Prata em Sydney 2000, Claudinei Quirino conduz tocha Olímpica na cidade que o transformou em atleta
Por Leonardo Rui
Medalhista do revezamento 4x100m corre com símbolo dos Jogos em Presidente Prudente, nesta segunda-feira, e conta o que espera do atletismo brasileiro no Rio 2016
Claudinei Quirino criou projeto para formar atletas em Presidente Prudente, no interior de São Paulo (Rio2016/Leonardo Rui)
De revezamento Claudinei Quirino entende muito bem. Ele foi vice-campeão Olímpico com a equipe do 4x100m rasos nos Jogos Olímpicos Sydney 2000, ao lado de Vicente Lenilson, Edson Luciano e André Domingos. "Assim que ganhamos a medalha, peguei a bandeira de Presidente Prudente para comemorar", lembra. Imagine, então, como ele ficou emocionado quando soube que iria participar de outro revezamento, o da tocha Olímpica Rio 2016, na cidade que tanto ama, na chegada da chama ao estado de São Paulo.
Nesta segunda-feira (27), o medalhista conduz o símbolo dos Jogos ao lado de André (companheiro de equipe em Sydney) e outros ex-atletas, como Eronildes Araújo e Cleide Amaral. "Este lugar me proporcionou todas as conquistas no esporte. Eu me sinto um prudentino", diz Claudinei, que nasceu em Lençóis Paulista, a mais de 300 km de distância.
Além da prata em Sydney, Claudinei ganhou cinco medalhas em Jogos Pan-Americanos e três em campeonatos mundiais. E anda preocupado com a falta de renovação no esporte: "Sempre que aparece um ídolo, existe um intervalo muito grande até que surja outro. Foi assim com Adhemar Ferreira da Silva, João do Pulo, Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa, Robson Caetano, a minha geração, Maurren Maggi... E o que vai acontecer quando a Fabiana Murer se aposentar?", questiona.
Claudinei Quirino brinca com o mascote Vinicius em pista de Presidente Prudente, onde ex-atleta escolheu para viver (Rio2016/Leonardo Rui)
Para revelar promessas do atletismo, Claudinei criou o projeto Talento Olímpico, que atende 840 crianças em Presidente Prudente. "Já tenho seis atletas competindo em alto nível. E, assim como sou condutor da tocha Olímpica, quero que esses meninos e meninas sejam também condutores da esperança, da ideia de que o esporte pode transformar vidas", explica.
Claudinei fala por experiência própria. Depois de perder a mãe, ele foi mandado para um orfanato, com um irmão, onde viveu até os 17 anos. Só aos 19 anos, conheceu o esporte. "Eu era muito franzino e as meninas não olhavam para mim. Um dia, uma colega de trabalho elogiou o corpo de um corredor que passou na rua e pensei: vou ser como ele", brinca.
O medalhista Olímpico fica sério quando fala sobre o que superou para virar atleta. "Eu queria ser bandido porque meus exemplos eram os garotos do orfanato. Depois de ouvir a palestra de um padre é que passei a pensar diferente e consegui emprego numa lanchonete", diz. Já em Presidente Prudente, ele morou debaixo da arquibancada do ginásio, no começo da carreira no atletismo.
Claudinei se sente em casa nas pistas (Rio2016/Leonardo Rui)
Claudinei é um dos poucos brasileiros com participação nos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno. Depois de deixar as pistas, aceitou um convite para participar da equipe brasileira de bobsled – esporte em que duas ou quatro pessoas utilizam um trenó para deslizar por uma rampa de gelo estreita e sinuosa. "Era uma tentativa de dar visibilidade ao esporte" lembra.
Entre os classificados para Rio 2016, Claudinei aposta em Fabiana Murer, do salto com vara, em Caio Bonfim, da marcha Atlética, e nas meninas do revezamento 4x100m rasos. "Temos uma geração muito talentosa. Peço a todos os brasileiros que apoiem nossos atletas, porque essa força será fundamental em casa", conclui.