Alerta ao zika, Rio 2016 segue orientações da Organização Mundial de Saúde
Chefe médico do Comitê Organizador conta que medidas preventivas serão intensificadas na cidade-sede dos Jogos
Chefe médico do Comitê Organizador conta que medidas preventivas serão intensificadas na cidade-sede dos Jogos
Com representantes dos governos estadual e municipal, Grangeiro fala sobre combate à doença (Rio2016/Alex Ferro)
Dados coletados pelo Ministério da Saúde nos últimos 20 anos indicam que não há histórico de surto de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti - como dengue e zika -, durante o inverno no Brasil, quando o Rio de Janeiro vai receber atletas de 206 países para as competições Olímpicas e Paralímpicas, em agosto e setembro. Mesmo assim, o chefe médico do Comitê Organizador dos Jogos destacou, na manhã desta terça-feira (2), a importância de seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde, que decretou ontem emergência sanitária mundial por conta da associação do zika vírus à casos de microencefalia.
"Embora os sintomas gerais da doença sejam brandos e atinjam apenas 20% dos infectados, temos de estar atentos aos riscos que o vírus representa para gestantes. Mulheres grávidas devem conversar com seus médicos sobre medidas de prevenção", ressaltou João Grangeiro, após entrevista coletiva na sede do Comitê Rio 2016, ao lado do sub-secretário estadual de vigilância e saúde Alexandre Chieppe e do secretário municipal de saúde Daniel Soranz.
Grangeiro contou que o combate à proliferação do mosquito transmissor do zika será intensificado nos próximos meses, em parceria com os governos municipal e estadual, para "garantir um ambiente saudável e seguro para atletas e visitantes durante os Jogos". "As ações preventivas passam a ser intensificadas, com inspeções sistemáticas não só em equipamentos esportivos como em locais de criadouro do mosquito no Rio de Janeiro. Também estamos orientando atletas que vêm participar de eventos-teste sobre profilaxia e prevenção, como o uso de repelente, para minimizar o impacto da doença."
A maior incidência de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti acontece no verão brasileiro, de clima tropical úmido e chuvoso, em dezembro e janeiro. Até a chegada do inverno no Brasil, quando acontecem os Jogos Olímpicos Rio 2016, de 5 a 21 de agosto, a proliferação do mosquito tende a diminuir. Entretanto, o chefe médico do Rio 2016 conta que o Comitê Organizador dos Jogos tem atuado em parceria com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e entidades governamentais para aplicar medidas preventivas nos locais de competição. Uma delas é eliminar, em todas as instalações Olímpicas, focos de água parada, que propiciam a reprodução do mosquito.
Recomendações de prevenção (como o uso de repelentes) e informações sobre a doença (com descrição de sintomas e tratamento) para atletas foi distribuída pelo COI aos comitês Olímpicos nacionais. “Estamos em contato com a OMS, com o Comitê Organizador e com as autoridades brasileiras. Faremos todo o possível para salvaguardar a saúde de atletas e visitantes”, disse o presidente do COI Thomas Bach, em entrevista coletiva na Grécia, na semana passada.
Para Grangeiro, é preciso evitar o pânico. Mais brando do que a dengue, o zika vírus só causa sintomas em cerca de 20% dos infectados, provocando dores de cabeça, febre baixa e manchas no corpo, que desaparecem em cerca de uma semana. A preocupação maior se dá com gestantes, uma vez que estudos apontam relação entre o vírus e casos de microcefalia em bebês.
João Grangeiro, chefe médico do Comitê Rio 2016
Os dados são da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, que acompanha mensalmente a evolução do número de incidentes. A diminuição dos casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no período de junho a setembro se dá pela mudança climática. Os Jogos Rio 2016 serão realizados durante o inverno no Brasil, estação de clima mais frio e seco, que dificulta a reprodução do mosquito.