A tradição dos anfitriões: Brasil, o país da Vela nos Jogos Olímpicos
Com 16 medalhas, esporte é o que mais premiou atletas brasileiros na história olímpica
Com 16 medalhas, esporte é o que mais premiou atletas brasileiros na história olímpica
Torben Grael e Marcelo Ferreira comemoram o ouro em Atenas 2004 (Foto: ©Getty Images/Clive Mason)
Mais de 7.400 quilômetros de litoral são um presente da natureza que os brasileiros sabem aproveitar como poucos. A natureza exuberante do país tropical, anfitrião do Rio 2016™, é o cenário dos sonhos para uma gama infinita de atividades, mas uma em particular trouxe reconhecimento mundial e dividendos dourados para o Brasil: a Vela.
O esporte dos barcos e pranchas é, junto ao voleibol, o que mais premiou atletas brasileiros na história dos Jogos Olímpicos. Foram 16 medalhas no total: seis ouros, três pratas e sete bronzes. O voleibol, entretanto, tem uma medalha de ouro a menos. Na sequência, estão o judô, com 15 medalhas, o atletismo, com 14, e a natação, com 11. Nenhum deles gerou mais campeões olímpicos para o Brasil que a Vela.
O maior atleta olímpico do país é um velejador. Torben Grael, que competiu em cinco Jogos, de Los Angeles 1984 a Atenas 2004, conquistou dois ouros e dois bronzes na classe Star, além de uma prata na classe Soling. O mito das raias olímpicas pode ser ultrapassado por outro velejador em Londres 2012. Robert Scheidt já tem duas de ouro e duas de prata. Se chegar ao topo do pódio este ano, na disputa da mesma classe Star que consagrou Torben, ultrapassa o compatriota. Além dos dois, o Brasil ainda conta com outro bicampeão olímpico na Vela: Marcelo Ferreira, proeiro de Torben nas conquistas de Atlanta 1996 e Atenas 2004.
“Para Londres, temos chances de medalhas em três ou quatro classes, e a Star é uma delas. É um esporte onde a experiência conta muito, a idade é até um fator positivo. Não é simples formar velejadores, quatro ou cinco anos não são suficientes”, analisa Marcelo, membro do Conselho de Esportes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016™.
Confira o vídeo dos momentos decisivos da classe Star em Pequim 2008!
Quanto maior a tradição, maior a expectativa do esporte para os Jogos em casa. No Rio 2016™, a Vela terá lugar na icônica Baia de Guanabara. A localização da Marina da Glória permitirá que as disputas aconteçam dentro do perímetro urbano da cidade-sede, fato rato na história olímpica.
“A Vela brasileira tem tradição também na organização de grandes eventos. Já tivemos aqui, por exemplo, os campeonatos mundiais das classes Star e Finn. Temos uma bela Marina. Há muito trabalho a ser feito até 2016, claro, mas o certo é que será um divisor de águas. Que seja positivo para o país e para a Vela”, afirma Marcelo.
Para o bicampeão olímpico, os olhos do mundo da Vela estarão voltados para o Rio de Janeiro assim que a última regata dos Jogos de Londres 2012 terminar. Para os brasileiros, entretanto, o sentimento já deu a largada.
“Os ciclos olímpicos não param. Antigamente, havia uma parada de um ano, um ano e meio após os Jogos para então a preparação para os Jogos seguintes começar. Hoje, no dia seguinte à última regata, as atenções já se voltam para o próximo ciclo. Em relação aos atletas, para os brasileiros, com certeza, a pressão vai ser maior. Tem que ganhar, não tem outro resultado. Dando certo, será um estímulo para o esporte, sem dúvida”, conclui.
Em Pequim 2008, as mulheres do Brasil conquistaram a primeira medalha na Vela. Assista!