A Vela nos Jogos Paralímpicos: o vento sopra a favor dos heróis dos mares
Originário do continente europeu, na década de 1980, esporte conquista o mundo com a inclusão no programa paralímpico
Originário do continente europeu, na década de 1980, esporte conquista o mundo com a inclusão no programa paralímpico
A Vela começou a distribuir medalhas nos Jogos Paralímpicos Sydney 2000 (©ALLSPORT/Nick Wilson)
A conquista dos mares é um sonho nutrido por séculos pelos mais diversos povos ao redor do planeta. Para os atletas paralímpicos, ele já é realidade. A Vela, um dos mais tradicionais esportes olímpicos, passou a distribuir medalhas também nos Jogos Paralímpicos a partir de Sydney 2000. Foi a largada para uma paixão que dá a volta ao mundo. Desembarcará com mais energia do que nunca no Rio 2016™.
As primeiras competições do esporte adaptado foram disputadas no continente europeu, em meados da década de 1980. Foi esporte-exibição em Atlanta 1996 para, na edição seguinte, entrar oficialmente no programa do maior evento do planeta. Estreou com duas classes, a 2.4mR (individual) e a Sonar (três atletas por barco). A classe SKUD-18 (dois atletas por barco) foi incluída em Pequim 2008 e está confirmada para as próximas edições dos Jogos.
“A inclusão da Vela no programa paralímpico elevou o esporte a outro patamar. As origens estão na Europa, mas, hoje, países de todos os continentes investem em suas equipes. Já tivemos medalhistas da América, do Oriente Médio e da Oceania, além, evidentemente, dos europeus. A prática se espalhou e ganhará ainda mais força com Londres 2012 e Rio 2016™, que acontecerão em dois dos países mais tradicionais na Vela, a Grã-Bretanha e o Brasil”, analisa Carlos Luiz Martins, diretor executivo de planejamento do Comitê Organizador Rio 2016™ e presidente da Confederação Brasileira de Vela e Motor.
Em três edições de Jogos Paralímpicos, seis países diferentes já subiram ao degrau mais alto do pódio na Vela. A Alemanha é a única bicampeã olímpica, com um ouro em Sydney 2000, na classe 2.4mR, e outro na Sonar em Pequim 2008. Canadá e Estados Unidos são os representantes americanos. França, Israel e Austrália completam o seleto grupo.
Os Jogos Paralímpicos de Pequim 2008 estimularam a prática do novo esporte na Ásia. Países como China, Malásia e Filipinas enviaram representantes pela primeira vez, juntando-se a Japão e Cingapura como os que mais investem na Vela naquela região. A expectativa é que o mesmo aconteça com Rio 2016™, primeira edição a ser disputada na América do Sul. Entre os latino-americanos, apenas Brasil, Argentina e Porto Rico já foram representados nos Jogos.
“A Vela gera uma expectativa muito grande no público brasileiro, pelo fato de ser o esporte em que o país conquistou mais medalhas olímpicas. Nos próximos anos, a repercussão dos Jogos Paralímpicos Rio 2016™ atrairá as atenções para o esporte adaptado. Mais pessoas vão conhecer e o número de praticantes vai aumentar. Isso vale para o Brasil e para os países vizinhos”, comenta Carlos Luiz.

Foto: ©ALLSPORT/Nick Wilson
A Vela adaptada pode ser praticada por atletas com deficiência visual (apenas na classe Sonar) ou locomotora. Para a classe 2.4mR, os atletas precisam possuir apenas uma incapacidade mínima. Nas outras duas classes, os velejadores são classificados de 1 a 7 pontos de acordo com suas habilidades funcionais.
Na classe SKUD-18, o timoneiro precisa ter lesão grave, ou seja, ter a pontuação de 1 ou 2. O proeiro precisa ter incapacidade mínima. O barco deve ter, obrigatoriamente, um tripulante feminino. Na classe Sonar, os três velejadores não podem ultrapassar, somados, 14 pontos.