'Se os Jogos representam a união entre os povos, nada mais justo do que uma transexual conduzir a tocha'
A professora de português Bianka Lins, que representa a comunidade LGBT, é a primeira condutora transexual do Rio 2016
A professora de português Bianka Lins, que representa a comunidade LGBT, é a primeira condutora transexual do Rio 2016
Eduardo Butter/Rio 2016
A professora de português Bianka Lins foi a primeira transexual a participar do revezamento da tocha Rio 2016, na terça-feira (10), na cidade mineira de Curvelo, a última parada do dia após passagens por Boicaiúva, Couto de Magalhães de Minas e Diamantina.
“Se os Jogos Olímpicos representam a união entre os povos, nada mais justo do que uma transexual conduzindo a tocha", disse Bianka, 26 anos, que dá aulas no ensino médio de Felixlândia, a 55 km de Curvelo. “Acima de qualquer coisa, a educação é a ferramenta necessária para transformar o mundo.”
A professora estava acompanhada da amiga de infância Rayra Pereira da Silva, que a incentivou a se inscrever no revezamento e foi a primeira pessoa a pintar suas unhas. “Devo muito a Rayra. Sempre fui uma pessoa muito tímida e foi ela quem me ajudou a me transformar. Ela faz parte desta conquista. O importante é que as pessoas se amem”, continuou Bianka, que deixou de ser Bernardo Rosa aos 18 anos.
A condutora Bianka e sua amiga Rayra, em Curvelos (Foto: Eduardo Butter/Rio 2016)
Além de anunciar os Jogos, a passagem da chama por mais de 300 cidades brasileiras carrega a mensagem de inclusão e tolerância, reforçando as novas orientações do Comitê Olímpico Internacional, que em novembro divulgou regras de participação dos transexuais no Rio 2016.
De acordo com o documento do COI, não estão previstas restrições para atletas na mudança de sexo biológico de feminino para o masculino. No inverso, é preciso ter uma manutenção do nível de testosterona (abaixo de 10 nmol/L) durante os Jogos e os 12 meses antecedentes.
Para Carlos Tufvesson, que lidera a Coordenadoria Especial da Diversidade Social do município do Rio de Janeiro, a participação de Bianka demonstra respeito à tolerância. “Os Jogos foram criados para unir os povos por meio do esporte. E inserir os LGBTs é uma questão de respeito”, diz Tufvesson, citando a sigla que agrupa lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. “Se criássemos uma pirâmide de preconceito, os travestis e transexuais estariam na pior posição. Que lindo que o Rio 2016 cumpra esta missão.”
Nesta quarta-feira (11), o revezamento segue pelas cidades de Datas, Serro, Guanhães e Governador Valadares, ainda em território mineiro.