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Um mundo novo

Parque Olímpico da Barra ganha maquete tátil e acessível ao público

Por Rio 2016

Adaptada, miniatura permite que todos possam conhecer a principal região de competição dos Jogos Rio 2016

Parque Olímpico da Barra ganha maquete tátil e acessível ao público

Maquete de 1,3m² representa a área do Parque Olímpico, que equivale a 165 campos de futebol (EOM)

Os Jogos Rio 2016 estão cada vez mais próximos – tanto de sua data de abertura, como dos torcedores. Em comemoração ao marco de 500 dias para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, foi inaugurada nesta segunda-feira (27) a maquete sensitiva do Parque Olímpico da Barra. O evento de apresentação da obra aconteceu no Instituto Benjamin Constant, tradicional instituição de ensino para pessoas com deficiência visual do Rio de Janeiro, e contou com a presença do prefeito da cidade Eduardo Paes.

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“Com a maquete, o público poderá conhecer o Parque Olímpico em uma versão fiel, reduzida e real. A maquete já é lúdica, porque atinge criança, adulto, todo mundo. E no caso de uma maquete tátil, mais ainda, porque deficientes visuais também vão poder sentir o Parque, perceber a Via Olímpica, as ruas, a lagoa, a vegetação, os volumes...”, afirma Joaquim Monteiro, presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

Com uma escala de 1:750, a obra reproduz em 1,3m² uma área de 1,18 milhão de m² – o correspondente a 165 campos de futebol representados sobre uma pequena mesa. A base da obra é feita de madeira e MDF, enquanto os prédios são de acrílico,chapas de PVC e também de madeira. Para o acabamento foram utilizados miçangas, tinta, areia, verniz e pequenas esferas de plástico.

A maquete foi projetada para permitir a percepção espacial do Parque Olímpico por pessoas com deficiência visual – por isso, apresenta algumas particularidades. A orientação de tamanho, por exemplo, pode ser alcançada pelo reconhecimento tátil das miniaturas de cerca de 250 ônibus e 800 carros, espalhados pelo estacionamentos e avenidas presentes na obra – ao tocá-los, o cego pode compará-los com as instalações esportivas e ter noção do tamanho das arenas. Já as identificações das instalações podem ser conferidas nas inscrições em braille. Autor da obra, o arquiteto Flávio Papi, de 60 anos, trabalha com maquetes desde os 20 e garante que o projeto, que levou dois meses para ser concluído, foi especialmente desafiador e motivante.

“Uma maquete comum normalmente é muito delicada, mas essa maquete tátil precisava ser resistente, pois é aberta e será tocada constantemente, e, ao mesmo tempo, segura ao toque. Alguns elementos foram eliminados da obra, como a representação das pessoas e dos postes da maquete, que seriam muito finos e pontiagudos e poderiam machucar as pessoas”, explica Papi. 

O Centro Olímpico de Tênis representado na Maquete do Parque Olímpico Rio 2016

Miniatura do Centro Olímpico de Tênis com materiais sensitivos e inscrições em braille - acessível para todos (Foto: EOM)

Integrante da área de integração Paralímpica do Comitê Rio 2016, Marcos Lima, que é cego, contribuiu durante a execução do projeto para garantir que a maquete fosse adequada às necessidades dos deficientes visuais.

“A nossa ideia é possibilitar que a pessoa com deficiência visual toque e sinta não apenas a posição de cada arena, mas também sua forma e construção. Eu, particularmente, amo maquetes e miniaturas, tenho uma coleção em casa, pois é a forma como eu consigo ver o mundo. Esta maquete está mudando a minha forma de ver o Parque Olímpico, e isso não é só pra mim. A maquete estará disponível a todos Comitês Paralímpicos e Olímpicos Nacionais que visitarão o Parque Olímpico durante sua construção e, principalmente, a todos os cariocas, brasileiros e estrangeiros que vão estar no Parque Olímpico durante os Jogos”, disse o ex-atleta, que foi campeão brasileiro de futebol de 5.

Depois de ajudar a levar a emoção dos Jogos Rio 2016 a tanta gente, Flavio Papi, que é carioca, mal pode esperar para ver o Parque Olímpico de perto – e em tamanho real.

“Quero muito estar presente nos Jogos, será uma emoção diferente. Gosto muito de vôlei e de natação, nado bastante até hoje. Tomara que consiga ver alguns esportes de perto, lá dentro do Parque Olímpico”, concluiu Flavio.

A partir desta segunda-feira, a maquete ficará exposta por um mês no Instituto Benjamin Constant, aberta à visita do público. Durante os Jogos Rio 2016, estará em exposição no próprio Parque Olímpico.