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Um mundo novo

Tradições na vitrine Olímpica

Por Rio 2016

Atletas mostram costumes culturais e religiosos para milhões de espectadores dos Jogos Rio 2016

Tradições na vitrine Olímpica

Jogadores do rugby de 7 fazem a dança Haka no Estádio Olímpico de Deodoro (Getty Images/Mark Kolbe)

Danças, véus, saia de palha. Quando mais e mais atletas compartilham tradições culturais e religiosas na vitrine Olímpica, quem ganha é o público, que tem a chance de ver mais do que a luta por medalhas nos Jogos Rio 2016. 

Algumas tradições culturais foram compartilhadas já no desfile dos atletas na Cerimônia de Abertura. O atleta de taekwondo Pita Nikolas Aufatofua colocou Tonga entre os temas mais comentados do Twitter ao desfilar com o peito besuntado de óleo e vestindo a "saia" de uma tia à frente da delegação de seu país. 

Pita Nikolas Aufatofua deu entrevista com o traje típico em Copacabana (Foto: Getty Images/Harry How)

Procurado por jornalistas e emissoras de TV, Aufatofua explicou que o traje, chamado de tonga Ngatu, é o mesmo usado em guerras por seus ancestrais há 200 anos: uma tonga fabricada com um tecido tradicional da Polinésia feito de casca de árvore e amarrado com uma kafa derivada de fibras de coco. 

"[Essa tonga] pertenceu a uma querida tia que foi um grande apoio para mim", disse Aufatofua a emissoras de TV.

A haka Olímpica

Na competição de rugby de 7, no Estádio Olímpico de Deodoro, a dança Haka dos neozelandeses deixou os espectadores extasiados. Com uma série de movimentos vigorosos e sincronizados que inclui batidas no peito e caretas, as duas seleções do país se apresentaram no gramado após seus últimos jogos.   

A Haka é uma tradição do povo maori nos campos de batalha e em reuniões pacíficas tribais. Em competições nacionais de rugby, esporte mais popular do país, seus passos são repetidos desde 1905. Nos Jogos, a delegação neozelandesa fez a Haka em ocasiões especiais, como quando a bandeira do país foi hasteada na Vila Olímpica.

O lado espiritual

Quando o assunto é religião, há muitas tradições entre os mais de 12 mil atletas de 207 delegações. O crucifixo no pescoço e o sinal da cruz dos cristãos são vistos em cada uma das arenas inúmeras vezes por dia. Mas o grande número de mulheres vestindo a hijab (véu muçulmano) é um dos destaques dos Jogos Rio 2016.

Na equipe dos Estados Unidos, por exemplo, a esgrimista Ibtihaj Muhammad é a primeira atleta do país a competir de hijab em Jogos Olímpicos. Sua participação tem sido tão celebrada em seu país que, antes de vir ao Rio, ela encontrou o presidente Barack Obama na Casa Branca, em Washington, e deu aula de esgrima para a primeira-dama Michelle Obama em Nova York.

“Eu diria aos jovens do mundo que não permitam que os conceitos equivocados de outras pessoas sobre sua raça, seu gênero, sua etnia lhes definam e determinem seu caminho na vida. Eles podem fazer qualquer coisa que decidirem fazer”, disse ela em vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.