Um dia de timoneiro: a rotina ao mesmo tempo discreta e barulhenta da 'voz' do remo
Atleta da seleção júnior do Brasil conta detalhes do seu trabalho, fundamental para o avanço do barco, mas invisível para o público
Atleta da seleção júnior do Brasil conta detalhes do seu trabalho, fundamental para o avanço do barco, mas invisível para o público
No evento-teste de remo, na Lagoa, o barco 8+, único com timoneiro nos Jogos Rio 2016 (Alex Ferro/Comitê Rio 2016)
“A fala tem permitido a comunicação de ideias, possibilitando aos seres humanos trabalharem juntos para construir o impossível”.
A frase parece simbolizar a importância do trabalho do timoneiro. E, de fato, foi formulada por um: Stephen Hawking. Um dos maiores físicos de todos os tempos precisou exercitar bastante a comunicação enquanto conduzia um barco com oito remadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, no início da década de 1960, anos antes que uma doença degenerativa o deixasse paralisado. O corpo já então franzino de Hawking se encaixava perfeitamente à função de timoneiro: um atleta do barco a remo que não rema, mas orienta de maneira determinante o resto da tripulação.
Atualmente, no torneio de remo dos Jogos Olímpicos, a única classe a contar com um timoneiro, tanto na disputa masculina, como feminina, é a “oito com” (também representada como “8+”). Da arquibancada, porém, o público verá quase nada do trabalho dele. Sem remar, sentado no sentido contrário ao dos demais atletas (e o único a poder ver a boia de chegada), o timoneiro aparenta estar apenas “pegando carona” na competição - o que não seria má ideia no cenário da Lagoa, sede do remo no Rio 2016. Sem ostentar musculatura, para não oferecer peso extra ao barco, ele é quase um peixe fora d'água.
Já na água, literalmente, a situação é bem diferente. Com microfone e alto-falantes acoplados no interior do barco, o timoneiro fala o tempo inteiro no ouvido de seus companheiros, na tentativa de manter a sincronia de cada remada. Por ver a boia de chegada, ele tem uma noção melhor de como estão os adversários, exigindo mais potência quando necessário. É a voz do técnico dentro do barco. Não é “apoio moral”; é ordem.
Durante o evento-teste de remo, o timoneiro da equipe oito com júnior do Brasil, Matheus Silva, falou sobre os detalhes de seu trabalho. Pegue – você – uma carona no barco.