'Quase bati o carro quando soube que seria o primeiro condutor da tocha', diz Petrounias
Rival de Zanetti, o ginasta grego torce para que o brasileiro acenda a pira Olímpica, mas vem com tudo para tomar dele o ouro no Rio 2016
Rival de Zanetti, o ginasta grego torce para que o brasileiro acenda a pira Olímpica, mas vem com tudo para tomar dele o ouro no Rio 2016
Campeão mundial, Petrounias perdeu o ouro para Zanetti em evento-teste do Rio 2016 (Getty images/Ian MacNicol)
Texto: Thiago Minete
Arthur Zanetti é um dos atletas mais queridos do Brasil. Atual campeão Olímpico, o ginasta é favorito ao ouro dos Jogos Rio 2016 nas argolas. Se conquistar o bi Olímpico, em casa, pode se consolidar como um dos maiores ídolos da história do esporte brasileiro. Só que um sujeito pode impedir tudo isso: Eleftherios Petrounias. Além de ser o atual campeão mundial das argolas, o ginasta grego foi escolhido como o primeiro condutor da Tocha Olímpica Rio 2016, após cerimônia de acendimento da chama, que acontece nesta quinta-feira (21), em Olímpia, na Grécia.
Principal rival de Zanetti, ele estava no Rio de Janeiro nos últimos dias para disputar o Qualificatório Final de Ginástica, na Arena Olímpica do Rio. Nesta segunda-feira (18), perdeu o ouro nas argolas para o brasileiro, mas não se abalou. Ele sabe que, esta semana, vai protagonizar um momento sagrado no universo Olímpico:
Eleftherios Petrounias, atleta grego que vai conduzir a tocha dos Jogos Olímpicos Rio 2016, após cerimônia de acendimento, nesta quinta-feira, na Grécia

Petrounias dirigia seu carro quando o celular tocou. Viu que a ligação era de Spyros Capralos, presidente do Comitê Olímpico Helênico. Aí achou melhor atender - via bluetooth, claro. Mesmo assim...
Petrounias embarca, nesta terça-feira (19), de volta a Atenas. De lá, viaja cerca de 300km para Olímpia. Na cidade que deu origem aos Jogos Olímpicos, ele recebe, na quinta-feira (21), a tocha Olímpica já acesa, das mãos de Katerina Lahou, que interpreta a "alta sacerdotisa" na cerimônia de acendimento. Após percorer os primeiros 250 metros do revezamento da tocha Rio 2016, Petrounias passa a chama ao ex-jogador de voleibol Giovane Gávio, bicampeão Olímpico em Barcelona 1992 e Atenas 2004, que será o primeiro brasileiro a ser condutor.
Não é a primeira vez que o ginasta grego tem um papel de destaque. Ele conduziu a bandeira de seu país na cerimônia de abertura dos Jogos Europeus Baku 2015. Só que, para um atleta, a tocha Olímpica tem outro simbolismo:

A tocha sempre é acesa em Olímpia, na Grécia, e o primeiro condutor é tradicionalmente grego, porque, afinal, eles inventaram os Jogos Olímpicos. Petrounias explica que, normalmente, o escolhido é um atleta que tenha atingido alta performance esportiva durante o último ciclo Olímpico. Definitivamente, ele se encaixa no perifl: só em 2015, o ginasta de 1,64m foi campeão europeu em Montepellier, campeão dos Jogos Europeus em Baku e campeão mundial em Glasgow. E virou um ídolo nacional:
Esta foi a primeira vez que Petrounias esteve no Rio. "E poderia ficar por aqui. Adorei", disse.
Bom, ele já tem data marcada para a próxima visita. No Qualificatório Final de Ginástica - que segue até a sexta-feira (22) com as competições de trampolim e ginástica rítmica -, o ginasta grego garantiu sua vaga para os Jogos Rio 2016. Em agosto, com os ótimos resultados de 2015, ele será o principal rival de Arthur Zanetti nas argolas. A competição, ele garante, fica só nas arenas. E deseja que o ginasta brasileiro tenha nestes Jogos Olímpicos uma sensação parecida com que ele vai protagonizar, nesta quinta-feira (21), em Olímpica:
Petrounias está engasgado na garganta do brasileiro desde que venceu o Mundial Glasgow 2015. Nesta segunda-feira (18), Zanetti mandou seu recado: na final das argolas do evento-teste na Arena Olímpica do Rio - um "esquenta" para os Jogos -, o brasileiro contou com a ajuda da torcida e venceu. Apertado, mas venceu. Terceiro a se apresentar no Qualificatório Final de Ginástica, Zanetti obteve nota 15.866, com o público aplaudindo cada movimento dele. Depois da apresentação de Petrounias, último ginasta nas argolas, a torcida sentiu a tensão da espera pela nota do grego. Quando as caixas de som anunciaram os 15.833 pontos, a arena veio abaixo.
Arthur Zanetti, campeão nas argolas no Qualificatório Final de Ginástica

No Mundial de Glasgow 2015, Zanetti admitiu que não esperava ficar fora das finais. Mesmo focado em garantir a vaga por equipes para o Brasil - que o levou a aumentar seu desempenho em outros aparelhos, além das argolas-, o brasileiro "sabia que ficar fora das finais nas argolas era uma possibilidade, mas foi um choque quando aconteceu", conta.
Agora, com o ouro sobre o principal rival no evento-teste para o Rio 2016, na mesma arena em que a ginástica será disputada nos Jogos Olímpicos daqui a quatro meses, Zanetti tem mais tranquilidade para treinar, certo? Errado.
Outros nove aparelhos tiveram suas finais na segunda-feira (18). Além de Arthur Zanetti, Flávia Saraiva foi o destaque do Brasil. A ginasta de 1,46m, que já havia conquistado a prata no individual geral, ficou com o ouro no solo e a prata na trave de equilíbro. Epke Zonderland, ouro na barra fixa, e Oksana Chusovitina, prata no salto sobre a mesa, foram os outros destaques.
Confira no site da Federação Internacional de Ginástica os resultados de todas as provas
