Tocha Olímpica desfila na cadência do samba pelo Rio de Janeiro
Chama encontrou com personagens símbolos do ritmo mais popular da Cidade Maravilhosa
Chama encontrou com personagens símbolos do ritmo mais popular da Cidade Maravilhosa
Renato Sorriso é figura que não pode faltar quando se fala de desfile de escola de samba no Rio (Foto: Rio2016/Marcos de Paula)
Nesta quarta-feira (3), a tocha Olímpica fez a primeira parte de seu revezamento no Rio de Janeiro e desfilou na cadência do samba pelo Centro da cidade. A "evolução" da chama, começou com o gari Renato Sorriso, que ficou famoso a partir de 1997, depois de sambar com uma vassoura enquanto limpava a Marquês de Sapucaí. Hoje, ele é um dos grandes personagens do carnaval carioca. “É uma emoção enorme participar deste evento, que também é mundial. Fico feliz em saber que faço parte disso, que moro no Rio de Janeiro e que valorizo a imagem da minha cidade. Além disso, vim aqui representar a classe trabalhadora no revezamento”, diz.
Renato recebeu a tocha Olímpica na Cinelândia, e acendeu um dos cinco Marcos Olímpicos espalhados pela cidade. O marco é uma escultura revestida em pólvora que, depois de entrar em combustão, revela o símbolo dos Jogos.
Pouca gente simboliza mais o mundo do samba quanto Nelson Sargento. O presidente de honra da Mangueira foi ovacionado pelo público assim que chegou. Além de cantor e compositor de cerca de 400 músicas, Sargento é pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor. “Eu espero sempre coisas boas. Mas, para uma emoção como essa, haja coração! É sensacional”, diz o sambista, que conduziu a tocha pertinho da Praça Quinze, onde nasceu há 92 anos.
Foto: Rio2016/Marcos de Paula
Metros depois de Nelson Sargento, outra figura do samba que adotou Sorriso como nome recebeu a tocha Olímpica. Selma Rocha, ou Selminha Sorriso, começou a desfilar como passista do Império Serrano há 20 anos. Ela é porta-bandeira há 26 anos, 21 deles na Beija-Flor. “As escolas de samba são diferentes, mas têm os mesmos ideais de cultura, amizade e respeito. São como os países que participam das Olimpíadas, que compartilham conceitos de união, superação e paz. Tanto o esporte quanto o samba modificam a vida das pessoas. Eu acho que os Jogos Olímpicos estão na cidade certinha. Viva o Rio 2016”, celebra.
Selminha conduz a tocha como o pavilhão da Beija-Flor (Foto: Rio2016/Marcos de Paula)
O carnavalesco, cenógrafo e comentarista de carnaval Milton Cunha conduziu a tocha Olímpica em frente à Cidade do Samba. “Eu vim da Ilha do Marajó, trabalhei, lutei, passei fome e morei em vaga, até chegar até aqui. Esta é minha história de superação”, diz.
Na Cidade do Samba, Cunha se sente em casa ( Foto: Rio2016/Marcos de Paula)
Assim como Selminha, Milton Cunha também compara o esporte ao carnaval. “A tocha Olímpica é da concórdia, da tolerância e do respeito à diferença. E isso é a base de uma escola de samba. Nela, não há distinção entre velho, novo, negro, branco, gordo, magro, gay, heterossexual... Então, eu acho que o mundo todo tem muito a aprender com a chama Olímpica e o carnaval”, conclui.
Jorge Perlingeiro, é apresentador de programas de radio e TV no Rio ligados ao samba há 34 anos. Mas, no Brasil ele é conhecido por ser o locutor oficial das notas dos jurados dos desfiles das escolas de samba do grupo especial. Seu "Dez, nota dez" é marcante. Ele também fez parte do revezamento nesta quarta-feira. "O Rio merece tudo isso que está acontecendo", declarou.
(Foto: Rio2016/Marcos de Paula)
Na quinta-feira (4), a chama segue seu revezamento pela cidade, partindo da Zona Oeste, passando pela região norte e segue pela Zona Sul.