Três amigos e um sonho: facilitar a comunicação entre surdos e ouvintes em todo mundo
Criadores do aplicativo Hand Talk, que traduz português para Libras, conduziram a tocha Olímpica em Maceió
Criadores do aplicativo Hand Talk, que traduz português para Libras, conduziram a tocha Olímpica em Maceió
Emocionado, Carlos Wanderlan faz o sinal em Libras com uma das mãos e na outra conduz a tocha Olímpica (Rio2016/Andre Mourão)
Além de mostrar ao mundo a cultura e o calor do povo brasileiro, o revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 também destaca o respeito à diversidade e à inclusão. A passagem da chama por Maceió, neste domingo (29), reforçou esses pilares com a participação de Ronaldo Tenório, José Thadeu Luz e Carlos Wanderlan na condução da tocha. Juntos, os três amigos e sócios criaram o Hand Talk, uma plataforma automática e digital da tradução do português para Libras, a Língua Brasileira de Sinais, oficial da comunidade surda no Brasil.
A ideia partiu de Ronaldo, que percebeu a dificuldade de comunicação entre ouvintes e surdos e pensou em um aplicativo que pudesse facilitar o diálogo entre eles. A condução da tocha é a realização de um sonho para o empresário.
Ronaldo Freitas realiza um sonho ao conduzir a tocha em sua cidade (Rio2016/Andre Mourão)
“Sempre quis ser atleta, participar um dia dos Jogos Olímpicos. Quando recebemos esse convite, vi que aquele sonho de criança tinha voltado. Não dentro das quadras, mas conduzindo o principal símbolo de união entre as pessoas. É um momento muito emocionante, principalmente porque estou ao lado de pessoas que me ajudaram a construir esse trabalho que fazemos hoje. Quero contar para os meus filhos e para os meus netos que deixamos um legado, fizemos história e participamos de alguma forma dos Jogos no nosso país”, ressalta Ronaldo.
O empreendimento dos três condutores e amigos é um sucesso. Além de fazer a tradução Português-Libras em tablets e smartphones, é possível instalar o aplicativo em sites e plataformas corporativas. A população de surdos no Brasil é de 9,7 milhões de pessoas. Desde o seu lançamento, em 2012, o app já conseguiu ajudar mais de 3,5 milhões de pessoas e levou diversos prêmios no Brasil e no exterior. Entre eles, o de melhor app social do mundo pela ONU (Organização das Nações Unidas).
“Geralmente, as pessoas que desenvolvem apps sociais têm algum tipo de problema em casa e passam a criar solução para resolvê-lo. No nosso caso, tínhamos um desafio tecnológico de resolver um problema social e começamos a nos aproximar das pessoas surdas, a conhecer esse universo maravilhoso e tentar ajudar cada vez mais”, lembra Ronaldo.
O Hand Talk foi desenvolvido na capital alagoana, a partir de um desafio de startup. Os três empreendedores criaram um protótipo e apresentaram para um grupo de investidores que aprovou a ideia.
“A partir daí, recebemos um aporte para abrir a empresa e botar o projeto em prática. Um ano depois conseguimos lançar o aplicativo e, em seguida, outros produtos, todos voltados à tradução automática de português para Libras”, detalha José Thadeu, criador do Hugo, o personagem digital que faz as traduções.
José Thadeu Luz criou Hugo, o personagem digital que faz as traduções (Rio2016/Andre Mourão)
Para Ronaldo, o sucesso do app é a prova de é que possível abrir um bom negócio de qualquer lugar do mundo.
“Independentemente do lugar em que você mora, é possível ter ideias para impactar o mundo todo. Hoje, com a internet, você está a um clique de distância de qualquer um e pode mudar a vida de pessoas do outro lado do mundo”, incentiva.