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Um mundo novo

Tocha pega brisa do mar pela primeira vez em Espírito Santo

Por Leonardo Rui

Chama Olímpica entra em Vitória por mar, anda de stand up paddle e de cadeira anfíbia

Tocha pega brisa do mar pela primeira vez em Espírito Santo

Vista da cidade de Vitória e da ponte que liga ao bairro Ilha do Frade (Foto: Divulgação/Governo do Espírito Santo)

A chama Olímpica chega ao litoral brasileiro nesta terça-feira (16) e sente a brisa do mar pela primeira vez em Guarapari, famoso destino turístico do Espírito Santo. De lá, passeia por Vila Velha e Vitória, onde dorme. Em sua estreia capixaba, a tocha é conduzida através de meios bem alternativos: skate, bicicleta, prancha de stand up paddle, canoa havaiana e até cadeira anfíbia.

Em Guarapari, o ponto alto é a passagem do revezamento pela orla da Praia do Morro, um dos maiores destinos turísticos da cidade, com a participação do surfista Derek Rabelo, que é deficiente visual. Em Vila Velha, com 32 quilômetros de litoral, a banda do Exército dará o tom da ida da chama para Vitória, pelo mar, a bordo de um barco, passando embaixo da ponte que une as duas cidades.

As diferentes formas de condução da tocha Olímpica refletem a vocação esportiva de Vitória. A capital encerra o dia de revezamento com um encontro de gigantes: Ricardo Alex Santos e Alison Cerutti, dois craques do vôlei de praia, serão condutores. Dono de três medalhas Olímpicas, o baiano Ricardo, de 2m de altura, treinou em Vitória. "Morei aqui por dois anos e foi muito importante para minha carreira", diz. Fora do Rio 2016, ele ficará na torcida por medalhas dos outros brasileiros, como Alison, de 2,03m, nascido em Vitória.

Ricardo  (esquerda) e Alison, craques do vôlei de praia que serão condutores da tocha em Vitória (Foto: Rio 2016/Leornado Rui)

Alison, que ficou conhecido como Mamute, levou o parceiro Bruno Schmidt (também condutor) para treinar na cidade. "É uma honra representar Vitória no revezamento e nos campeonatos ao redor do planeta", diz o vice-campeão Olímpico, bicampeão mundial, bicampeão do Circuito Mundial e campeão pan-americano, entre outros títulos.

Vitória tem o Centro de Treinamento Municipal de Vôlei de Praia, e o esporte é muito forte no Espírito Santo. Além de Alison, o Estado revelou talentos como os medalhistas Olímpicos Fábio Luiz e Larissa, uma das favoritas ao ouro no Rio 2016, ao lado da parceira Talita.

O próprio prefeito Luciano Rezende é um ex-atleta. Foi campeão brasileiro e sul-americano de remo no final dos anos 1970. "É um momento de muita emoção para mim que, por muito pouco, não fui remador Olímpico. Queremos mostrar para o mundo por que Vitória é uma capital do esporte", diz.

Além de uma extensa orla para a prática de esportes, a capital tem um projeto de inclusão social, o Praia Acessível. Instrutores ajudam pessoas com mobilidade reduzida a entrarem no mar, numa cadeira anfíbia cedida pela prefeitura.

O nadador paralímpico Waldir Alvarenga Júnior, especialista nos 50m borboleta, vai conduzir a tocha Olímpica numa dessas cadeiras, com ajuda do instrutor Pedro Cardoso Netto. "Aqui, procuramos fazer com que todos se sintam iguais. Recebemos não só paraplégicos e tetraplégicos, mas também idosos e qualquer pessoa com dificuldade de locomoção", explica Pedro. Todos recebem atenção exclusiva, e Waldir é participante frequente do projeto: "Os instrutores nos acompanham o tempo todo e permitem que a gente nade, com o auxílio de flutuadores", explica.

O nadador paralímpico Waldir Alvarenga Júnior na cadeira anfíbia, com ajuda de Pedro Cardoso Netto (Foto: Rio 2016/Leornado Rui)

O Praia Acessível funciona na praia da Curva da Jurema todo domingo, na baixa temporada, e de quinta a domingo, na alta temporada, sempre das 8h às 13h.

Por ali, é comum ver praticantes de caminhada, corrida e ciclismo, como Tiago Moraes e Marina Agrizzi. "Sempre pedalamos em família na Praça dos Namorados", diz Marina, com a filhinha Júlia na garupa. Em Vitória, a paixão pelo esporte começa cedo.