Tocha Olímpica viaja pela diversidade cultural brasileira
Cores e ritmos do Brasil marcam o primeiro mês do revezamento do símbolo de paz dos Jogos no país
Cores e ritmos do Brasil marcam o primeiro mês do revezamento do símbolo de paz dos Jogos no país
Grupos folclóricos de reisado com suas cores e dança receberam a tocha Olímpica em Caruaru, no estado de Pernambuco (Rio 2016/Fernando Soutello)
Na primeiro mês do revezamento, a tocha Olímpica Rio 2016 mostrou ao mundo uma das melhores características do Brasil: a diversidade cultural. Danças, músicas, rituais religiosos e trajes típicos foram as formas que moradores de cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país encontraram para homenagear o símbolo de paz e união dos Jogos Olímpicos.
Em Goiás, primeiro estado que a tocha percorreu após a capital Brasília, ganhou uma saudação típica da tradição boiadeira. O berrante anunciou o revezamento em Itaberaí. O instrumento é usado na condução do gado, mas também é presença marcante em festas de peão em Goiás e outros estados do Brasil.
A histórica Diamantina, em Minas Gerais, saudou a passagem da tocha com a Vesperata, evento que acontece na cidade desde o século 19, com músicos que tocam nas sacadas do casario histórico para o público na rua.
Minas não tem mar, mas tem marujos. Em Couto de Magalhães, um grupo da dança folclórica Marujada levou seus meninos para o revezamento da tocha. A manifestação tradicionalmente é apresentada em agosto na festa de Nossa Senhora do Rosário, mas a passagem da chama pelo município de pouco mais de 4.000 habitantes foi motivo para o grupo antecipar a dança.
No Bahia, o ritmo contagiante e as cores do Olodum bateram seus tambores para a tocha no Pelourinho, ponto turístico e patrimônio histórico de Salvador.
Condutores da tocha fazem pedidos ao Senhor do Bonfim pelo Rio 2016
Não houve quem não ficasse arrepiado com a benção recebida pelo atleta de maratona aquátia Allan do Carmo do afoxé Filhos de Gandhy. O cortejo de candomblé, cujo desfile é um dos pontos fortes do Carnaval da Bahia, cercou a tocha Olímpica na escadaria da Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador. "Fiquei surpreso, uma energia sensacional. Curti, comemorei e dancei o que não sabia dançar", disse o primeiro nadador brasileiro a garantir vaga nos Jogos Rio 2016.
Da matriz africana nasceram várias manifestações folclóricas e religiosas difundidas por todo o país. Grupos de capoeira embalaram com o gingado do berimbau a passagem da tocha na capital da Bahia.
Ainda no Nordeste, a cultura sertaneja se fez presente em Poço Redondo, Sergipe, onde grupos infantis de mini cangaceiros vestidos Lampião e Maria Bonita, fizeram apresentações de xaxado, ritmo que nasceu em Pernambuco, mas ganhou o Nordeste levada pelos cangaceiros. Mirele Araújo, de 11 anos, explicou o que é a dança para a cidade.
Em uma cerimônia emocionante, a chama foi recebida na Serra da Barriga, na região de União dos Palmares, em Alagoas, pelo coletivo Afro Caeté, que entoou cantos em homenagem a Zumbi dos Palmares e a Xangô, orixá do fogo.
Tocha Olímpica chega a Pernambuco no clima das festas de São João
O som forte das alfaias do maracatu, do grupo Porto Rico, deu ritmo ao acendimento da pira na celebração do fim de dia de revezamento no Marco Zero de Recife, capital de Pernambuco.