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Um mundo novo

Só ele: Zé Roberto, o diferentão, trabalha pelo tetra Olímpico e vê EUA como finalista

Por Rio 2016

Único brasileiro tricampeão Olímpico, o treinador da seleção brasileira feminina de voleibol revê memórias e o aprendizado iniciado em Montreal 1976

Só ele: Zé Roberto, o diferentão, trabalha pelo tetra Olímpico e vê EUA como finalista

Zé Roberto comandou o primeiro título Olímpico do voleibol feminino do Brasil em Pequim 2008 (Cameron Spencer/Getty Images)

Único brasileiro tricampeão Olímpico. Único técnico de voleibol do mundo tricampeão Olímpico. O versátil, sucesso no masculino e no feminino. O poliesportivo: fez balé, judô e capoeira, tudo para se aprimorar...  O pulso firme, com raras reações mais explosivas... Sem ironia: pelas singularidades nas conquistas e nos caminhos que o levaram até elas, o paulista José Roberto Guimarães, 61 anos, tem toda as condições de exemplificar o meme do "diferentão".

Com uma história de vida que desde 1976 pode ser medida em ciclos Olímpicos, o técnico da seleção feminina de voleibol (cargo que ocupa desde 2003), abre o baú de memórias em entrevista exclusiva ao site Rio2016.com. E, em meio a tantas histórias vitoriosas, lembra o valor do aprendizado nas grandes derrotas.

 

O líbero Serginho também contou suas Histórias de Atleta Olímpico. Confira!

 

O maior Olímpico brasileiro

Se o voleibol é hoje um dos esportes em que o Brasil teve mais sucesso em Jogos Olímpicos, muito se deve a Zé Roberto Guimarães. O paulista de Quintana foi o comandante da famosa geração de ouro da seleção masculina, campeã em Barcelona 1992. Em Atlanta 1996, com a seleção masculina, e em Atenas 2004, com a feminina, duas derrotas nas quartas-de-final deixaram um gosto amargo, mas a recompensa pelo bom trabalho não demorou a chegar. Com o bicampeonato comandando a seleção feminina, em Pequim 2008 e Londres 2012, coroou a carreira acima de qualquer outro técnico de voleibol do mundo.

Antes disso Zé Roberto já havia disputado os Jogos Olímpicos como atleta – foi levantador na seleção brasileira nos Jogos Montreal 1976. Sem muito brilho, ficou em sétimo lugar, eliminado na primeira fase.  

“Como técnico é muito estressante: você precisa se preocupar com o resultado, com o bem-estar dos atletas, com o planejamento. É estresse constante, mas não deixa de ser bom”

Para Zé Roberto, o conforto das atletas para desempenhar um bom trabalho é fundamental para o sucesso (Foto: Elsa/Getty Images)

 

Multiesportivo

A busca pela evolução levou Zé Roberto ao estudo e à prática de atividades inusitadas como o balé - assim como o judô e a capoeira, vistos como bons complementos para várias modalidades.

“As técnicas são bastante interessantes, ajudam no condicionamento físico, na agilidade, na destreza, na velocidade. Os requisitos básicos de movimentação ajudam muito no voleibol também. Assim como o balé, que me ajudou muito em equilíbrio, em velocidade, em salto, coordenação...”, diz.

Algumas das orientações de Zé Roberto passadas às atletas são extraídas do estudo de outros esportes (Foto: Atsuhi Tomura/Getty Images)

Lições de uma derrota épica

Nas rápidas passagens pela cidade permitidas pela agenda, Zé Roberto não deixa de curtir o Rio de Janeiro. “Todo mundo tem que dar uma passada no Arpoador para ver o pôr-do-sol", recomenda. Mas sua cabeça costuma viajar para cenários mais frios. Os estudos do treinador estão marcados pela série de duelos épicos contra a Rússia, que estabeleceu uma das maiores rivalidades Olímpicas atuais.

Depois de desperdiçar cinco match points e perder para a Rússia nas quartas-de-final em Atenas 2004, o Brasil deu o troco. Com o talento de jogadoras como Sheilla, Paula Pequeno e Fabi, a revanche veio em Pequim 2008 e em Londres 2012:

“Em 2008, dominamos o jogo e vencemos por 3 a 0. Em 2012 foi um desespero, a Rússia teve seis match points, mas nos superamos", disse.

"Nós aprendemos muito com o 24 a 19. Foi o fracasso que marcou nossas vidas. Muita gente diz que, para vencer, precisamos fracassar antes. Com a gente acabou funcionando”

Para capitão norte-americano, o voleibol brasileiro será difícil de bater dentro de casa

A memória mais recente dos Jogos Olímpicos também é de superação. Na final de Londres 2012, contra os Estados Unidos, a seleção brasileira perdeu o primeiro set por 25 a 11, placar improvável numa decisão Olímpica. Acalmar os ânimos e jogar com mais frieza foi fundamental para virar a partida e fechar os três sets seguintes por 25-17, 25-20 e 25-17.

“Foi calma e estratégia. Depois do primeiro set, nos tranquilizamos e passamos a jogar com mais inteligência. E aí inverteu: os olhos apavorados, que estavam do nosso lado, passaram a ser os das americanas. A gente via nitidamente que elas ficaram totalmente desorientadas”, relembrou.

Pouco afeito a gritos e broncas explosivas: a serenidade é uma das marcas de Zé Roberto à beira da quadra (Foto: Elsa/Rio 2016)

 

De olho nos rivais nos Jogos Rio 2016

Classificado como país-sede, o Brasil já tem dois adversários definidos na briga pelo ouro Olímpico em 2016: a China e a Sérvia. Mas Zé Roberto tem certeza de que a lista de grandes adversários não para por aí.

“Acho que a equipe americana vai ser finalista, mas Rússia, China e Sérvia estão muito bem. Outras seleções podem crescer até os Jogos"

Brasil? Estados Unidos? Itália? O país do voleibol é... a Polônia

Zé Roberto conhecerá outros três adversários no próximo fim de semana (9 e 10): as campeãs dos pré-Olímpicos da Europa, da América do Sul e da América do Norte. A seleção representante da África será conhecida no dia 19 de fevereiro.

Entre os homens, são quatro as seleções já classificadas: Brasil, Estados Unidos, Itália e Argentina. Em janeiro, com as decisões dos pré-Olímpicos da Europa, da África e da América do Norte, serão conhecidos outros três classificados.

As 10 seleções (cinco em cada gênero) que fecham as listas de 12 seleções masculinas e femininas sairão do pré-Olímpico Mundial, em junho.

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