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Um mundo novo

Toca Raul? DJs das arenas esportivas surpreendem plateia do Rio 2016

Por Por Fernanda Ezabella

Usain Bolt ganha set list da vitória, enquanto música do Darth Vader ajuda a manter tensão do voleibol

Toca Raul? DJs das arenas esportivas surpreendem plateia do Rio 2016

O DJ americano Cassidy Bednark, na arena de basquete (Foto: Rio2016/Garrett Ellwood)

Seja a “Marcha Imperial” no desafio do voleibol ou a “Dança do Ventre” em homenagem às jogadoras do Egito, os DJs das arenas esportivas viraram personagens dos Jogos Rio 2016. “O DJ não é só um DJ nos Jogos Olímpicos. Ele é um maestro, acompanha e conduz o ritmo da competição, tem um papel fundamental”, disse Yuri Almeida, diretor de produção musical do Rio 2016, um dos curadores da seleção dos DJs das arenas.

A música-tema da franquia “Star Wars”, com batucada e funk, é a vinheta usada nos jogos de voleibol quando um time pede revisão de um ponto. A criação é do DJ brasiliense Faroff e do DJ carioca João Brasil, responsável pelas vinhetas dos Jogos. “É um momento muito tenso, de muita expectativa. Então resolvemos criar uma intervenção sonora apta para isto”, contou.

Qual é a música? Diretores comentam trilha sonora da cerimônia de abertura

No Estádio Olímpico, onde acontecem as provas de atletismo, o alemão Tobby Webber e o baiano Lucio K formam uma dupla para fazer a trilha de corredores e saltadores. Usain Bolt, tricampeão Olímpico, ganhou um set list especial. Após ganhar os 100 metros no domingo (14), eles mandaram:  “Usain Bolt The Puma”, de Grant Phabao & The Lone Ranger, “Champion”, de Buju Banton, “Reggae Night”, de Jimmy Cliff, e “Jamming”, de Bob Marley.

"Fui improvisando com o momento, achei que seriam dois minutos de comemoração do Bolt e acabou sendo dez", disse Lucio K, DJ há mais de 25 anos. "Hoje estava tocando no Maracanã quando as meninas perderam e não sabia o que colocar. Fui então de 'Canta Canta Minha Gente', do Martinho da Vila. Até colegas de cabine se emocionaram."

O DJ austríaco Tobias Rudig, que tocou "Faraó (Divindade do Egito)" para a dupla egípcia (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

Vôlei e balada de praia

A dupla egípcia Doaa Elgobashy e Nada Meawad, do vôlei de praia, ganhou um empurrão extra da torcida brasileira quando o DJ austríaco Tobias Rudig mandou "Faraó (Divindade do Egito)", do Olodum, e depois "Dança do Ventre", do É o Tchan. As músicas vieram sopradas pelo diretor de apresentação de esporte da arena de Copacabana, Marco Pierangelini.

"Sempre peço aos DJs, principalmente aos que são de fora, para ter uma sensibilidade com o público brasileiro", disse Marco. "É uma questão de ser simpático com uma brincadeira, mantendo o respeito. A gente acabou cativando uma torcida pro Egito muito grande. E isto é o principal, dar uma brasilidade e fazer uma relação com cada país que vai jogar."

Toca quem?

Se no Brasil os Djs são perseguidos pelo infame pedido de “Toca Raul!”, nos EUA eles sofrem com o “Play Free Bird!”, uma balada popular de 13 minutos de duração da banda americana Lynyrd Skynyrd. “Ainda não ouvi este tal de toca... toca quem mesmo? Ou ao menos não entendi”, brinca o DJ americano Cassidy Bednark, conhecido como DJ Bedz, que faz o som da arena Carioca 1, de basquetebol masculino.

O DJ americano Cassidy Bednark, na arena de basquete (Foto: Rio2016/Garrett Ellwood)

Do Estado do Colorado, ele toca faz 14 temporadas com o time da NBA Denver Nuggets, após fazer carreira tocando hip hop numa rádio local. Em seu primeiro Jogos Olímpicos, ele diz que que o repertório tem que ser eclético para todos se sentirem incluídos. Os DJs das arenas trabalham com uma câmera fixa bem pertinho das picapes, e DJ Bedz costuma fazer graça quando aparece no telão. As brincadeiras acabam rendendo pedidos de selfies ao final dos jogos.

"Na NBA, muitos jogadores são muito insistentes em ouvir rap e hip hop. Aqui, percebi que os fãs gostam, toleram hip hop, mas preferem outros estilos", disse DJ Bedz. "Uma surpresa boa foi como eles gostam de rock clássico e vibram muito quando toco Metallica, Guns N' Roses, Led Zeppelin e Rolling Stones."

E, quando o público não consegue resposta do DJ, o brasileiro inventa seu próprio repertório. Na luta do boxeador equatoriano Carlos Andres Mina no domingo retrasado (7), a galera entoou "Brasília Amarela", dos Mamonas Assassinas. A música começa justamente com “Mina, seus cabelos é da hora”. Mina, o boxeador, acabou ganhando do alemão Serge Michael.