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Um mundo novo

Torcida qualificada na marcha atlética mistura farofa, açaí e guaraná e se encanta com o Pontal

Por Denise Mirás Atualizado em 12/08/2016 — 20H02

Chineses fizeram dobradinha na marcha 20km masculina e australiano ficou com bronze, à frente do brasileiro Caio Bonfim

Torcida qualificada na marcha atlética mistura farofa, açaí e guaraná e se encanta com o Pontal

Zhen Weng, da China, venceu a marcha atlética 20km no Pontal, ultrapassando seu compatriota Cai Zelin já no final da prova (Foto: Getty Images/Ryan Pierse)

Um dos cenários mais bonitos do Rio de Janeiro, com coqueiros por toda a extensão da praia, o Pontal amanheceu pronto para a disputa dos 20km da marcha atlética masculina nesta sexta (12). Mas se a prova, no mínimo curiosa para os brasileiros, disputava com o mar a atenção dos locais que passavam por ali, para muitos estrangeiros foi atração suficiente para cruzar oceanos – como foi o caso desde australianos, japoneses, chineses, irlandeses, mexicanos e guatemaltecos.

Praia do Pontal foi cenário de fundo da marcha atlética 20km (Foto: Rio 2016/Denise Mirás)

Altamente especializada e fanática, a torcida estrangeira tinha quase certeza de que a vitória seria da China, como de fato aconteceu, com Wang Zhen e Cai Zelin, respectivamente ouro e prata, com 1h19min14s e 1h19min26s. Os brasileiros despertavam à medida que Caio Bonfim ia subindo posição a posição, até a disputa do bronze – que só não foi conquistado pela pequena diferença de cinco segundos: ficou com o australiano Dane Bird-Smith, com 1h19min37s.

O dia amanheceu chuvoso e carregado, mas aos poucos foi se abrindo, com grupos de torcedores estrangeiros se virando em uma lanchonete próxima para entender o que seria empada de camarão, pão de queijo ou açaí, ou passando para ver o que seria o cardápio "sem pesar" de um restaurante local. Mas, por volta da hora do almoço e com a prova próxima da largada, não havia muito tempo: era questão de engolir um salgado com guaraná e correr para as grades.

Casal da Guatemala, já com planos de voltar ao Brasil, o australiano Dane Bird-Smith, que foi bronze, e seu coala, os húngaros "hungbelievables", e o casal Mario e Angélica, do México, que sabe tudo de marcha atlética (Fotos: Rio 2016/Denise Mirás)

Mãe australiana pé-quente

Denise Smith veio de Brisbane, na Austrália, para torcer para o filho Dane Bird-Smith, sexto em Londres 2012, com mais três membros da família e dois amigos. Encantada com a educação dos cariocas e com as praias, incluindo o Pontal, onde teve oportunidade de dar uma voltinha, foi muito “pé-quente”, conseguindo a primeira medalha Olímpica do atletismo no Rio 2016 para seu país.

Fora o favoritismo chinês, a prova era bem aberta, como comentou Mário Jr., recordista brasileiro da marcha 50km, que esteve no apoio a Caio, e vários outros países tinham candidatos. Da Espanha, o casal José Luis Mendonza Pérez, presidente da Universidade Católica de Murcia, e a mulher Maria Dolores García Mascarell, vieram ao Rio para ver tudo que for possível nos Jogos, mesmo porque Murcia contribui com 56 atletas da delegação espanhola. Maria Dolores tem um adjetivo que usava para cada novidade que aparecia à sua frente: das paisagens à farofa, tudo era “magnífico”.

Mário Jr., recordista brasileiro da marcha 50 km, esteve no apoio a Caio Bonfim; Brian e Ana Júlia com o canguru e sua bandeirinha - presente dos torcedores australianos (Fotos: Rio 2016/Denise Mirás)

São comentaristas? Não... Apenas torcedores

Mario e Angelica Frias vieram da cidade de La Paz, em Baja California del Sur, no México, país de muita tradição na marcha atlética. De papel na mão com o nome de todos os inscritos na prova, Mario desfilava comentários sobre os favoritos, incluindo o brasileiro Caio Bonfim. Também da América Central, o casal da Guatemala Miguel e Gabi Villa Nueva estava na torcida por Erick Barrondo, prata em Londres 2012 e dono da única medalha Olímpica da história de seu país.

Marconi Parreiras, dez anos vendendo algodão-doce de bicicleta no Pontal, queria um mês de Jogos Olímpicos (Foto: Rio 2016/Denise Mirás)

Além da torcida formada para Caio Bonfim, o vendedor de algodão-doce Marconi Parreiras, que trabalha andando pela orla do Pontal há pelo menos dez anos, sabe bem o que é marcha atlética: “Tem que ter pelo menos um ponto de um pé no chão, né?” Um pouco mais que isso, Marconi: quando coloca o calcanhar no chão, o marchador precisa estar com a perna esticada, para não levar advertências e ser desclassificado.

"Os Jogos Olímpicos são muito bons, né? Pena que é muito pouco. Devia durar um mês”.