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Um mundo novo

Que tal uma trilha no Vidigal? Passeio oferece visão alternativa da cidade dos Jogos Olímpicos

Por Mark Beresford

Iniciativa do Rio 2016 em parceira com Nações Unidas usa turismo para gerar desenvolvimento sustentável em comunidades

Que tal uma trilha no Vidigal? Passeio oferece visão alternativa da cidade dos Jogos Olímpicos

Turistas chegam ao topo do Morro Dois Irmãos (Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento)

No topo do Morro Dois Irmãos, a 500 metros de altura, brasileiros e estrangeiros se encantam com a vista das praias de Ipanema, São Conrado e Leblon. Inimaginável cinco anos atrás, a cena aconteceu no último fim de semana no Vidigal, quando visitantes subiram a favela para fazer uma caminhada repleta de belas paisagens.
 
A trilha é um dos diversos passeios pela cidade que a campanha Passaporte Verde dos Jogos Rio 2016 está promovendo, em parceria o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O objetivo é usar o turismo como fonte de desenvolvimento sustentável em comunidades de baixa renda.
 
Os roteiros publicados no site e no aplicativo da campanha já incluem opções pelo Parque Nacional da Tijuca, pelo Morro dos Cabritos e Tabajaras em Copacabana e, em breve, apresentarão possibilidades de passeios no Morro Dona Marta em Botafogo e no Morro da Babilônia no Leme.
 
 
A trilha começa no ponto mais alto do Vidigal e, para chegar até lá, é possível subir de kombi ou mototáxis que cortam as ruelas da comunidade. Logo no início, os turistas se depararam com uma vista única da Pedra da Gávea, enquanto asas-deltas coloridas partiam do alto da Pedra Bonita.
 

Após uma hora de caminhada, o grupo foi recompensado com uma visão impressionante dos bairros de Ipanema, Leblon, Lagoa, Botafogo e Jardim Botânico. "O incrível dessa trilha é que há ângulos diferentes da cidade em todo lugar que você olha", disse a estudante italiana Rossana Sarra. Mais do que encantar visitantes, a iniciativa é um novo capítulo na longa história da comunidade.

Em paz e com mais negócio

Até a década de 1970, cantores, músicos e outros trabalhadores dividiam espaço no Vidigal. Porém, o crescimento de grupos ligados ao tráfico de drogas fez com que o Estado perdesse o controle da favela nas décadas seguintes. "Era comum ver vários jovens armados pelas ruas", afirma Edmilson Morais, de 44 anos, guia turístico e morador da comunidade.
 
Este  cenário começou a mudar em 2011, quando uma grande operação policial abriu caminho para a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no ano seguinte. "Hoje, é um lugar muito melhor para criar meu filho e para fazer negócio", garante Edmilson. Em seus passeios, ele apresenta restaurantes, lojas, projetos sociais e ambientais, além de outras atrações do local onde vive, como a sede do grupo de teatro Nós do Morro.
 
Grupo de percussão Morenas de Sol se apresenta no Vidigal (Photo: Rio 2016/Gabriel Nascimento)
 
A paz rendeu bons frutos no Vidigal. Com a diminuição da violência nos últimos anos, vieram turistas do Brasil e do exterior. No topo da favela, bares passaram a abrigar algumas das festas mais animadas da cidade. A ideia de iniciativas como o Passaporte Verde é impulsionar ao máximo o potencial que o turismo tem de transformar a comunidade. "É importante para nós que os turistas não façam só a trilha dos Dois Irmãos e vão embora. Queremos que eles fiquem mais tempo aqui, vejam o que temos a oferecer", explica Edmilson.
 
Adam Newman, do Favela Experience, no Vidigal (Foto: Rio 2016/Gabriel Nascimento)

Para visitar, hospedar e morar

O passeio no Vidigal faz tanto sucesso que alguns visitantes acabam virando moradores. É o caso de Adam Newman, diretor executivo da firma Favela Experience. Há quatro anos, ele veio do Estado americano do Colorado para a comunidade, logo após terminar a faculdade. Ficou e não se arrepende. "A UPP transformou a segurança no Vidigal e o medo foi embora", afirma ele. "Isso deu aos negócios daqui a oportunidade de crescer e abriu a comunidade para o mundo."
 
De acordo com Adam, cinco por cento dos 30 mil moradores do Vidigal são de fora do Brasil. Muitos são estudantes e artistas para quem a favela combina vista de cartão-postal e localização privilegiada. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, turistas de diversas partes do mundo e do país já estão reservando hospedagens locais, como em albergues e casas de moradores através do site de compartilhamento Airbnb.