Recordista sul-americano dos 100m, Robson Caetano volta a Manaus para conduzir tocha Olímpica
Emocionado, velocista brasileiro medalha de bronze em Seul 1988 e Atlanta 1996 lembra títulos conquistados com equipe amazonense
Emocionado, velocista brasileiro medalha de bronze em Seul 1988 e Atlanta 1996 lembra títulos conquistados com equipe amazonense
Robson Caetano foi ovacionado pela população de Manaus que foi às ruas para ver o símbolo dos Jogos Olímpicos (Foto: Rio2016/Fernando Soutello)
Especializado em correr curtas distâncias em alta velocidade, o ex-atleta Robson Caetano percorreu 200 metros em um ritmo bem mais tranquilo neste domingo (19). Ele conduziu a chama Olímpica em Manaus, cidade que marcou a trajetória profissional do carioca, que tem quatro participações Olímpicas e dois bronzes no currículo.
“Foi muito bacana carregar esse fogo simbólico, é motivo de muito orgulho. Conduzir a tocha nesta cidade também é grandioso por algumas razões. A primeira delas é que eu competi por Manaus. Sou medalhista Olímpico por Manaus e tenho grandes amigos aqui”, enumera o ex-atleta, que foi ovacionado pelo público da cidade durante a condução.
O presidente do Rio 2016 Carlos Arthur Nuzman cumprimentou o amigo Robson Caetano durante condução em Manaus (Foto: Rio2016/Fernando Soutello)
Caetano acredita no trabalho dos atletas brasileiros e na chance do time estar nas finais Olímpicas no Rio 2016. Ele destaca as modalidades salto com vara, marcha atlética e maratona como as favoritas para a equipe brasileira.
De acordo com ele, o preparo físico do atleta interfere cada vez menos no resultado. “Os atletas têm um treinamento muito parecido. O psicológico é que faz uma grande diferença. A minha dica para eles é: divirtam-se. Façam com que as pessoas entrem no espírito Olímpico com vocês. Vamos encarar os Jogos com seriedade, mas vamos nos divertir”, aconselha o ex-atleta.
Único velocista brasileiro a ter disputado uma final Olímpica dos 100m, em Seul 1988 (onde foi bronze nos 200m), Robson mantém até hoje o recorde sul-americano da prova mais rápida do atletismo, ao percorrer a distância em 10 segundos cravados. Os motivos de nenhum atleta ter ainda quebrado a marca, para ele, tem a ver com determinação.
“Eu treinei muito, além das minhas possibilidades, para chegar a um resultado tão exato. Eu o chamo de “gota”: um segundo para cada dez metros. Tem outro ponto também, estamos invertendo a cadeia. Os jovens atletas estão ganhando dinheiro e montando famílias ao mesmo tempo. Quando atingem uma marca, caem no erro do comodismo, não buscam melhorar. Isso desmotiva. Para chegar lá, tem que treinar muito e acreditar muito no trabalho”, analisa o velocista, que também conquistou a medalha de bronze no revezamento 4 x 100m, em Atlanta 1996.
O ex-atleta aponta dificuldades em descobrir novos talentos e renovar as equipes. Para ele, a solução está em reativar o esquema de “olheiros” nas ruas, além de políticas públicas voltadas para a descoberta de novos nomes para o esporte. “Falta estabelecermos uma política que possa abraçar as escolas em grandes campeonatos ou festivais de saltos e arremessos, para detectamos esses valores e os trazermos para as pistas. Precisamos fazer isso de uma maneira inteligente, em escolas ou festivais, por exemplo”, opina.