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Um mundo novo

A Escola jamaicana: Melaine Walker e os campeões de mochila

Por Rio 2016

No país onde a população respira Atletismo e o esporte se aprende na escola, medalhistas olímpicos se multiplicam

A Escola jamaicana: Melaine Walker e os campeões de mochila

Melaine Walker compete no palco do Atletismo em 2016 (Foto: Marcelo Ferrelli/CBAt)

A Jamaica possui cerca de 2,6 milhões de habitantes e 55 medalhas em Jogos Olímpicos. No Atletismo, 54. Seu território insular tem 11 mil km², pouco menor que a cidade de Paris. Kingston, a capital do país, possui um estádio com capacidade para 40 mil pessoas. Mais de 150 escolas do ensino médio participam anualmente do Boys and Girls Champs, competição que reúne três mil jovens, é transmitida por TV em rede nacional e superlota o estádio. O cachorro quente custa algo em torno de 200 dólares jamaicanos.

Números e matemática nunca foram o forte de Melaine Walker, campeã olímpica em Pequim 2008 nos 400m com barreiras. Já em Comunicação e Expressão, ela se supera. Ao falar da competição dos meninos e meninas, mundialmente famosa por ter revelado todos os maiores nomes do atletismo jamaicano - sem exceção - se emociona.

No Rio de Janeiro para competir no GP Brasil de Atletismo 2011, a jamaicana de 23 anos, fala rápida, voz firme, comentou sobre a estrutura que receberá o seu esporte em 2016, lembrou dos belos momentos em Pequim e explicou o sucesso dos grandes nomes do Atletismo em seu país, campeão em todas as provas de tiro curto nos últimos Jogos Olímpicos (100m e 200m masculino e feminino, além do revezamento 4x100m masculino).

Confira a entrevista:

Você está no palco do Atletismo em 2016. O que pode dizer do Estádio Olímpico João Havelange, da pista e do ambiente?

A pista é boa, não sabia que correria rápido assim (Melaine fez 54s09 nos 400m com barreiras, a melhor marca de 2011 na prova no mundo). O clima é bom, nem tão frio, nem tão quente, sem muito vento. É um lugar calmo. Não há nada do que reclamar, tudo está ótimo. Em 2016, vai ser fantástico. Quanto mais pessoas vierem, melhor.

Seu país tem semelhanças com o Brasil. O que Rio 2016 traz de inspiração para o continente e para a Jamaica?

Nosso povo é parecido com o brasileiro. Jogamos futebol na rua, corremos (risos). Nós somos tipos de pessoas similares em um ambiente diferente.

É ótimo que os Jogos possam chegar a outros lugares. Se os Jogos fossem na Jamaica, eu ia dizer ‘Meu Deus, é tão chato!’, porque você sempre quer ir e conhecer lugares diferentes, fazer novos amigos, trocar experiências. Conhecer novas pessoas, levá-las até sua casa, ir até a casa dela, conhecer outras culturas, entender sobre o que elas acreditam.

Isso acontece quando você viaja, por isso adoro viajar e conhecer gente ao redor do mundo. É divertido mesmo quando eu não consigo me comunicar com as pessoas. Às vezes, não falam sua língua e você fica na base do sim ou não (risos).

Atletismo é uma paixão que se constrói na escola na Jamaica. Conte um pouco da sua experiência nas competições Champs.

Se você pode competir na Boys and Girls Champs, você pode competir em qualquer lugar. É a mesma coisa, com a diferença que você está mais velho agora. Mas é o mesmo tipo de batimento cardíaco, o mesmo tipo de nervosismo, de não conseguir dormir, comer. Você sente isso quando você é mais jovem. Então, quando fica mais velho, você consegue controlar melhor, mas no fundo ainda sente isso.

É isso que o Boys and Girls Champs faz. Você pode ir a Campeonatos Mundiais, a Jogos Olímpicos, você vai conseguir lidar com isso. Vai prevalecer sobre as pressões, não vai ter medo. Já sabe o que vai acontecer e está preparado. Pode ir bem, pode não ir bem, mas isso faz parte do Atletismo.

Os maiores nomes do atletismo jamaicano treinam no próprio país. O fato de ter os ídolos por perto incentiva os jovens. Como fruto deste ambiente, quem foram suas referências no início da carreira? Como atleta consagrada, é realmente fundamental treinar em casa?

Não importa onde você treina, o que importa é ter um técnico em quem você confia. É o suficiente. A partir disso, tudo o que tem que fazer é competir. Sobre meus ídolos, tenho mais de uma pessoa como exemplo para mim. A cada fase da sua vida, você procura referências que possam te ajudar, em quem você possa se inspirar. Nós, na Jamaica, temos muitos em quem nos inspirarmos.

O que Usain Bolt e Asafa Powell, mitos jamaicanos, que tiveram a experiência de ser os homens mais rápidos do mundo, agregam para o esporte?

Eu lembro de um tempo em que achava que Asafa Powell jamais seria batido. Era nisso que acreditávamos. Aí apareceu Usain Bolt (risos). Agora, podemos imaginar que um dia alguém baterá Bolt, o que parece totalmente louco agora, mas sim, vai acontecer. Por ora, posso dizer que ainda vai demorar um tempo. O que Bolt e Powell têm em comum é a boa mentalidade quando entram na pista. Eles não estão ali por causa do dinheiro, mas pela paixão.

Conte um pouco sobre sua experiência em Pequim 2008 e a medalha de ouro tão sonhada.

A melhor experiência que eu já tive. Todas aquelas pessoas eram extremamente organizadas. Nunca vi pessoas como os chineses. Era tudo muito confortável, seguro. Eles faziam você sentir que tudo que tinha que fazer era comer, descansar e competir.

Minha medalha foi tão linda, pude mostrar a todos o que sempre disse. Muitos têm medalhas em campeonatos, mas eu tenho um ouro olímpico. Se eu não ganhar mais nada na minha vida, sinto que a missão está cumprida. Alcancei tudo que queria. Tem muita gente lutando por isso e fico muito orgulhosa por ter conseguido.