Chester Williams, o lendário ex-jogador de rugby sul-africano que virou símbolo na luta contra a segregação racial em seu país, está no Brasil pela segunda vez. Ele conduziu a chama Olímpica Rio 2016 nesta quinta-feira (14), em Curitiba (PR). “Estou muito orgulhoso por ter conduzido a tocha. O sentimento é parecido com a conquista da Copa do Mundo. É minha segunda vez aqui e estou gostando muito, principalmente das pessoas, que são muito simpáticas”, afirmou o ex-atleta, de 45 anos.
Williams ganhou destaque em seu país em 1995, quando a África do Sul, livre do regime de apartheid que durou 46 anos, sediou a Copa do Mundo de Rugby. A campanha e a vitória do Springbok, time da casa, contra o All Blacks, como é conhecida a seleção da Nova Zelândia, foram marcadas pela atuação de Chester, o único jogador negro do time sul-africano. Nelson Mandela tinha sido eleito presidente recentemente e trabalhava para banir a segregação no país.
“Na minha terra, o rugby é muito popular entre os brancos. Os negros jogam mais futebol. Quando Mandela me apoiou para que eu entrasse no time, isso ajudou para que a equipe jogasse unido também. Mostramos que não éramos mais divididos entre brancos e negros e o país mudou para melhor”, lembra Chester, que jogava na posição de zagueiro.
(Foto: Facebook/Reprodução)
Embora pouco comum entre os negros sul-africanos, o esporte já era presente na vida de Williams desde a infância. Seus tios e seu pai – que era como um herói para o ex-jogador – praticavam o esporte e o inspiraram a entrar para a modalidade. Com o título, foi o próprio atleta quem acabou virando herói. A partida histórica entre Springboks e All Blacks inspirou o filme Invictus, dirigido por Clint Eastwood, e sua história passou a ser conhecida no mundo todo, na pele do ator McNeil Hendricks, também jogador de rugby.
“Eu tinha um sonho. E o sonho era jogar rugby. Significou muito para mim e minha família. Depois de tudo que passei ver, na final da Copa do Mundo, pessoas rindo e chorando de emoção, foi uma cena que me marcou porque era a primeira vez que via minha nação unida", contou o jogador, que afirma que o filme é 99% verídico e comemora os avanços em seu país. “Além de termos negros e brancos jogando juntos, foi importante provar que eu estava lá porque era o melhor na minha posição”, comenta.
Mesmo com a simbologia de união que trazia para o país, Williams sofreu preconceitos e ouviu piadas racistas dos colegas de equipe. Ainda assim, encarou a oportunidade de integrar a seleção com a certeza de que seria uma chance de transformar a África do Sul. Vinte um anos depois da vitória histórica sobre a Nova Zelândia, ele diz acreditar que o racismo no mundo diminuiu. Para ele, os Jogos Olímpicos podem ajudar a resolver essa questão.
“Basta olhar os aros Olímpicos, a simbologia que eles trazem. Unidade, excelência, aproveitamento, respeito, união. Quando começarem os Jogos, veremos os atletas competindo unidos. É isso o que as pessoas querem ver”, ressalta o campeão, que fez apostas para o Rio 2016.
“Queria muito que a África do Sul fosse campeã Olímpica de rugby, mas a disputa será difícil com Nova Zelândia, Fiji e Austrália”, afirmou.