Preste atenção no Petrucio: "ele é o Neymar do atletismo Paralímpico"
Com 19 anos, o atleta da classe T47 já é recordista mundial e está focado na disputa dos 100m do Rio 2016
Com 19 anos, o atleta da classe T47 já é recordista mundial e está focado na disputa dos 100m do Rio 2016
Petrucio acabou de fazer 19 anos e já é recordista mundial (MPIX/CPB/Jonne Roriz)
"Petrucio Ferreira nasceu para correr", diz Edílson Alves da Rocha, o Tubiba, diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Recordista mundial - com o tempo de 21s49 nos 200m da classe T47 (para atletas amputados de um dos braços, na altura do cotovelo) -, o garoto que acaba de completar 19 anos, em 18 de novembro, deverá ser um dos grandes nomes dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, segundo o dirigente. “Ele é o nosso Neymar do atletismo”, afirma.
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Há dois anos, Petrucio pouco sabia de atletismo. Jogava futebol – e bem, como ele mesmo conta: “Recebia a bola, dava uma arrancada para o ataque... Eu me destacava até entre os ‘normais’.” Nascido em Caiacó, no Rio Grande do Norte, foi criado no interior da Paraíba, em Catolé do Rocha, região de São José do Brejo da Cruz, onde ainda bem criança perdeu a mão esquerda em uma moenda de cana. Jogador de futsal nos Jogos Escolares da Juventude, ele lembra que chamou a atenção de Ricardo Ambrósio, do Ministério do Esporte, que falou com o professor Paulo Roberto, responsável pelo time, sobre a possibilidade do garoto ir para o atletismo. Petrucio aceitou o convite "de boa" mesmo sem muitas informações sobre o esporte.
Petrucio Ferreira, velocista que é uma das grandes apostas do Brasil no Rio 2016
Do teste em diante, tudo aconteceu muito rápido: “Eles me chamaram para competir em uma etapa regional em João Pessoa e ganhei de cara. Ganhei os 100m e o arremesso do peso, além de ficar em segundo no salto em distância. Em novembro de 2013, viajei para São Paulo para disputar o campeonato nacional e ganhei.”
Com desempenho tão fulminante, ele foi convidado para morar em João Pessoa, na casa do técnico Pedro de Almeida Pereira, para treinar na pista da Universidade Federal da Paraíba. Em março de 2014, lá estava o brasileiro no Sul-Americano Juvenil de Santiago do Chile. Ganhou os 200m. Um mês depois, em São Paulo, bateu o recorde mundial da prova, na classe T47 – ainda com 17 anos. Com 21s49, baixou em 25 centésimos de segundo a marca que era do australiano Francis Heath, de 21s74, conquistada com o ouro Paraolímpico de Pequim 2008.
Este ano, Petrucio garantiu o ouro dos 200m no Parapan-Americano de Toronto e só não participou do Mundial de Atletismo em Doha, no Catar, em outubro, porque sofreu um estiramento muscular na coxa direita.
Petrucio diz que gosta mais de correr os 200m porque tem mais tempo para se recuperar de qualquer erro que tenha na largada – que ainda considera fraca. “Nos 200m, não me preocupo tanto em largar bem porque posso me expressar mais na corrida. Acho espaço na pista para correr. Pensei até nos 400m, mas me disseram que ainda não tenho musculatura para correr essa prova, porque envolve resistência, além da velocidade", explica Petrucio, agora focado no treinamento para os 100m, já que nos Jogos Rio 2016 não haverá a prova de 200m (são intercaladas a cada edição de Jogos Paralímpicos).
De acordo com o coordenador técnico de atletismo do CPB, Ciro Winckler, Petrucio se mantém ganhando velocidade até os 50m/60m do percurso das prova, faixa de atletas Olímpicos (entre os Paralímpicos, o normal é aceleração até 40m/50m. E ainda com a vantagem de ainda ser novo e ter muito a trabalhar – porque só tem dois anos de atletismo. Outro dado importante é seu tempo de reação (ao tiro de largada), muito acima da média. “Quero me dedicar muito para defender o Brasil. A cada competição vou melhorando. Meu técnico diz que é um dom que Deus me deu, mas gosto de treinar também.”
Dedicado aos treinamentos, o jovem atleta ainda não teve tempo para repetir os atos do personagem Petrúcio da peça “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, um dos convidados da família Capuleto que “canta” Catarina. “O pessoal brinca comigo: ‘Petrúquio (pronúncia em italiano de Petruccio), cadê a Catarina? Mas não tem uma Catarina não. Ainda”, garantiu ao Rio2016.com.