 2016, onde ela diz que terá a vantagem de "competir em casa".
“Sempre representei o México em outros continentes e estou muito empolgada para competir no Brasil, que é como se fosse uma casa para nós, latinos. O país está abrindo suas portas e tenho certeza que os brasileiros irão torcer pelos latinos. Estou trabalhando muito e me entregando de corpo e alma para chegar ao pódio e retribuir a todos que me apoiam”, diz a mexicana, que esteve no Rio de Janeiro em 2007, quando conquistou o ouro nos Jogos Parapan-Americanos.
“Foi incrível. Foi a primeira vez que convivi com delegações de outros esportes em uma competição nas Américas. Desfrutei dos Jogos, do país, dos atletas...”
A carreira de Amalia teve uma trajetória curiosa, especialmente para um esporte onde a força é fator fundamental. A mexicana estreou nos Jogos Paralímpicos em Sydney 2000, aos 27 anos, e levou a prata na categoria até 52kg. Quatro anos depois, em Atenas, baixou o peso para até 48kg e repetiu a colocação. Em Pequim, já com 35 anos, voltou aos 52kg e subiu ao topo do pódio pela primeira vez, estabelecendo o novo recorde Paralímpico da prova, com 128kg. (veja no video abaixo):
Em Londres 2012, já com 39 anos, Amalia competiu na categoria até 60 kg e, novamente, obteve um novo recorde, erguendo 135kg. A mexicana é ainda bicampeã mundial na categoria até 52kg (1998 e 2006) e detentora do recorde Para-pan-americano em quatro categorias: até 48kg, até 52kg, até 56kg e até 60kg.
“Me apaixono pelo esporte todos os dias, pois ele me mostra o que podemos fazer com o nosso corpo e que, mesmo tendo uma limitação, é possível encontrar a sua potencialidade, desde que esteja disposto a se entregar a isso. É como uma religião para mim. É uma fórmula que me faz feliz e, aos 40 anos, me sinto responsável por mostrar isso às pessoas e fazê-las pensar que, se eu posso, porque elas não poderiam?”, questiona a atleta mexicana.

Amalia precisou superar uma grave lesão no ombro esquerdo antes dos Jogos Parapan-Americanos Guadalajara 2011, onde ainda assim subiu ao topo do pódio. Competiu com dores até ser submetida a uma cirurgia em fevereiro de 2013. Voltou a treinar em setembro e dois meses depois conseguiu classificação para o Campeonato Mundial de 2014, onde mesmo sem estar em sua melhor forma, conquistou a medalha de prata.
“A reabilitação foi difícil, pois fiquei quatro meses com o ombro imobilizado. Em outubro toquei na barra pela primeira vez e tive a sensação de ter o universo em minhas mãos novamente. Me perguntei diversas vezes se poderia voltar a competir em alto nível. No evento classificatório para o Mundial, não ocupei um dos dois primeiros lugares do pódio pela primeira vez em minha carreira, mas o bronze teve gosto de ouro. No Mundial, fiz um bom papel e agora me sinto em condições de realizar uma grande preparação para os Jogos Rio 2016”, conta Amalia, que é casada com seu treinador, Enrique Alvarado.
A competição no Rio de Janeiro poderá ser a última da carreira da consagrada halterofilista mexicana. Apaixonada pelo esporte, Amalia deixa a decisão sobre o momento de parar de competir a critério de seu mais fiel parceiro em todas suas conquistas: seu corpo.
“Vou ver como será meu desempenho nos Jogos do Rio e avaliar como será a reação do meu corpo, que é a minha ferramenta de trabalho. Se for um grande sacrifício e se sentir que estou cansada, saberei que chegou a hora de parar. Sou muito consciente e honesta em relação ao meu corpo e não vou castigá-lo para seguir competindo. É importante para a dignidade do atleta saber dizer adeus a suas glórias, pois não podemos viver do passado. Quando parar de competir, vou seguir me exercitando e pretendo, de alguma forma, seguir ligada ao esporte para retribuir tudo que ele me deu ao longo destes anos”, finaliza a mexicana.