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Um mundo novo

Refugiados buscam experiências como voluntários dos Jogos

Por Danilo Valentini

'Quero apresentar a cultura brasileira que estou aprendendo', diz um dos 38 estrangeiros do programa do Rio 2016, feito com a ONU

Refugiados buscam experiências como voluntários dos Jogos

Os refugiados voluntários Rio 2016 Aklah Fiasese, Prisca Mbamu, Keila Castillo, Sekou Dabo e Mireille Mulanga, em frente ao estádio do Maracanã (Fotos: Gabriel Nascimento/Rio 2016)

Oportunidade, aprendizado e intercâmbio: as palavras podem até mudar, mas o espírito participativo é o mesmo para boa parte dos refugiados que vivem no Rio de Janeiro e se ofereceram para atuar entre os 50 mil voluntários dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, numa parceria feita com a Organização das Nações Unidas.

“Quero apresentar aos estrangeiros durante os Jogos a cultura brasileira que estou aprendendo, mostrar o coração do Brasil”, planeja o sírio Mohammad Ghannam, de 30 anos, filho de pais palestinos e que deixou a Síria há dois anos, em meio à guerra civil que já deixou mais de 470 mil mortos no país.

Mohammad é um dos 38 refugiados ou solicitantes de refúgio selecionados pelo Programa de Voluntários do Rio 2016, que serão distribuídos em mais de 500 funções em áreas diversas como transportes, atendimento ao público e serviços de intérprete. O processo foi realizado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e tem apoio da Cáritas Arquidiocesana do Rio, responsável por dar auxílio jurídico e cursos de capacitação para mais de 6 mil estrangeiros.

Sekou Dabo, da Guiné

Ex-estudante de direito, Mohammad se empolgou com a história do Brasil após iniciar os estudos de língua portuguesa. “Leio tudo sobre os indígenas e adorei quando fui visitar o Palácio do Catete e vi que há um quarto com decoração mourisca”, diz, orgulhoso da influência dos países árabes e da quantidade de restaurantes sírios na cidade.

Autoestima também melhora

Assim como Mohammad, o taxista e guia turístico Sekou Dabo, da Guiné, olha para o Rio 2016 como uma forma de resgatar um pouco da autoestima abalada pelo processo de mudança. “Os Jogos são uma oportunidade para intercâmbio com outros estrangeiros. É o benefício de estar conectado”, afirma Sekou, de 26 anos, que buscou refúgio após um conflito religioso que envolveu a morte de sua mãe.

Prisca Mbamu, da República Democrática do Congo

Conhecer uma nova cultura e reencontrar compatriotas são sensações que moveram a jornalista Prisca Mbamu, de 28 anos, da República Democrática do Congo. Hoje cabelereira em Madureira, ela preferiu se inscrever no Programa de Voluntários a concorrer a uma vaga de funcionária do Rio 2016, opção que também foi dada aos refugiados.

“Meu pai me dizia que a gente precisa de dinheiro, sim, mas, se há uma oportunidade para crescer, temos que aproveitar”, conta Prisca, que fica facilmente com os olhos cheios de lágrimas quando fala da saudade de sua família. Ela deixou seu país quando se envolveu numa crise ao fazer uma reportagem crítica ao governo local. Sem emprego e perspectiva, resolveu acompanhar uma amiga que veio visitar o Rio em 2013 e acabou ficando.

Para ficar perto dos esportes

Também inspirada por uma mensagem de seu pai, a biomédica venezuelana Keila Castillo, de 29 anos, não pensou duas vezes para atuar como voluntária. “Ele dizia que o esporte é o que faz você ficar feliz pelo esforço de outra pessoa”, diz Keila, que chegou numa comunidade do centro do Rio há pouco menos de um ano. Esportista nata, Keila trocou o vôlei pelo futebol após uma lesão no pulso e virou jogadora universitária no seu país, como “uma lateral que joga tanto na direita como na esquerda”. Com fôlego invejável, corria maratonas quando podia.

Aklah Fiasese, do Togo

O esporte é o fio condutor para muitos refugiados que procuram o Programa de Voluntários, como o cineasta Aklah Fiasese, de 58 anos, de olho na dobradinha Jogos Olímpicos e Brasil para uma nova e grandiosa produção. Hoje funcionário do consulado de seu país no Rio de Janeiro, Aklah desembarcou no Brasil após sofrer perseguição política pelo tom crítico dos filmes que fazia para a TV do Togo.

Agora, não pensa em outra coisa a não ser poder voltar a filmar. “Cineasta é alguém que grava tudo na cabeça, as coisas boas e ruins. E creio que os Jogos vão dar um filme de coisas boas na minha cabeça”, diz.