Maior medalhista Paralímpica entre as mulheres do Brasil, Ádria Santos conduziu tocha Olímpica em Joinville
A ex-velocista conduziu o símbolo Olímpico ao lado do marido, Luiz Rafael Krub, quem conheceu por meio do seu atual guia
A ex-velocista conduziu o símbolo Olímpico ao lado do marido, Luiz Rafael Krub, quem conheceu por meio do seu atual guia
(Foto: Rio2016/Andre Luiz Mello)
Ádria Santos nasceu com 10% de visão e, aos 18 anos, ficou completamente cega. Caçula de uma família de nove irmãos (quatro deles com deficiência visual), a ex-velocista é a maior medalhista Paralímpica mulher no Brasil, com quatro ouros, oito pratas e uma de bronze, em seis edições dos Jogos, de Seul 1988 a Pequim 2008. Contundida, ela não representou o Brasil em Londres 2012, mas conduziu a tocha Paralímpica na ocasião. Nesta quarta-feira (13) ela repetiu em Joinville a condução, desta vez com a chama Olímpica Rio 2016. “Fiquei muito triste porque queria me despedir do atletismo lá. Mas, pelo menos, tive a honra e a alegria de conduzir a tocha”, lembrou.
Antes de levar a chama, Ádria “conheceu” a tocha em um evento para condutores. “Quando eu soube que ela abria, eu imaginei algo como uma flor aqui na parte de cima. Mas eu estou sentindo-a agora e vi que ela tem essas ondas muito bonitas. Gostei”, disse a ex-atleta após deslizar suas mãos pelo símbolo Olímpico.
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Mineira de Nanuque, Ádria escolheu Joinville para viver há 13 anos. “Disseram que era um lugar com qualidade de vida e vim treinar aqui com o guia Gérson Knittel. Acabei ficando”, explicou. Foi por meio de Gérson que ela conheceu o marido, Luiz Rafael Krub. “Ele falava tanto dela que fiquei curioso e comecei a procurar informações sobre a Ádria. Quando nos encontramos, ela me achou muito marrento”, lembra Luiz, entre as gargalhadas do casal. Mas os dois acabaram ficando juntos. Em 2005, Gérson passou a ser o guia de Ádria. Juntos, conquistaram a última medalha Paralímpica da ex-velocista, em Pequim.
Elétrica
Os professores do Instituto São Rafael, escola para pessoas com deficiência visual de Belo Horizonte, logo viram que Ádria era uma menina muito elétrica. Ela começou a ser escolhida para todas as atividades de corrida, e a brincadeira virou uma carreira vitoriosa.
“O esporte me mostrou que eu poderia superar os meus limites e os problemas que enfrentava na minha família”, afirmou.
Ádria está otimista em relação à campanha brasileira nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. “Temos grandes nomes, como a Terezinha Guilhermina, a Lorena Spoladore, a Jerusa Geber, o Yohansson do Nascimento e o Alan Fonteles. Antes, era só Ádria. Hoje em dia, existem tantos bons atletas que é até difícil apontar quem vai se destacar mais. Isso é muito bom”, diz.
E se alguma brasileira tirar de Ádria o posto de maior medalhista do país em todos os tempos? “Vou ficar muito feliz, porque será uma prova da evolução do esporte paralímpico. Quanto mais ídolos tivermos, mais motivaremos nossas crianças com deficiência a praticarem esporte”, ensina. “Mas vai demorar um pouquinho, porque é difícil alguém se manter em alto nível por tanto tempo”, brinca Ádria, com o sorriso de sempre.