Projeto de intercâmbio cultural do Transforma chega ao MAR em encontro final
Ação conectou colégios do Rio a escolas estrangeiras de 17 países e criou laços que serão mantidos mesmo depois dos Jogos.
Ação conectou colégios do Rio a escolas estrangeiras de 17 países e criou laços que serão mantidos mesmo depois dos Jogos.
Encontro no Museu de Arte do Rio reúne representantes das escolas e de entidades diplomáticas (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Situado em uma repaginada Praça Mauá, na zona portuária carioca, o Museu de Arte do Rio (MAR) vive a expectativa de ser um ponto de encontro para pessoas do mundo todo durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, quando a movimentação de turistas promete aumentar bastante. Mas um gostinho dessa vocação à la Torre de Babel pôde ser sentido já na última terça-feira (19), quando o programa de educação do Comitê Rio 2016 promoveu um evento de encerramento do Conexão Transforma no espaço cultural.
Esse é o projeto de intercâmbio que, desde fevereiro, vem conectando colégios estaduais da região metropolitana do Rio a escolas estrangeiras de 17 países, sempre por intermédio dos respectivos consulados. Depois que os representantes escolares – entre os quais estavam diretores, professores e alunos – e das entidades diplomáticas fizeram uma visita guiada pelo museu, cada uma das 34 escolas participantes foi premiada com uma réplica da tocha Olímpica.
“Normalmente, a gente vê muita foto, mas contato, mesmo, não tem. É muito importante conhecer culturas diferentes além das imagens”, afirmou Laurene Souza, 16, aluna do Colégio Estadual Professor Clóvis Monteiro, enquanto vasculhava a caixa recebida da escola amiga Cientro Educativo Guillermo Endara Galimany, no Panamá. “Tem riqueza de detalhes e foi feito com cuidado. Eu vejo uma cultura fortemente indígena nos detalhes tribais, nas cores vibrantes. É bem folclórico – não muito diferente do Brasil”.
Laurene Souza e Marlene Cerrud, cônsul do Panamá: integração de culturas diferentes (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Além da troca de caixas com objetos típicos, cada instituição participante produziu um vídeo com esportes muito praticados em sua nação e ainda vai montar uma feira para expor o aprendizado de seus alunos sobre hábitos culturais do país amigo, como vestes tradicionais, culinária e artesanato. Apesar de o Conexão Transforma já ter oferecido às escolas grandes oportunidades de interação nas frentes cultural e esportiva, alguns laços costurados internacionalmente vão perdurar ainda por um tempo, mesmo depois dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. “Queremos plantar a semente para que vocês mantenham essa relação e gerações futuras das suas escolas possam desfrutar desse legado”, disse Vanderson Berbat, gerente geral de Educação do Comitê Rio 2016, ao público de colégios e consulados reunido no auditório do MAR.
A conexão Brasil-Japão, protagonizada no lado de cá do Pacífico pelo Colégio Estadual Erich Walter Heine e no lado de lá pela Hakuo High School, de Tóquio, é um desses casos. A escola em Santa Cruz, zona oeste do Rio, vai receber oficinas de mangá e origami e apresentações de vídeos sobre a sociedade, a vida escolar e a política japonesas – tudo oferecido pelo consulado geral do país asiático no Rio. Os estudantes de Tóquio, aliás, ficaram encantados com os objetos enviados na caixa do Erich Walter Heine. Só não curtiram muito os brigadeiros e cajuzinhos, muito doces para o paladar deles.
Cada escola foi premiada com uma réplica da tocha Olímpica (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Francisco Júnior, diretor do Colégio Estadual Pedro Álvares Cabral, também falou dos ganhos que sua instituição tirou da troca com o Evangelisches Gymnasium Hermannswerder, de Potsdam, na Alemanha. “Tivemos um intercâmbio muito importante na parte pedagógica. Um de nossos alunos recebeu uma bolsa no Instituto Goethe (referência no ensino de alemão no Rio de Janeiro)”, celebrou o educador.
Quem sabe, agora que cada escola tem a tocha em mãos, não seja possível um revezamento só do Conexão Transforma? Com o primeiro passo (e mais alguns depois dele) dado ao longo das três etapas do projeto do programa de educação do Comitê Rio 2016, fica a grande torcida pela manutenção duradoura dos laços Olímpicos e Paralímpicos estabelecidos entre a educação no Brasil e em nações como Peru, Canadá, França, Espanha, Argentina, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Itália, Cabo Verde, Rússia, Países Baixos, Suíça, Uruguai, Noruega... Voltemos à Laurene, que garante: “Querendo manter os laços e se houver interesse de ambas as partes, tudo é possível.” Se ela quer? A exclamação final da aluna responde: “Eu quero!”