5 perguntas curiosas sobre esportes Paralímpicos
Atletas com deficiência respondem o que todo mundo quer saber, mas só as crianças têm coragem de perguntar
Atletas com deficiência respondem o que todo mundo quer saber, mas só as crianças têm coragem de perguntar
Therezinha Guilhermina e seu guia Guilherme Santana, Jefinho Gonçalves, Guilherme Borranjo e Sebastian Cuattrín responderam às principais perguntas dos espectadores (CPB)
Na plateia que assistia ao desafio do futebol de 5 no festival que marcou um ano para os Jogos Paralímpicos, os filhos de uma moradora da Lagoa não paravam de fazer perguntas curiosas sobre a modalidade, dedicada aos jogadores cegos. “Eu não sabia responder tudo. Com certeza vários adultos ali tiveram as mesmas dúvidas, mas ficaram com vergonha de falar”, contou a bailarina Marina Solomon. O mesmo acontece com frequência nas oficinas do Transforma, programa de educação do Comitê Rio 2016, que faz experimentações de modalidades Paralímpicas em escolas e espaços públicos. Para matar a curiosidade geral, alguns dos melhores atletas Paralímpicos do Brasil toparam responder as perguntas mais frequentes. Sem constrangimento.
1. No futebol de 5, como os jogadores cegos sabem quem é do seu time?
Jefinho Gonçalves, bicampeão Paralímpico (Pequim 2008 e Londres 2012): “Reconhecemos nossos companheiros de time pela voz. Treinamos muito para saber a posição de cada um no campo e temos boa noção de espaço. Durante o jogo, tem muita comunicação entre a gente. Antes de dar um passe, chamamos o companheiro e ele responde. Só que tem que ser tudo muito rápido, senão a marcação chega e aí complica a jogada”.

2. No atletismo, por que os corredores cegos não usam cão guia?
Terezinha Guilhermina, velocista medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos Londres 2012 (100m e 200m) e Pequim 2008 (200m): “Não corremos com cão guia porque não compreendemos os latidos (risos). E a coleira esticada na frente atrapalharia o movimento dos braços, perderíamos velocidade e não conseguiríamos nos concentrar na corrida. Como o ser humano é bem mais inteligente, o guia humano sabe permanecer dentro da linha e fazer as curvas, além de respeitar a regra de ficar obrigatoriamente atrás do atleta, nos orientando, e não na frente, como um cachorro ficaria”.
3. O guia que acompanha o corredor cego nas provas de atletismo e triatlo também ganha medalha?
Guilherme Santana, guia de Terezinha Guilhermina há cinco anos: “O guia começou a ganhar medalha nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011. A organização reconheceu que os guias também são atletas, que treinam e se esforçam. Mas, antes disso, a Terezinha sempre me dava uma de suas medalhas”.

4. Por que o jogador tira a prótese para jogar vôlei sentado?
Guilherme Borrajo, tricampeão nos Jogos Parapan-Americanos do Rio 2007, Guadalajara 2011 e Toronto 2015: “A prótese seria um peso a mais e atrapalharia o deslocamento em quadra. Tiramos para jogar pelo mesmo motivo que tiramos para dormir. Ficamos mais leves, mais rápidos e mais à vontade no chão sem ela”.

5. Na canoagem velocidade, o atleta com deficiência fica preso por um cinto. Se a canoa virar, como ele se salva?
Sebastian Cuattrin, gerente da canoagem do Comitê Rio 2016: “Atletas Paralímpicos como Fernando Fernandes, que competem na categoria KL 1, usam uma trava na altura do abdome com um sistema de velcro. Se a canoa virar, ele tem que abrir o velcro e sair nadando. O resgate chega em segundos. São seis barcos de resgaste em volta do circuito de 200m e é mais comum acontecer quedas perto da linha de chegada”.
Para conferir ao vivo o alto desempenho dos atletas nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, não esqueça de fazer o seu pedido de ingressos até o dia 30 de setembro.