Transforma, ONU Mulheres e Women Win: juntos pela igualdade de gênero
Programa de educação dos Jogos Rio 2016 lança conteúdo digital para ajudar escolas a promover os direitos de meninas e mulheres
Programa de educação dos Jogos Rio 2016 lança conteúdo digital para ajudar escolas a promover os direitos de meninas e mulheres
A Vila Olímpica da Gamboa, situada na zona portuária do Rio de Janeiro, se mostrou um palco muito oportuno para o programa de educação dos Jogos Rio 2016 lançar mão do esporte como ferramenta a favor dos direitos de meninas e mulheres. O espaço poliesportivo tornou possível que, há alguns meses, meninos que têm aula de futebol e alunas de balé participassem juntos de uma série de atividades educativas sobre igualdade de gênero. Nos vídeos, gravados na ocasião pelo Transforma em parceria com a ONU Mulheres – que traz para dentro de campo o projeto Uma Vitória Leva À Outra e a metodologia da ONG Women Win –, reside justamente a mensagem de que não deve haver barreiras para os pés que hoje calçam sapatilhas vestirem chuteiras amanhã (e vice-versa).
A partir dessa iniciativa, o programa de educação do Comitê Rio 2016 começa a disponibilizar uma série de cinco vídeos para que professoras e professores levem discussões de gênero às suas aulas e fomentem a conscientização de seus alunos sobre os direitos de meninas e mulheres. Baseados no já consolidado formato de passo a passo “Aprenda a Ensinar”, os vídeos apresentam atividades esportivas que promovem a igualdade de gênero de maneira didática e facilmente adaptável aos diferentes contextos encontrados em instituições de ensino de todo o Brasil.
O primeiro vídeo a ser lançado na plataforma online chama-se “Meninos e Meninas”, e explica o conceito de normas de gênero. Nele, aprende-se a diferenciar características biológicas dos sexos feminino e masculino de comportamentos impostos pela sociedade tanto a mulheres e meninas, quanto a homens e meninos. Os outros vídeos criados a partir da parceria tríplice são “Caminho da Paz”, voltado para a resolução pacífica de conflitos; “Telefone sem Fio”, que aborda o malefício da fofoca e a importância de uma comunicação clara e honeta; “Relacionamentos Saudáveis” e “Meus Direitos”.
“Com jogos simples e brincadeiras, despertamos em meninos e meninas a conscientização sobre a igualdade de gênero. Isso estimula o desenvolvimento das habilidades socioemocionais de alunas e alunos, algo que vai de encontro às diretrizes do Transforma”, afirma Verônica Fonseca, coordenadora do programa de educação do Comitê Rio 2016. A sinergia entre o projeto Uma Vitória Leva à Outra, já desenvolvido em diversas frentes pela ONU Mulheres e pela Women Win, e a disseminação dos valores Olímpicos e Paralímpicos estimulada pelo Transforma joga a favor do levantamento de discussões saudáveis sobre gênero com jovens de entre 10 e 16 anos.
Thays Prado, representante da ONU Mulheres e apresentadora dos vídeos, ressalta a importância de abordar o assunto justamente nessa faixa etária, de maneira leve e lúdica, no ambiente da educação física: “As questões de gênero estão presentes nas vidas de meninas e meninos desde que eles nascem ou até antes disso. Mas, no período de puberdade e adolescência, essas desigualdades são acentuadas. Enquanto as meninas passam a ter seu corpo por um lado regulamentado e, por outro, objetificado, os meninos ganham autonomia e são estimulados a ir para a rua fazer amigos e competir.”
Ela lembra que, durante a puberdade e a adolescência, 49% das meninas abandonam a prática esportiva, numa proporção seis vezes maior que a relativa a meninos. Além disso, a autoestima delas cai duas vezes mais que a deles nessa fase da vida. “Isso não é biológico, mas se deve a dinâmicas de gênero que oprimem muito mais as meninas”, completa Thays.
Nas próximas semanas, também serão disponibilizadas no site do programa de educação aulas digitais desenvolvidas de acordo com a mesma metodologia do projeto Uma Vitória Leva à Outra. Para a representante da ONU Mulheres, a parceria com o Transforma potencializa o alcance desses conteúdos para todo o Brasil. “Acho extremamente importante aproveitar este ano Olímpico para chamar a atenção para a importância de meninas praticarem esportes e os utilizarem como uma ferramenta para alcançar educação, saúde, inclusão social e paz”, encerra Thays.