Seleção brasileira dá aulão de rugby e poder feminino no Parque Ibirapuera
Chuva forte não espantou cerca de 100 mulheres que apareceram para aprender o esporte Olímpico, no domingo, em São Paulo
Chuva forte não espantou cerca de 100 mulheres que apareceram para aprender o esporte Olímpico, no domingo, em São Paulo
Raquel Kochhann, atleta da seleção brasileira, se prepara para chutar a bola (Foto: Fernanda Ezabella/Rio 2016)
Cerca de 100 mulheres de idades diversas apareceram no Parque Ibirapuera na manhã de domingo (5) para aprender a derrubar adversárias e ouvir histórias sobre vitórias e preconceitos de seis atletas da seleção brasileira de rugby de 7, modalidade que faz sua estreia Olímpica nos Jogos Rio 2016. O encontro foi organizado pela ONG Think Olga, como parte de um novo projeto para aproximar as mulheres dos esportes.
O tempo nublado logo virou um temporal no campo da Praça da Paz, mas o aguaceiro não espantou as participantes, que continuaram jogando. No final, o sol abriu, secou a lama no corpo e a roupa de muitas jogadoras.
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“Foi a primeira vez que eu conheci um monte de mulheres legais sem ser num bar para beber ou para fazer compras. Gostei muito”, disse Rafaella Gobara, 35 anos, que trabalha com marketing digital e nunca tinha jogado rugby. Ela estava acompanhada da sobrinha Helena, de 8 anos.
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O grupo eclético foi dividido em três: enquanto as novatas aprendiam a passar a bola e cair no chão com a jogadora Beatriz Futuro, conhecida como Baby, as mais experientes treinavam técnicas de contato com a jogadora Isadora Cerullo, conhecida como Izzy.
O Aulão de Rugby faz parte da campanha Olga Esporte Clube para discutir a participação das mulheres no esporte, seja amador ou profissional. “As meninas são afastadas do mundo esportivo desde muito cedo e enfrentam muitos preconceitos para se manterem jogando. E isso obviamente se reflete nas categorias de base e no esporte profissional”, disse a criadora do projeto, Maíra Liguori, diretora do Think Olga. “A gente quer questionar e entender por quê somos convidadas o tempo inteiro a deixar de praticar.”
Lançado em março no Museu do Futebol, em São Paulo, o Olga Esporte Clube organizou no mesmo mês um Aulão de Basquetebol com Janeth Arcain. Nos próximos meses, lança um aplicativo chamado MoveOlga para ajudar mulheres a encontrar companhia para prática de esportes.
A atleta Luiza Campos, à direita, observa participantes tentando o "tackle" (foto: Rio 2016/Fernanda Ezabella)
Coisa de menina, sim
Izzy, que treina na seleção há dois anos e joga rugby há cinco, disse que o preconceito é uma luta diária, já que o esporte é mais conhecido pelo jogo masculino, ainda que elas colecionem muito mais vitórias que seus colegas. A seleção brasileira feminina foi 11 vezes campeã sul-americana, tem uma medalha de bronze no Pana-Americano e está em 10º no ranking da modalidade.
“Muitas pessoas perguntam se eu não tenho medo de me machucar. E perguntam isto só porque eu sou mulher, ninguém pergunta isto para um homem. A sociedade ensina que o menino deve ter coragem, e a menina deve ter medo”, disse a atleta de 25 anos. “No rugby, a gente é obrigada a enfrentar os desafios e ter coragem em campo. E você leva isto para a vida. Eu sou mulher, eu pratico rugby e eu tenho coragem. Isto não deveria ser tabu.”
Luiza Campos, Raquel Kochhann e Taís Balconi, a Tatá, da esq. para a dir. (foto: Rio 2016/Fernanda Ezabella)
A seleção está treinando forte nos últimos três anos e fez viagens para aprimorar o jogo com equipes internacionais, como uma para África do Sul. Baby, 30 anos, a veterana do time, joga há 17 e é apaixonada pela cultura do esporte. “Rugby para mim é ter sempre um amigo do lado. É a amizade, o respeito, a disciplina”, disse. “Os Jogos serão um desafio enorme. Mas a gente acredita que mais pessoas vão querer conhecer o rugby e praticar.”