Pugilistas de 18 países se enfrentam em ringues do Riocentro
Evento-teste do Rio 2016 tem combates masculinos e femininos de sexta-feira a domingo
Evento-teste do Rio 2016 tem combates masculinos e femininos de sexta-feira a domingo
Atletas da Grã-Bretanha treinam para o evento-teste no Riocentro (Rio 2016/Alex Ferro)
Boxeadores do Brasil, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha, Tailândia, Índia e de outros 12 países estão inscritos no Torneio Internacional de Boxe, que começa nesta sexta-feira (4), a partir das 11h, no Pavilhão 4 do Riocentro. Parte da série de eventos-teste para os Jogos Olímpicos Rio 2016, as lutas reúnem 69 atletas - 16 mulheres e 53 homens - e as finais ocorrerão no domingo (6).
Para muitos dos atletas, o evento-teste representa muito mais do que uma avaliação: é a chance de mostrar que podem fazer parte da seleção brasileira. Esse é o caso de Gidelson Silva de Oliveira, da categoria pesado (até 91kg), que esteve com o grupo entre 2004 e 2011.
Gidelson de Oliveira, pugilista brasileiro que tem como primeiro adversário o indiano Parveen Kumar
Joedison 'Chocolate' Teixeira, da categoria até 64kg, também se diz ansioso para o evento-teste. Bronze nos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015, com 21 anos, ele espera ter uma ideia de como será o Rio 2016: “De Jogos Olímpicos, ainda não tive nem a raspinha". O adversário da primeira luta de Chocolate sai do confronto entre Thabiso Dlamini, da Suazilândia, e Wuttchai Masuk, da Tailândia.
Robson Conceição, mais experiente (foi aos Jogos Olímpicos Pequim 2008 e Londres 2012, além de ter sido prata e bronze nos Mundiais de 2013 e 2015, na categoria até 60kg), lembra que os Jogos Olímpicos são daqui a nove meses e, assim, pode aproveitar o evento-teste para se ambientar ao local de competição e observar possíveis adversários. Robson lutará com o vencedor da luta entre Luke McCormack, da Grã-Bretanha, e Carlos Balderas, dos Estados Unidos.
Entre as mulheres, o Brasil terá Graziele Jesus (até 51kg), Taynna Cardoso (até 60kg) e Flávia Figueiredo (até 75kg). Das internacionais, o destaque é a indiana Mary Kom. A campeã Olímpica Claressa Shields está com uma lesão no pulso esquerdo e não pode entrar no ringue, mas decidiu vir com o grupo dos Estados Unidos para se ambientar ao Rio de Janeiro.

Encerrados os Jogos de Londres, a Associação Internacional de Boxe Amador (Aiba) decidiu iniciar testes de lutas com pugilistas sem protetores de cabeça. Assim, o Mundial de Almaty 2013, no Cazaquistão, não teve os protetores de cabeça. A medida, inicialmente provisória, tornou-se obrigatória para os anos de 2015 e 2016 em novembro de 2014, quando a Aiba divulgou um estudo com mais de 30 mil lutas que apontou maior incidência de lesões cerebrais quando o atleta usa os protetores de cabeça. A medida está valendo apenas para homens acima de 18 anos e da categoria principal (os boxeadores mais jovens, como as mulheres, ainda lutam com capacete).
E se a Aiba ainda aguarda a conclusão de estudos científicos para divulgar a decisão final, que valerá para todas as idades e pesos, para homens e mulheres, já é esperado que os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 serão os primeiros totalmente sem os protetores de cabeça. A Aiba também avalia fazer os homens lutarem sem as camisetas. A ideia de "sainhas" para mulheres foi totalmente rejeitada pelas atletas.
No evento-teste do Riocentro haverá os protetores de cabeça para as mulheres, como previsto para os Jogos Rio 2016. Estão reservados 40 azuis e 40 vermelhos, sendo dez de cada um dos quatro tamanhos (P, M, G e GG). Ainda com relação a equipamentos, mulheres têm (40, sendo dez de cada tamanho) protetores de seios. Os homens têm protetores de virilha (chamados de coquilhas).
José Inácio Fossati, especialista em boxe do Comitê Rio 2016
Também são necessários protetores bucais para todos os boxeadores. “Servem como amortecedores dos golpes”, explica o argentino José Inácio Fossati, especialista em boxe do Rio 2016. Os protetores de cabeça são mais para evitar cortes, segundo Fossati. “Não faz tanta diferença, no caso dos golpes. E aqueles que são contra o uso dos capacetes ainda argumentam que eles limitam a visão periférica, o que atrapalha na esquiva dos ataques do adversário”.
Robson Conceição conquista primeira vaga da equipe do Brasil
Ataduras para proteção das mãos e também os 40 pares de luvas azuis e 40 pares de vermelhas, de 10 e 12 onças (quanto menos onças, mais impacto; assim, de até 49kg e até 64kg, são luvas de 10 onças; de até 69kg até mais de 91kg, de 12 onças) para todos os inscritos estão disponíveis no Riocentro.
Nas áreas de aquecimento da instalação estão disponíveis 18 sacos de areia, em diferentes tamanhos, e três “peras”, assim como ringues de treinamento.
Breno Pontes, gerente de boxe do Rio 2016, diz que no evento-teste do Riocentro serão avaliados o sistema de resultados, serviços médicos, antidoping, equipamentos esportivos, fluxo de pessoas e voluntários.