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Um mundo novo

Diário de um jornalista: a experiência de cobrir o esporte que determina o atleta mais completo dos Jogos Olímpicos

Por André Naddeo

No pentatlo moderno, são sete horas de competição em cinco modalidades em que o jornalista tem que estar muito atento para não perder nada

Diário de um jornalista: a experiência de cobrir o esporte que determina o atleta mais completo dos Jogos Olímpicos

Getty Images/Sam Greenwood

Talvez não exista uma competição que exija mais do atleta do que o pentatlo moderno. O esporte, que combina natação, esgrima, hipismo, corrida e tiro, demanda que o atleta seja o mais completo possível. Se é difícil para o atleta, a tarefa de quem assiste também não é nada fácil. Para o jornalista, então, nem se fala: não podemos piscar durante as sete horas de provas, praticamente sem descanso, para não perder nenhum detalhe das cinco modalidades em disputa e passar todas as informações corretas para o público. 

“Eu nunca tinha ouvido falar [em pentatlo moderno] até ela ganhar a medalha de bronze em Londres”, disse o publicitário Giovanni Bastos, 33, sobre a medalha de Yane Marques há quatro anos. Ele trouxe o filho Gian para acompanhar as provas, no complexo esportivo de Deodoro. “Eu queria ver como é essa loucura de se competir em cinco esportes, fiquei curioso”.

Assim como Bastos, a reportagem do Rio2016.com também estava curiosa e um tanto, temos que confessar, confusa. No início, foi difícil entender e computar os pontos das competidoras nas diferentes provas, que estrearam nos Jogos modernos em Estocolmo 1912, mas já eram praticadas desde os tempos da Grécia Antiga. 

Na primeira prova do dia, a natação 200m livres, já há uma quebra de paradigma: o que os atletas devem buscar não é chegar primeiro. Isso mesmo. Aqui é obrigatório realizar a batida em até 2min30 para se somar, automaticamente, 200 pontos. Aí, a cada 0,33s mais rápido ou mais lento, um ponto é adicionado ou subtraído do total. Difícil, não é? Nessa hora, acompanhar pela TV e pelas informações atualizadas em tempo real pelo site Rio2016 é o segredo do sucesso.

Imagina ter que duelar com 36 atletas na esgrima num só dia? (Foto: Getty Images/Sam Greenwood)

Mas a maior dificuldade, sem dúvidas, está na esgrima. Não bastasse o sol rachando a cabeça da animada torcida, que a todo momento gritava pelo nome de “Yane, Yane”, as 37 atletas lutam entre si em compates de um minutos no máximo, que acabam quando ocorre o primeiro toque. Isso mesmo, 36 duelos. Anotar cada resultado? Não mesmo. O bloco de papel iria embora só nessa prova. 

O que dizer então do hipismo? Os cavalos são sorteados entre as competidoras, que conhecem seu parceiro de prova minutos antes de ela acontecer. Veja o caso da Yane Marques, por exemplo. Ela teve 20 minutos de aquecimento para conhecer a sua montaria que se chamava… Harry Potter. A cubana Laura Moya não deu muita sorte. Caiu sobre os obstáculos e machucou as costas. O cavalo da húngara Zsofia Foldhazi refugou e ela também acabou caindo. É isso mesmo: você treina quatro anos e se der azar e pegar um cavalo mal humorado ou que não se encaixa no seu estilo de prova, já era. 

A húngara Zsofia Foldhazi cai após refugo do seu cavalo (Foto: Getty Images/Sam Greenwood)

A torcida vibrava muito e respeitava os pedidos de silêncio, o que foi fundamental para a etapa decisiva do pentatlo. A prova final é uma combinação entre tiro e corrida de 3.200m. Mais uma vez a atleta é testada em seu máximo: todas as vantages que ela alcançou até aqui podem ir por água abaixo se ela não acertar o alvo. Foi justamente neste último ponto que a polonesa Oktawia Nowacka perdeu o ouro para a australiana Chloe Esposito e a prata para a francesa Elodie Clouvel.

Profissionalmente, cobrir as provas de pentatlo moderno é uma experiência incrível de concentração. E, sim, os pentatletas são mesmo os mais completos destes Jogos Olímpicos Rio 2016. 

Pode comemorar, Chloe Esposito, você é a atleta mais completa do mundo! (Foto: Getty Images/Sam Greenwood)