São Paulo Olímpica: tocha chega à capital paulista neste domingo e passa por seus lugares mais emblemáticos
Personagens ligados ao esporte, à cultura e à diversidade farão parte do revezamento da chama pela cidade
Personagens ligados ao esporte, à cultura e à diversidade farão parte do revezamento da chama pela cidade
Parque do Ibirapuera não podia ficar de fora do tour da tocha, que vai passar por seus espaços mais marcantes (Foto: Divulgação)
Alguma coisa vai acontecer no coração de muita gente neste domingo (24) quando a tocha Olímpica Rio 2016 cruzar a Ipiranga e a Avenida São João. A esquina, imortalizada na música Sampa, de Caetano Veloso, é um dos muitos locais emblemáticos de São Paulo, que fazem parte da rota do revezamento na maior cidade do Hemisfério Sul, com quase 12 milhões de habitantes.
O dia começa em frente ao Museu do Ipiranga, às 7h45 da manhã. Em seguida, a tocha Olímpica desce a ladeira do Parque da Independência, no skate pilotado por Rony Gomes, até o Monumento da Independência e o Riacho do Ipiranga. Na Avenida D. Pedro 1º, Syllas Jadach Oliveira Lima, da cavalaria da Polícia Militar, conduz a tocha a cavalo, escoltado por quatro cavaleiros.
Depois, o revezamento passa pela Praça da Sé, Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Avenidas Ipiranga e São João, Praça da República, Ruas Maria Antônia e da Consolação e a Avenida Paulista, onde a tocha Olímpica será conduzida em uma bicicleta por Gustavo Batista, de 14 anos. Depois das Avenidas Ibirapuera e República do Líbano, o comboio chega ao Parque do Ibirapuera, um dos destinos preferidos de turistas e moradores no domingo.
Theatro Municipal fica no coração de São Paulo, ao lado do Viaduto do Chá (Foto: Divulgação/Ministério das Relações Exteriores)
Dentro do parque, o roteiro inclui Museu Afro-Brasil, Pavilhão Japonês, Praça da Paz, MAC e Oca. De lá, a tocha Olímpica segue pelas avenidas Brasil e Rebouças, Mercado Municipal, Estação da Luz/Pinacoteca, Estádio do Pacaembu, Avenida Sumaré, Memorial da América Latina e Campo de Marte. O revezamento termina no Sambódromo, onde Ademir da Guia, Zetti e Rivelino, ídolos de Palmeiras, São Paulo e Corinthians, vão acender juntos a pira de celebração. A partir das 20h, começam os shows de Ludmilla e Luan Santana.
A "praia" paulistana é o Ibirapuera, com seus lagos e seu verde (Foto: Divulgação)
“Nós escolhemos pontos históricos e importantes da cidade. São lugares que a população de São Paulo identifica como dela. O Parque do Ibirapuera, por exemplo, é a praia do paulistano. O Pacaembu é nosso maior centro esportivo, e a Avenida Paulista é onde tudo acontece”, explica Italo Cardoso, coordenador do grupo de trabalho para o revezamento da tocha Olímpica na capital paulista.
Para conseguir mostrar bem a diversidade de uma cidade tão grande, a rota do revezamento em São Paulo é a segunda maior do Brasil (atrás apenas do Rio de Janeiro), com 51 km e 260 condutores. Além de Ademir da Guia, Zetti e Rivelino, vão participar do revezamento outros atletas e ex-atletas. Entre eles, Casagrande e Juliana Cabral (também do futebol), Walewska, Carol, Fofão, Amauri e Montanaro (voleibol), Tiago Camilo e Ketleyn Quadros (judô), Éder Jofre e Chiquinho (boxe), Gustavo Borges e Ricardo Prado (natação) Bob Burnquist e Rony Gomes (skate), Anderson Varejão (basquetebol), Jadel Gregório (atletismo), Maria Esther Bueno (tênis), Alexandre Welter (vela), Fernando Fernandes (paracanoagem) e Lais Souza (ginástica artística e esqui aéreo). “Eu não imaginava que fosse algo tão grandioso assim. Tenho acompanhado o revezamento pelo Brasil, na TV, e é emocionante. Para mim, é gratificante saber que vou entrar para a História.” diz Lais.
Masp, na avenida Paulista, não podia ficar de fora da rota do revezamento da chama (Foto: GettyImages)
Também serão condutores da tocha Olímpica personalidades como os cantores Daniel, Luan Santana e Ludmilla, o ator Tony Ramos, a cartunista, roteirista e ativista transgênero Laerte, a apresentadora Sabrina Sato, o pianista e maestro João Carlos Martins, e o grupo Demônios da Garoa, ícone da cultura paulistana. Mas, entre os condutores, há espaço para pessoas que não são tão conhecidas do grande público, mas fazem diferença na sociedade.
O músico e pedagogo Paul Lafontaine, por exemplo, criou o projeto Alma de Batera, em 2008, para ensinar crianças com deficiência a tocarem bateria. "Eu não sou atleta, mas trabalho com educação inclusiva. Tão grande quanto a alegria de participar do revezamento da tocha Olímpica é perceber a evolução dos meus alunos, principalmente no que diz respeito à auto-estima, socialização e autonomia", conta. Já Nilson José Garrido ensina boxe a moradores de rua e pessoas em situação de risco. "Todas as pessoas que passaram pelo projeto têm um pedacinho dessa tocha. Transformamos muitas vidas com esse trabalho", diz.
“A tocha Olímpica não é só do esporte. É também das pessoas que constroem o Brasil. É feita de pessoas, a imensa maioria gente como a gente”, diz Mario Andrada, diretor-executivo de Comunicação do Rio 2016.