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Um mundo novo

Steve Boyd, o coreógrafo de multidões da abertura Rio 2016

Por Fernanda Ezabella

O americano já participou de 13 Jogos Olímpicos, trabalhou em shows de Beyoncé e Paul McCartney e fez sua maior coreografia com 12 mil crianças muçulmanas

Steve Boyd, o coreógrafo de multidões da abertura Rio 2016

Steve Boyd nos ensaios de quarta-feira (20) no estádio Maracanã (Alex Ferro/ Rio2016)

Num escritório provisório nos corredores do Maracanã, o americano Steve Boyd trabalha concentrado no computador, estudando uma planilha de números que parecem não ter fim. Ele escuta seu nome ser chamado e pede um minuto, sem tirar o olho da tela: “Estou no meio de uma descoberta!”

Boyd é especialista em coreografias de massa e já participou, das mais diversas formas, de 13 Jogos Olímpicos de verão e inverno desde Barcelona 1992. Ele chegou ao Rio de Janeiro em setembro para ajudar na cerimônia de abertura, que acontece no próximo dia 5, e diz que se sente em casa entre os 550 voluntários que vão ajudá-lo no desfile dos 12 mil atletas e delegações, a parte mais longa e complexa do show.

Apesar de ser o homem das multidões, é no papel que começa sua jornada. “É muita aritmética e geometria para achar a velocidade de entrada das pessoas e coisas assim. Mas nunca fui bom de matemática”, ri o americano. “Você descobre muitos problemas dessa forma. Melhor do que aprender com milhares de pessoas vendo ao vivo.”

Boyd nos ensaios de quarta-feira (20) no estádio Maracanã (Alex Ferro/ Rio2016)

Em Londres, Boyd foi chefe de coreografia de massa das quatro cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. “Foi incrivelmente exaustivo. Levei cinco meses para voltar ao normal. Durante um ano e meio, nós trabalhamos o equivalente, em horas, a três anos. Fiquei morto”, conta.

E pode paquerar?

No Rio, ele é diretor de movimento de massa e ajudou na execução das coreografias, além de ser responsável pelo desfile dos atletas, que promete boas surpresas. “O que faço é baseado em energia humana. O que os voluntários podem fazer sempre rouba o show, é o que todo mundo lembra no final”, diz.

Sobre os voluntários brasileiros, Boyd é todo elogios. “São muito educados e tranquilos, ninguém vem me dizer que é especial. Em Londres, recebia muitos CDs, gente que queria me mostrar seu trabalho, sua banda. Ganhava muitos presentes”, conta.

Detalhe da abertura dos Jogos Londres 2012 (Foto: Getty Images)

O flerte entre voluntários é algo que Boyd gosta de incentivar, embora tenha reparado que os brasileiros “não são tão paqueradores quanto eu imaginava”. “Os voluntários vêm atrás de uma experiência nova, de conhecer novas pessoas. Para os ingleses, dar autorização para o flerte e para se apresentar uns aos outros foi intoxicante, eles adoraram.”

A MAIOR DE TODAS?

Foi aos 14 anos que Boyd descobriu sua vocação, ao comandar a banda da escola com 220 membros nos shows de intervalo dos jogos, numa cidade do estado de Maryland. “Todas as ferramentas que uso hoje vêm daquela época”, lembra. Ele é também diretor de arte e já trabalhou nas revistas Vanity Fair e The New Yorker, em Nova York. Seu sonho, no entanto, sempre foi trabalhar nos Jogos. A primeira vez foi em Barcelona, quando ajudou uma rede de TV dos EUA coletando depoimentos de atletas.

Boyd também fez trabalhos mais simples, como treinar 200 voluntários para colocar 160 mil luzinhas LED nas cadeiras de um show de Beyoncé, e coreografou uma ação na plateia numa apresentação de Paul McCartney - durante “Hey Jude”, uma onda de 70 mil cartazes trazia o refrão “na, na na na-na-na”.

Sua coreografia que envolveu mais gente aconteceu em 2010, na 40ª edição do Dia Nacional do Omã, com 12 mil crianças muçulmanas (e não muito obedientes). Ao final do show, elas formaram uma grande mandala. “Foi incrível e bem perigoso, porque era um número grande de crianças sem supervisão”, diz.