Policlínica dos atletas bate recorde de atendimentos
Local da Vila dos Atletas chega a registrar 900 pacientes por dia e supera Londres 2012; odontologia e oftalmologia são os serviços mais procurados
Local da Vila dos Atletas chega a registrar 900 pacientes por dia e supera Londres 2012; odontologia e oftalmologia são os serviços mais procurados
Depois dos Jogos, os equipamentos médicos serão doados à rede pública de saúde; acima, equipamentos de ressonância magnética (Foto: Rio 2016/Gabriel Heusi)
São 3.500 metros quadrados, 160 salas e uma equipe que envolve 180 profissionais. Tudo isso para cuidar da saúde dos atletas e membros das 205 delegações que estão hospedadas da Vila dos Atletas para a disputa dos Jogos Rio 2016. E a Policlínica está fazendo tanto sucesso que esta edição dos Jogos já bateu o recorde de atendimentos diários. Em um dia, foram registrados cerca de 900 consultas em todas as áreas disponíveis, superando a marca de 650 da edição de Londres, em 2012. Atletas de países da África que estão em situação vulnerável são os que mais frequentam o local, mas atletas das nações mais desenvolvidas também passam por lá.
Na Policlínica da Vila, é possível usufruir de praticamente todas as vertentes da medicina, desde ginecologia até serviços clínicos gerais. Um centro de imagem com aparelhos de raio-x, tomografia e ressonância magnética ajuda no diagnóstico. Há também salas de fisioterapia, crioterapia e massagem, além de outras voltadas para recuperação de lesões.
Aparelho de raio-x para auxiliar nos exames de imagem (Foto: Rio 2016/Rafael Cavalieri)
Mas nenhum dos serviços citados acima é tão procurado quanto oftalmologia e odontologia. Em conversa com o Rio2016.com, João Grangeiro, diretor de Serviços Médicos do Comitê Rio 2016, revelou que a equipe ficou impressionada com a gravidade de algumas situações. Sem revelar o país, o médico disse que a equipe chegou a salvar um caso de quase cegueira de um chefe de delegação.
"A verdade é que os Jogos Olímpicos contam com delegações de países que vivem situações muito delicadas. Um membro de Camarões, por exemplo, entrou aqui e ficou olhando tudo. Perguntei se precisava de algo e ele disse que queria fazer um check-up, já que em seu país o acesso à medicina de qualidade é caríssimo. Fizemos todos os exames e ganhamos um sorriso de satisfação que comove. Proporcionamos aqui algo que eles não conseguem em seus países com uma qualidade e estrutura impressionantes", afirmou.
Protetores bucais personalizados produzidos no departamento de odontologia (Foto: Rio 2016/Rafael Cavalieri)
Logo à frente dos cuidados com os olhos está o serviço odontológico. Neste domingo (14), dia da visita do Rio2016.com ao local, a fila de atletas e membros de delegação em busca de consultas com os dentistas era a maior – são cerca de 120 atendimentos diários. Além de tratamentos básicos, um detalhe chama a atenção. A área conta com produção de protetores bucais. Ou seja, o atleta vai lá, faz o molde dos dentes e horas depois ganha um protetor personalizado com as cores de sua escolha. São produzidos quase cem por dia.
"É importante frisar que eles não estão aqui só porque o serviço é gratuito, mas porque somos bons no que fazemos. Se alguém chegasse e relatasse um atendimento ruim, duvido que iriam voltar no dia seguinte", ressaltou Grangeiro.
Entrada da clínica onde é feita a triagem (Foto: Rio 2016/Rafael Cavalieri)
Parte dos equipamentos da clínica foi disponibilizada por empresas patrocinadoras dos Jogos. A GE forneceu máquinas de ressonância magnética e radiografia, importadas de países como Estados Unidos e Alemanha. Já a P&G é responsável pelos materiais odontológicos. Após os Jogos, os equipamentos médicos serão doados à rede pública de saúde.
"Este será nosso legado", finalizou Grangeiro.